O Advento é um período de intensa reflexão e preparação, onde a figura de Maria ganha uma dimensidade teológica profunda. Através do prisma da liturgia e da Sagrada Escritura, descortina-se uma imagem de Maria não apenas como a Mãe de Cristo, mas também como um paradigma de fé e obediência, cuja relevância se estende para além do ciclo natalino, influenciando profundamente a identidade e missão da Igreja.
No Advento, Maria emerge como a emblemática ouvinte da Palavra de Deus, exemplificando a atitude fundamental para a vida espiritual e a santidade. A sua escuta, acolhida e meditação da palavra revelam a necessidade de uma fé ativa, caracterizada por disponibilidade e humildade. Esta escuta se traduz em frutos, conforme demonstrado em Lucas 11,27, onde a bem-aventurança se estende àqueles que ouvem e observam a palavra de Deus.
A virgindade de Maria, destacada no Advento, sublinha o mistério da Encarnação. A genealogia de Jesus, culminando em Maria, realça a imersão de Deus na humanidade. Neste contexto, a maternidade de Maria transcende um mero processo biológico, tornando-se um ato de adesão incondicional à palavra de Deus, como enfatiza São Lucas ao descrever a Anunciação.
O consentimento de Maria é comparado à fé de Abraão, ambos personificando a obediência incondicional a Deus. A fé de Maria, ressaltada pelas palavras do anjo Gabriel em Lucas 1,37, ecoa a fé de Abraão na capacidade de Deus de superar o impossível. Essa comparação aprofunda a compreensão da fecundidade espiritual de Maria, enfatizando seu papel central na Igreja e na salvação.
Maria é reconhecida como a mãe do novo Israel, a Igreja, simbolizando a maternidade universal dos fiéis. Este papel é uma consequência direta de sua fé excepcional, que, como a de Sara, Ana e Isabel, transcende as barreiras do natural, representando um milagre singular.
Diferentemente de Zacarias, que hesita diante da palavra do anjo, Maria responde com um sim envolvente e reflexivo. A proclamação de Isabel em Lucas 1,45 ressalta a bem-aventurança de Maria, que acredita no cumprimento das palavras do Senhor, ilustrando a magnitude do seu ato de fé.
A metanóia, elemento central na pregação de João Batista e Jesus, é a conversão radical do coração em resposta à vinda do Reino de Deus. Maria exemplifica essa conversão, deixando de lado suas próprias perspectivas para abraçar plenamente a palavra e a vontade de Deus.
Maria, no contexto do Advento, é muito mais que uma figura devocional; ela é um exemplo vivo da fé ativa, uma resposta humilde e poderosa ao chamado divino. Sua história nos convida a refletir sobre nossa própria jornada espiritual, incentivando-nos a escutar, acolher e meditar na palavra de Deus com a mesma devoção e obediência. Maria, portanto, não é apenas a mãe de Jesus, mas também a mãe de todos que buscam seguir o caminho da fé verdadeira e da entrega total a Deus.
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