Return to God what is God’s: Mary and total consecration to God

Reddite deo quae sunt dei: Maria e a consagração total a Deus

## A Mariologia e o Mandato de Dar a Deus o que é de Deus

**Introdução:**

O diálogo entre os fariseus e herodianos sobre o tributo a César (Mc 12,13-17) apresenta uma armadilha intelectual destinada a embaraçar Jesus. Sua resposta, porém, revela uma sabedoria profunda ao distinguir dois domínios: o de César e o de Deus. Este artigo explora essa distinção à luz da mariologia, destacando o papel de Maria como modelo de consagração total a Deus.

**I. A Armadilha e a Sabedoria de Jesus:**

A questão dos fariseus e herodianos era delicada: pagar o tributo implicava colaboração com o ocupante romano, enquanto recusá-lo era ato de rebelião política. Jesus, com sua resposta astuta, separa os domínios, propondo: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.

A aparente divisão de esferas não é uma postura laicista, mas sim uma afirmação radical da soberania divina. Deus possui um domínio inalienável sobre tudo o que tem a “imagem” dEle, incluindo o ser humano (Gn 1,26-27). A moeda romana, com a imagem de César, representa o poder temporal, enquanto o ser humano reflete a imagem divina.

**II. “Imago Dei”: O Ser Humano Pertencente a Deus:**

A expressão “imago dei” (“imagem de Deus”) na Genese 1,26-27 destaca a dignidade inerente ao ser humano como criação à imagem e semelhança de Deus. Esta imagem não é apenas ontológica, mas também dinâmica, implicando uma vocação para a plena realização da semelhança divina através da graça.

A tradição patrística, especialmente Agostinho em “De Trinitate” e Gregório de Nissa em “De Hominis Opificio”, aprofundou esta teologia, entendendo a “imago dei” como uma vocação à liberdade e à semelhança com Deus. Maria, pela sua perfeição, é considerada a expressão mais plena da “imago dei”.

**III. O “Fiat” de Maria: Entrega Total a Deus:**

O “fiat” de Maria (“Faça-se em mim segundo a tua palavra”, Lc 1,38) representa a entrega absoluta à vontade divina. É o ato mais livre da história humana, onde ela reconhece sua pertença total a Deus e se submete à Sua vontade. Este “fiat” inspira a espiritualidade de consagração cristã, ensinando a dar a Deus o que lhe pertence.

**IV. Maria no Mundo Secularizado:**

No contexto contemporâneo, marcado pela secularização e pela pressão do “César” moderno (Estado, mercado, opinião pública), o mandato de Jesus “dai a Deus o que é de Deus” adquire nova relevância. Maria, ao viver sua fé publicamente e sem coerção, oferece um modelo de resistência espiritual ao domínio de César sobre a consciência e a vida.

**Conclusão:**

A mariologia encontra no “fiat” de Maria a fundamentação para uma espiritualidade de consagração total, onde o ser humano, liberto da escravidão humana, se entrega totalmente a Deus. Neste sentido, Maria é a figura do Sábado cristão, simbolizando o descanso em Deus e a entrega à vontade divina.

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