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Coração humilde novo

O Senhor Jesus, referindo-Se a Si próprio, disse: «Aprendei de mim, que sou manso  e humilde de coração» (Mt 11,29). Portanto, Jesus confirma que, segundo a tradição bíblica, “o coração”  indica o centro da pessoa, a sede dos seus sentimentos e das suas intenções.

A Epístola aos Hebreus diz que «a palavra de Deus é viva, eficaz e mais afiada que uma espada de dois gumes; penetra até à divisão da alma e do corpo, das articulações e das medulas, e discerne os sentimentos e intenções do coração» (Heb 4, 12). Deste modo, fala de um núcleo, o coração, que se esconde por detrás de todas as aparências, e até mesmo dos  pensamentos superficiais. O coração é igualmente o lugar da sinceridade, onde não se pode enganar ou dissimular. Costuma indicar as verdadeiras intenções, o que se pensa, o que se acredita e o que se quer realmente (cf. Francisco,  Encíclica Dilexit Nos, 24 de outubro de 2024).

Para salvar o homem, vítima da sua própria desobediência, Deus quis oferecer-lhe um “coração novo”, fiel à sua vontade de amor (cf. Jr 31,33; Ez 36,26; Sl 50,12). Este coração é o Coração de Cristo, a obra-prima do Espírito Santo, que começou a bater no seio virginal de Maria e foi trespassado por uma lança na cruz, tornando-se, assim e para todos, fonte inexaurível de vida eterna  (cf. João Paulo II, Angelus, 23 de junho de 2002).

No Coração de Cristo Redentor nós adoramos o amor de Deus pela humanidade, a sua vontade de salvação universal, a sua misericórdia infinita. Na celebração do Sagrado Coração de Jesus, com a liturgia, por assim dizer, lançamos um olhar dentro do Coração de Jesus que, na morte, foi aberto pela lança do soldado. O seu Coração está aberto, por nós e aos nossos olhos, e deste modo está aberto o Coração do próprio Deus (cf. Bento XVI, Homilia na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, 11 de junho de 2010). 

O Coração de Cristo, que começou a bater no seio virginal de Maria, configurou o coração da sua Mãe, tornando-o semelhante ao seu, na mansidão e na humildade. O coração humilde da Mãe é espelho da humildade do Filho, porque tudo em Maria depende de Cristo e está ao seu serviço. Portanto, o olhar sobre o coração da Mãe deve partir do olhar sobre o Coração do Filho, do qual recebe luz e configuração. Na verdade, com Maria e guiados por Ela, podemos aproximar-nos de Cristo, para “aprender o seu Coração manso e humilde”. 

A Mãe de Jesus, como ensina santo Agostinho, «antes de conceber o Senhor no corpo, já O tinha concebido no coração». Ela é, de corpo e alma e para sempre, a morada do Senhor. Deste modo, como morada de Deus na terra, Ela é a mestra de todos os corações que, pela fé, querem que Jesus habite neles.   

Daniel Afonso

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