Maria e o laicado — A condição laical de Maria e o seu significado

Maria e o laicado — A condição laical de Maria e o seu significado

A relação entre Maria e o laicado é um tema desenvolvido sobretudo após o Vaticano II. Querendo situar Maria num estado de vida, segundo as categorias canónicas da Igreja, deve dizer-se que ela pertence ao estado laical, ainda que numa condição de vida fortemente consagrada. Não pertence à ordem sacerdotal ministerial nem ao estado religioso no sentido técnico. Daí que Maria seja proposta como exemplo e tipo de existência cristã de modo especialmente pertinente para os leigos.

Os dogmas marianos como paradigma da salvação laical

Os dois dogmas marianos posteriores ao Concílio de Niceia iluminam a salvação cristã na sua integralidade. A Imaculada Conceição mostra que a graça de Deus precede e envolve a existência humana desde o seu primeiro instante, antes de qualquer resposta ou mérito. A Assunção mostra que a salvação é integral, não angélica mas humana: abrange a dimensão corporal e espiritual do homem. Maria assunta é “a concreta demonstração de quanto pensa o cristianismo sobre o destino do homem”: o homem é chamado a uma experiência eterna de salvação que não exclui um genuíno humanismo. A esperança de Maria é, ao mesmo tempo, esperança do presente e do futuro antecipado no presente.

Maria como tipo para todo o povo de Deus

Maria pode e deve ser proposta como tipo da sequela Christi a todos os membros do laos (povo) de Deus, porque “foi a primeira e a mais perfeita seguidora de Cristo”. Ninguém pode “apropriar-se” de Maria de modo exclusivo: o seu mistério é fonte capaz de saciar todos os estados de vida, todos os grupos, toda a Igreja. A imitação de Maria é possível no respeito pela originalidade vocacional de cada cristão e na criatividade da resposta pessoal a Deus. O cristão diante de Maria é como o artista que se inspira sem copiar. Além do laço tipológico, Maria está presente na vida da Igreja com a sua oração e proteção materna (LG 62), pelo que todos os cristãos encontram nela apoio, auxílio e conforto.

Maria e a missão profética dos leigos

A dimensão profética de Maria é particularmente rica para os leigos. Maria é a primeira evangelizada: a ela, filha de Sião destinada a ser mãe do Messias, é dado em primeiro lugar o anúncio da vinda do Salvador (Lc 1,26-38). Maria é também a primeira evangelizadora: a palavra acolhida torna-se anúncio. Adombrada pelo Espírito, ela anuncia as “grandes coisas” feitas pelo Omnipotente (o Magnificat) e leva a Palavra encarnada ao seio de Isabel (Lc 1,39-56). Maria ensina, em Caná, que a palavra se acolhe na obediência: “Fazei o que ele vos disser” (Jo 2,5). Três atitudes proféticas iluminam especialmente o laicado: a contemplação dos eventos no coração (Lc 2,19.51), que capacita para encontrar o sentido global da história. a paciência perseverante (makrotimia), que sustenta a esperança na longa luta contra o mal. e o silêncio profético, premissa necessária para acolher e anunciar a Palavra com eficácia.

Maria e a missão sacerdotal e real dos leigos

Maria não pertence ao sacerdócio ministerial, mas participa, de modo singular, do sacerdócio comum de todos os fiéis (1 Pd 2,9). A sua atividade salvífica funda-se no seu consentimento materno ao Redentor, na sua docilidade à iniciativa redentora do Filho: age “em nome e em pessoa da Igreja, em união com Cristo.” Os leigos podem olhar para Maria como exemplo de como transformar a vida inteira em culto espiritual, e de como estar junto à Cruz do Filho, e, consequentemente, junto à cruz dos homens (cf AA 4). Na dimensão real, Maria exemplifica como conduzir o “reino dos homens” a tornar-se “reino de Deus”: ilumina os valores humanos com a luz de Cristo, propõe a via da beleza, a opção pelos pobres e a promoção do feminino como dimensão da salvação.

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