Santa Maria, mãe de Deus: análise dogmático-litúrgica

Santa Maria mãe de Deus: o dogma de Éfeso e a vida da Igreja
Santa Maria Mãe de Deus é o fundamento de toda a mariologia. Definido em Éfeso (431) contra o nestorianismo, o título Santa Maria Mãe de Deus afirma a unidade pessoal de Cristo e exalta Maria como verdadeira Theotokos da Igreja.
Santa Maria Mãe de Deus: análise dogmático-litúrgica
Neste terceiro dia da novena entramos no mistério admirável: Deus Pai envia Deus Filho para resgatar aqueles que estavam sob o domínio da Lei. E tudo isto acontece quando Jesus nasceu de mulher. Centro da contemplação da vida da Igreja orante: Jesus, Sacramento inefável do Pai, nasceu de mulher e se oferece a quem ouve a Palavra e assim salva.
A expressão nascido de mulher é a mais antiga referência cronológica a Nossa Senhora. O Filho de Deus nasceu como todos nós de uma mulher, na fragilidade, na debilidade de todo o homem que nasce, mas não assume um elemento: o pecado.
Mas porquê a incarnação? Dessa forma os escravos que nasceram debaixo da lei são resgatados. Como? Pela Cruz. Mas antes da Páscoa, o Pai envia o Filho que nasce de mulher, debaixo da lei que nos torna escravos e nos leva para a liberdade através da filiação. Assim todos podemos estar perante Deus sem o medo, em comunhão com o Filho do Pai e de Maria: Jesus Cristo.
E nós? Ao celebrarmos somos memória da mulher porque ao escutarmos a Palavra, nos tornamos contemplativos.
No Evangelho os pastores vieram adorar Jesus. Os anjos anunciaram, os pastores dirigiram-se ao local indicado e encontraram a Sagrada Família. Depois disso: glorificaram e louvaram a Deus por tudo aquilo que tinham visto e ouvido.
E Maria, sabendo que o Filho é Deus, sabendo que foi reconhecido como Deus feito homem, conserva estas coisas no seu coração. Maria indaga as palavras e os gestos de Jesus. A maravilha, a admiração, até mesmo o temor perante a Mãe são objecto de Meditação.
Pensemos um pouco o que é meditar.
Juntar os diversos sinais recolhidos ao longo do caminho, as palavras que romperam o silêncio de Deus, os eventos que assinalavam a vida do Filho, na esperança de encontrar uma forma de decifrar o significado de tudo aquilo.
Foi isto que fez Paulo, na primeira leitura. É isso que faz Maria em São Lucas por duas vezes (Lc 1,19.51). Ainda que no caso da Virgem temos um acrescento: tudo acontece a partir de dentro dela. Não são acontecimentos exteriores que são lidos por terceiros. Ela é protagonista de Deus na história. A Filha do Pai medita: o significado dos mistérios de Cristo. Ela é guardiã de uma memória, a do Povo que procura a Sabedoria de Deus, procura conhecimento, a compreensão, a interioridade, a espiritualidade.
E onde se pode encontrar?
Nos acontecimentos de cada Palavra e de cada Evento do seu Filho Jesus.
O Deus conosco do segundo dia da Novena continua a ser o Sinal por obra do Espírito Santo que se faz carne no ventre de Maria, se alcança na plenitude dos tempos no ventre de Maria e ali estava Maria: a ponte da lei à graça, da escravidão à liberdade, e mais tarde da morte à vida pela Assunção.
Para aprofundar a análise dogmático-litúrgica do título «Mãe de Deus» consulte a encíclica Redemptoris Mater de João Paulo II, inteiramente dedicada a Maria, Mãe do Redentor, e ao significado teológico da sua maternidade divina.
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Santa Maria Mãe de Deus continua a ser a chave dogmática e litúrgica da fé mariana. Celebrar Santa Maria Mãe de Deus é entrar no mistério da Encarnação e contemplar a maternidade divina que ilumina toda a Igreja. Ler mais sobre a Theotokos na Redemptoris Mater.
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