Ezekiel’s Wheels (or Chariots): What are they and what do they mean?

## As Rodas de Ezequiel: Um Enigma Bíblico e sua Interpretação Teológica

As “rodas de Ezequiel”, conhecidas também como *ofanins* (do hebraico *ofan*, “roda”), são elementos intrigantes da Bíblia, descritas no livro de Ezequiel, capítulos 1 e 10. Estas rodas altas e imponentes, representadas como uma roda dentro de outra, com aros repletos de olhos, fazem parte da visão profética do trono celestial.

**Descrição Bíblica:**

De acordo com o texto massorético, Ezequiel descreve as rodas assim:

– “E olhei os seres viventes, e eis uma roda (ofan) na terra junto aos seres viventes, para as suas quatro faces” (Ez 1,15).
– “A aparência das rodas e a sua feitura era como o brilho do crisólito (tarshish), e uma só semelhança tinham as quatro. E a sua aparência e a sua feitura era como se estivesse uma roda no meio de outra roda” (Ez 1,16).
– “Os seus aros eram altos e temíveis, e os aros das quatro estavam cheios de olhos ao redor” (Ez 1,18).

**Significado Teológico:**

A interpretação teológica deste texto revela vários pontos importantes:

1. **Mobilidade e Onipresença:** As rodas movem-se com os seres viventes sem nunca se desviarem (“porque o espírito do vivente estava nas rodas”, Ez 1,19-21). Esta descrição simboliza a liberdade e onipresença de Deus, que pode estar em todo lugar ao mesmo tempo.

2. **Vigilância e Conhecimento:** Os olhos ao redor dos aros sugerem uma vigilância total e um conhecimento infinito. Deus, representado pelas rodas, vê tudo e nada escapa à sua percepção.

3. **Trono Móvel da Glória Divina:** A visão das rodas e do trono é descrita como o pedestal móvel da glória de Deus. O trono não está fixo em um local, mas pode mover-se livremente, refletindo a natureza imutável e ao mesmo tempo dinâmica da divindade.

**Contexto Histórico e Teológico:**

A visão das rodas ocorre no exílio babilônico (cerca de 593 a.C.), quando Ezequiel estava entre o rio Quebar. O texto é interpretado como uma mensagem de esperança para os exilados, revelando que a glória de Deus não está confinada ao templo destruído, mas pode estar presente e em movimento com o seu povo, mesmo na Babilônia.

**Interpretações ao Longo da História:**

– **Tradição Judaica:** A tradição judaica chamou esta visão de “visão da merkabá”, do carro-trono, e desenvolveu uma rica mística em torno dela. As listas angélicas judaicas tardias incluem os *ofanim* como uma classe celestial, juntamente com *serafins* e *querubins*.

– **Interpretação Cristã:** Os Padres da Igreja viram na visão de Ezequiel uma revelação da mobilidade da glória divina e uma prefiguração da presença de Deus com o seu povo, mesmo em lugares distantes. A Igreja Católica nunca definiu um catálogo exato de espécies angélicas, mas reconhece a existência de anjos como criaturas espirituais e pessoais (CIC 328).

Em resumo, as rodas de Ezequiel são um símbolo poderoso da soberania, liberdade e onipresença de Deus, conforme apresentado na Bíblia. A sua interpretação teológica oferece uma compreensão profunda da natureza divina e da relação de Deus com a humanidade, especialmente no contexto do exílio e da esperança de restauração.

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