Decretum Beata virgo (1981): ordo coronandi imaginem beatæ mariæ virginis – rito de coroação de imagens marianas

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O Decreto «Beata Virgo» (25 de março de 1981) da Sagrada Congregação para os Sacramentos e o Culto Divino promulgou o novo Ordo Coronandi Imaginem Beatae Mariae Virginis, o rito litúrgico de coroação de imagens marianas, renovado segundo os princípios do Vaticano II. Texto no Enchiridion Vaticanum vol. 7 (1980-1981), parágrafo 1200.

ColeçãoEnchiridion Vaticanum vol. 7, parágrafo 1200
AutorSagrada Congregação para os Sacramentos e o Culto Divino
DocumentoDecretum Beata Virgo (Prot. CD 600/81)
Data25 de março de 1981 (festa da Anunciação)
Promulgação doOrdo Coronandi Imaginem Beatae Mariae Virginis (editio typica)

Texto latino original

Texto conferido com a edição típica do Ordo coronandi imaginem beatae Mariae Virginis (Typis Vaticanis, 1981, reimpressão de 2010).

Beata Virgo, aula regalis in qua saeculorum Rex carnem induit humanam, ab Ecclesia, Spiritu Sancto edocta, Domina ac Regina salutatur. Ad hanc dignitatem recolendam, inter alia obsequia consuetudo invaluit gloriosae Deiparae imagines, veneratione insignes, regio diademate coronandi.

Huic Sacrae Congregationi pro Sacramentis et Cultu Divino opportunum visum est, post novos libros liturgicos editos, ritum coronationis recognoscere, ut indoli ac normis instauratae liturgiae accommodaretur et plenius exprimeret sensum et vim coronationis imaginum beatae Mariae Virginis.

Novum Ordinem coronandi imaginem beatae Mariae Virginis, a Sacra Congregatione pro Sacramentis et Cultu Divino apparatum, Summus Pontifex Ioannes Paulus II auctoritate sua approbavit evulgarique iussit.

Tradução portuguesa

A bem-aventurada Virgem, palácio real no qual o Rei dos séculos vestiu carne humana, é saudada pela Igreja, ensinada pelo Espírito Santo, como Senhora e Rainha. Para celebrar esta dignidade, entre outros obséquios prevaleceu o costume de coroar com diadema régio as imagens da gloriosa Mãe de Deus que são insignes pela veneração.

A esta Sagrada Congregação para os Sacramentos e o Culto Divino pareceu oportuno, depois da publicação dos novos livros litúrgicos, rever o rito da coroação, para que se acomodasse à índole e às normas da liturgia renovada e exprimisse mais plenamente o sentido e a força da coroação das imagens da bem-aventurada Virgem Maria.

O novo Rito de coroação da imagem da bem-aventurada Virgem Maria, preparado pela Sagrada Congregação para os Sacramentos e o Culto Divino, foi aprovado pelo Sumo Pontífice João Paulo II com a sua autoridade e mandado publicar.

Tradição histórica das coroações marianas

O rito da coroação de imagens marianas tem origens medievais e foi codificado pela primeira vez por:

  • Capítulo Vaticano (1631): primeira regulamentação romana
  • Capítulo de São Pedro do Vaticano: registro histórico de mais de 1500 imagens marianas coroadas em todo o mundo desde o século XVII
  • Século XIX: o rito usado pelo Capítulo Vaticano, redigido no século XVII, é recebido na liturgia romana e inserido no Pontifical Romano (Ordo coronandi, Praenotanda n. 4 e nota 4)
  • Vaticano II: chamada para revisão litúrgica de todos os sacramentais
  • 1981: a presente Beata Virgo publica o novo Ordo

Estrutura do novo Ordo Coronandi

O Ordo Coronandi Imaginem Beatae Mariae Virginis de 1981 organiza o rito em:

  1. Reflexão teológica preliminar: Maria como Rainha pela sua maternidade divina
  2. Dentro da Missa: a coroação faz-se depois da homilia (nn. 13-17)
  3. Outras formas: a coroação pode fazer-se também nas Vésperas da Liturgia das Horas ou numa celebração da Palavra de Deus (n. 10)
  4. Ação de graças e invocação: oração do bispo antes da imposição da coroa (n. 15)
  5. Coroação: o bispo asperge a coroa com água benta e, sem dizer nada, coroa a imagem, e depois se canta a antífona «Regina mundi dignissima» ou outro canto apto (nn. 16-17)
  6. Súplica litânica: na celebração da Palavra, canta-se uma ladainha da bem-aventurada Virgem Maria própria do Ordo, que não é a de Loreto, ou faz-se a oração universal (n. 41)

Imagens coroadas reconhecidas

Algumas das mais célebres coroações da tradição, anteriores e posteriores a este novo Ordo:

  • Aparecida (Brasil): coroada em 1904, por concessão de São Pio X
  • Fátima (Portugal): coroação da imagem da Capelinha em 1946
  • Nossa Senhora de Luján (Argentina): coroada em 8 de maio de 1887, com a coroa benzida por Leão XIII
  • Nossa Senhora de Guadalupe (México): tradição multissecular
  • Częstochowa (Polónia): imagem coroada e recoroada múltiplas vezes

Significado pastoral

A coroação de uma imagem mariana não é gesto mágico ou supersticioso, mas proclamação pública e solene de:

  1. Realeza de Maria (cf. Ad Caeli Reginam, Pio XII 1954)
  2. Maternidade espiritual de Maria sobre o povo cristão da região específica
  3. Reconhecimento da imagem como ponto de encontro mariano para a comunidade
  4. Chamada à renovação da devoção mariana popular sob orientação litúrgica

Leitura complementar

Ad Caeli Reginam | Marialis Titulus 1980 | Marialis Cultus | Directório da Piedade Popular | Aparições Marianas

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