Origin of Our Lady of Sorrows

Origem da Nossa Senhora das dores

# Liturgia de Nossa Senhora das Dores

A liturgia celebra Nossa Senhora das Dores em dois momentos do ano: 15 de setembro, após a Exaltação da Santa Cruz, e anteriormente, em uma segunda festa em março, próxima à Semana Santa, embora esta celebração tenha sido reformada por Pio XII. Esta duplicidade resulta de duas tradições teológicas distintas que surgiram em contextos históricos diferentes.

## Origens Teológicas e Históricas

A primeira remonta ao século XIII e à fundação da Ordem dos Servitas em Florença. A segunda está enraizada na poesia e liturgia do *Stabat Mater*, bem como na meditação escolástica sobre a compaixão de Maria no Calvário.

## As Sete Cenas da Co-participação de Maria

A piedade católica identificou sete momentos da vida de Maria onde sua alma foi transpassada pelo sofrimento, representando sua co-participação no caminho redentor do Filho:

1. **Profecia de Simeão**: No Templo de Jerusalém, Simeão profetiza a Maria sobre uma espada que transpassará sua própria alma, o que se cumpre com a dor da perda e angústia antecipada.
2. **Fuga para o Egito**: José é avisado em sonho sobre a ameaça de Herodes, levando a família para um exílio desconhecido, simbolizando confiança em Deus.
3. **Perda de Jesus em Jerusalém**: Maria procura desesperadamente por Jesus durante a peregrinação pascal, refletindo três dias de angústia antes da crucificação.
4. **Encontro no Caminho do Calvário**: Embora não descrito nos Evangelhos, a tradição contempla o encontro de Maria com Jesus carregando a Cruz, um momento de profunda dor.
5. **Crucificação e Morte de Jesus**: Maria permanece junto à Cruz, recebendo o discípulo amado como filho, cumprindo a profecia de Simeão e estabelecendo sua maternidade espiritual.
6. **Descida da Cruz**: Maria recebe o corpo morto de Jesus nos braços, sintetizando toda a dor materna em um gesto de adoração silenciosa.
7. **Sepultura de Jesus**: Maria acompanha a deposição do Filho no sepulcro, aguardando o que nenhuma criatura viu.

## Evolução da Devoção

A devoção à Virgem das Dores se desenvolveu desde o final do século XI, com menções iniciais às cinco dores simbolizadas por cinco espadas. No século XII, aparições da Virgem levaram ao crescimento desta devoção e à criação do *Stabat Mater* por Jacopone da Todi. Os Servitas, uma ordem fundada em Florença em 1233, foram grandes promotores desta devoção.

Em 1714, a Sagrada Congregação dos Ritos permitiu que os Servitas celebrassem a “Comemoração solene dos sete Dores da Bem-aventurada Virgem Maria”. Em 1727, o Papa Bento XIII estendeu esta festa para toda a Igreja Latina. Com a reforma litúrgica de Pio X, a data foi fixada em 15 de setembro, mantendo-se até o calendário de 1969, quando foi designada como “Nossa Senhora das Dores”.

## Iconografia e Devoção Popular

A devoção inspirou uma rica tradição artística, especialmente na Espanha e Flandres. A iconografia retrata Maria com o coração transpassado por sete espadas, simbolizando a profecia de Simeão. Na escultura da Semana Santa, a “Dolorosa” é representada com lágrimas de cristal, vestes de luto e mãos postas em oração. Em Reggio Calabria, uma procissão envolve duas grandes estátuas de Jesus e Maria, cuja reunião simboliza o encontro no caminho do Calvário.

No plano musical, compositores como Pergolesi, Vivaldi, Haydn, Schubert e Dvořák criaram versões do *Stabat Mater*, meditando sobre as dores de Maria ao pé da Cruz.

## Significado Teológico

Nossa Senhora das Dores não é apenas um título devocional, mas expressa uma convicção teológica profunda: Maria participou ativamente no mistério redentor do Filho, como Corredentora, unindo-se à oferta de Cristo por amor. A festa de 15 de setembro, após a Exaltação da Santa Cruz, contempla a Mãe que permaneceu junto à Cruz, formando uma meditação sobre o coração do mistério cristão.

Graduate Studies in Mariology

Wishing to deepen your formation in Mariology? Discover the Graduate Program in Mariology from Locus Mariologicus – an academic formation that combines theological rigor, spiritual life, and the living tradition of the Church.

Enroll or Learn More →

📖 Seriously interested in studying this? Explore the Graduate Program in Mariology from Locus – a rigorous academic formation for theologians, priests, religious, and laity.

Related Articles

The pain of Mary

Mary’s pain reveals her as co-redemptrix: conscious, free, and united to the sacrifice of the Son. Deepen the theology of the *Stabat Mater* and its salvific meaning.

Responses