No tempo da Quaresma, sobretudo na sua fase final, o olhar dos fiéis dirige-se decididamente para a cruz; e é precisamente olhando para o Calvário que descobrimos um outro aspecto do mistério da Virgem que partilha o sacrifício do Filho também perto da cruz.
Este mistério sublinha este momento particular de salvação através de uma série de textos bíblicos de duas formas:
Tudo isso como dom da “ternura” do Senhor, que “se expande sobre todas as criaturas”, e sobretudo em Maria que “permaneceu junto à cruz firme na fé, forte na esperança, ardente na caridade”.
Se olharmos agora para a voz orante da Igreja, vemos surgir um quadro contextual que acentua explicitamente a dor da Virgem e ao mesmo tempo o seu papel de participação na missão redentora do Filho.
A paixão do Filho destaca imediatamente a compaixão da Mãe. A Igreja reza a “Mãe das Dores ao pé da cruz”, ou melhor, “ao lado da cruz do Filho”; a misteriosa partilha é expressa pela oração com o uso frequente dos termos compatiens, compassio e socia passionis. Maria aparece de fato como “companheira generosa da Paixão”, como a Mãe “dolorosa” e “Mãe das dores”, como aquela que foi “associada (ao Filho) em um único martírio”. A Igreja reconhece e contempla o mistério cantando: “Feliz tu, Virgem Maria, que sem morrer mereceste a palma do martírio sob a cruz do Senhor”.
Compartilhar a paixão de Cristo faz de Maria uma participante misteriosa e real da obra salvífica do Filho. Contemplando Maria “associada à paixão redentora de Cristo” emergem alguns elementos:
Os dois aspectos destacados acima – a compaixão da Mãe e seu papel decisivo no projeto salvífico – acentuam novos aspectos da exemplaridade da Virgem. A sua fidelidade na hora da provação e a partilha do plano salvífico do Pai coloca Maria como modelo renovado da Igreja.
Contemplando “a Mãe junto à cruz do Filho”, a Igreja está consciente de que entra numa nova escola de vida: assim como Maria guia a vida, assim a Igreja, contemplando na Virgem a sua imagem de Esposa, conserva intacta a fé dada ao Esposo apesar das ameaças e perseguições.
Em todas as épocas, a paixão do Filho continua nos membros feridos de seu corpo que é a Igreja. E como Maria e com Maria, a Igreja suplica para ter os olhos suficientemente abertos para reconhecer e servir a Cristo, sofrendo em seus irmãos e irmãs, com amor solícito.
Tal como Maria, também a Igreja está na condição de colaborar no plano salvífico do Pai através da fidelidade na hora da cruz; carregar a cruz todos os dias é prolongar a obra de Cristo, o sumo sacerdote, para que cada homem possa experimentar cada vez mais os frutos da redenção. Só assim é possível participar plenamente na criação renovada, quando todos aqueles que forem reunidos em virtude do sangue de Cristo atingirem a perfeição da própria filiação em Cristo e Deus será tudo em todos.
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