Nossa Senhora do Carmo — A Padroeira da família carmelita

Nossa Senhora do Carmo — A Padroeira da família carmelita

Nossa Senhora do Monte Carmelo é o título mariano que identifica a devoção mariana da Ordem dos Carmelitas, fundada no Monte Carmelo (Galileia) na segunda metade do século XII por “devotos peregrinos a Deus” ocidentais. A festa litúrgica celebra-se a 16 de julho e é uma das memórias marianas mais difundidas entre o povo cristão, especialmente nas regiões hispânicas, italianas e latino-americanas.

Origem da devoção mariana carmelita

Os primeiros eremitas do Carmelo, reunidos em “collegium” por Alberto de Avogadro, patriarca de Jerusalém (1206-1214), construíram uma pequena igreja dedicada à Virgem junto à sua ermida. A partir de 1252, a Ordem aparece nos documentos pontifícios como “Ordem de Santa Maria do Monte Carmelo”. Na sua tradição primitiva, a devoção carmelita a Maria não parte de uma imagem especial nem de um aspecto devocional novo, mas da contemplação evangélica da Virgem de Nazaré: a “ancela do Senhor” que acolhe e guarda a Palavra, e cujo “sim” a torna Mãe do Filho de Deus feito homem. Maria é vista como “senhora” do primeiro lugar no Carmelo, ou seja, aquela a cujo serviço os irmãos totalmente se consagram.

A “memória solene” e a festa de 16 de julho

Na segunda metade do século XIV, na Inglaterra, os Carmelitas instituíram uma “memória solene da Bem-Aventurada Virgem Maria” para celebrar a gratidão pelos benefícios recebidos de Maria como Padroeira. A data originária era 17 de julho, ligada à sessão final do Concílio II de Lião (1274), que confirmou a existência da Ordem. No final do século XV, a festa foi antecipada para 16 de julho. Bento XIII estendeu-a a toda a Igreja em 1726. Após o Vaticano II, conserva-se como “memória facultativa” no calendário romano.

O escapulário e a visão de São Simão Stock

A tradição do escapulário carmelita está ligada a uma visão atribuída a São Simão Stock (século XIII), na qual a Virgem lhe teria entregue o manto carmelita dizendo: “Este será o privilégio para ti e para os teus: quem morrer revestido com ele, salvar-se-á.” O valor histórico desta visão é discutido pelos especialistas, dado que os manuscritos mais antigos do Catálogo dos Santos Carmelitas onde ela aparece são posteriores a 1411. Também é considerada espúria a “Bula Sabatina” (1322), atribuída a João XXII, que prometia a libertação do Purgatório no primeiro sábado após a morte aos que usassem o escapulário. A devoção do escapulário deve ser interpretada no seu sentido genuíno: como “pequeno hábito” que une à família carmelita, expressa dedicação especial a Maria, e é um convite a imitar a sua humildade e castidade. Pio XII chamou-o “memorial da Madonna, espelho de humildade e de castidade”.

Espiritualidade mariana do Carmelo

A espiritualidade carmelita olha para Maria como inspiradora, guia e senhora de uma vida centrada na oração contemplativa e na escuta da Palavra. A “Subida do Carmelo” culmina em Cristo, e o “múnus” próprio de Maria na economia da salvação é conduzir à perfeição da caridade, simbolizada pelo monte que é Cristo. Maria é simultaneamente “mãe e irmã” na tradição carmelita, em atmosfera de intimidade contemplativa. O Vaticano II confirma esta intuição: Maria tem “o ofício de ser mãe na ordem da graça… cuida dos irmãos do Filho ainda peregrinos e postos no meio de perigos e aflições, até que sejam introduzidos na pátria bem-aventurada” (LG 61-62).

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