Sagrada Congregação para o Culto Divino – marialis titulus (13 de março de 1980): Mater Ecclesiae na Ladainha de Loreto
A Carta Circular Marialis Titulus (13 de março 1980) da Sagrada Congregação para os Sacramentos e o Culto Divino é o documento que autorizou a inserção da invocação «Mater Ecclesiae» na Ladainha de Loreto. É o complemento litúrgico da proclamação de Paulo VI de 21 de novembro 1964 (ver post): o título proclamado então por Paulo VI agora torna-se invocação oficial da liturgia universal. Texto no Enchiridion Vaticanum vol. 7 (1980-1981), parágrafo 233.
| Colecção | Enchiridion Vaticanum vol. 7, parágrafo 233 |
| Autor | Sagrada Congregação para os Sacramentos e o Culto Divino (Card. James R. Knox, prefeito, Vergilio Noe, secretário) |
| Documento | Litterae circulares Marialis Titulus |
| Data | 13 de março 1980 |
| Fonte | Notitiae 16 (1980) 159 |
Texto latino integral
De invocatione «Mater ecclesiae»
E.ime domine,
Marialis titulus «Mater ecclesiae», quem summus pontifex Paulus VI rec. mem. sollemni sententia pronuntiavit occasione oblata tertiae exactae sessionis concilii Vaticani II, ubique apud populum christianum magis magisque pia devotione recolitur. Insuper et in Missale romanum (editio typica altera, 1975) nova missa votiva «De beata Maria ecclesiae matre» est inserta.
Summus pontifex Ioannes Paulus II, petitionibus obsequens, quae e diversis mundi regionibus ad apostolicam sedem mittuntur, facultatem concedit ut unaquaeque conferentia episcopalis, quae id exoptet, in formularium litaniarum beatae Mariae virginis invocationem «Mater ecclesiae» inserere possit.
Nova haec invocatio «Mater ecclesiae», in litaniis «lauretanis» nuncupatis post invocationem «Mater Christi» et ante illam «Mater divinae gratiae» est collocanda.
Tradução portuguesa
Sobre a invocação «Mater Ecclesiae»
Eminentíssimo Senhor,
O título mariano «Mater Ecclesiae» (Mãe da Igreja), que o sumo Pontífice Paulo VI de pia memória pronunciou em sentença solene por ocasião da terceira sessão concluída do Concílio Vaticano II, é invocado em toda parte com piedade cada vez maior pelo povo cristão. Ademais, no Missal Romano (segunda edição típica, 1975) foi inserida uma nova missa votiva «De Beata Maria Ecclesiae Matre».
O sumo Pontífice João Paulo II, atendendo às petições que de diversas regiões do mundo são enviadas à Sede Apostólica, concede a faculdade para que cada Conferência Episcopal que o desejar possa inserir no formulário das ladainhas da bem-aventurada Virgem Maria a invocação «Mater Ecclesiae».
Esta nova invocação «Mater Ecclesiae» na Ladainha chamada «de Loreto» deve ser colocada após a invocação «Mater Christi» e antes daquela «Mater divinae gratiae».
Significado litúrgico
Esta carta circular completa um arco histórico de 16 anos:
- 21 novembro 1964: Paulo VI proclama Maria «Mater Ecclesiae» no encerramento do III período do Vaticano II
- 1975: A segunda edição típica do Missal Romano inclui a missa votiva «De Beata Maria Ecclesiae Matre»
- 13 março 1980: O título torna-se invocação oficial nas Ladainhas de Loreto, autorizada por João Paulo II
- 11 fevereiro 2018: Francisco institui memória obrigatória de «Maria Mãe da Igreja» na segunda-feira após Pentecostes
A ladainha de Loreto actualizada
Após esta carta, a Ladainha de Loreto cresceu com várias adições:
- 1980 (João Paulo II): «Mater Ecclesiae»
- 1995 (João Paulo II): «Regina familiae»
- 2020 (Francisco): «Mater misericordiae», «Mater spei», «Solacium migrantium»
Conexão hermenêutica
O texto da carta circular faz três referências hermenêuticas importantes:
- «Pia memoria» de Paulo VI: sublinha que João Paulo II completa o que Paulo VI proclamou, continuidade pontifícia
- «Petitionibus obsequens»: a inclusão foi resposta a numerosos pedidos do povo cristão, o sensus fidelium
- Posição na Ladainha: entre «Mater Christi» e «Mater divinae gratiae», mariologicamente significativa, ligando a maternidade divina à maternidade da graça eclesial
Leitura complementar
Paulo VI, Proclamação Mater Ecclesiae 1964 | Marialis Cultus | Lumen Gentium cap. VIII | Directório sobre a Piedade Popular e a Liturgia
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