Septugintę i przemiana nadziei w tłumaczeniu greckim

Septuaginta e a transformação da esperança na tradução grega

# A Septuaginta (LXX) e a Transformação de *Elpis*: Pressupostos Histórico-Literários e o Contexto Judaico-Helenístico

A tradução grega da Bíblia Hebraica, conhecida como Septuaginta (LXX), teve um papel crucial na disseminação e evolução do conceito de esperança (*elpis*) no contexto judaico-cristão. Ao traduzir os textos canônicos do hebraico para o grego, a Septuaginta não apenas facilitou o acesso aos ensinamentos religiosos, mas também reinterpretou termos e conceitos fundamentais, adaptando-os para uma audiência helenística. A palavra *elpis* ampliou sua semântica, associando-se com *epí*, enfatizando a ideia de confiança em Deus.

## O Vocabulário de *Elpis* na LXX: *Qawah*, *Yaḥal* e a Expansão Semântica do Conceito Grego de Esperança na Diáspora

Comparada ao texto hebraico original, *elpis* e seus derivados ganharam maior relevância na tradução grega da Septuaginta. Este termo traduz tanto os verbos hebraicos que expressam expectativa quanto aqueles que transmitem confiança. Na LXX, a associação de *elpis* com *epí* é evidente, destacando o conceito de confiança inabalável.

## A Flexibilidade Semântica de *Elpis* na LXX: Diferenciando *Qawah*/*Hopos* e a Confiança Inabalável em Deus

A palavra *elpis* na Septuaginta traduz a maioria das raízes hebraicas que denotam expectativa ou confiança, com exceção de *qawah*, que é sempre traduzida como *hopos* (paciência ou perseverança). Tanto *pepoithénei* quanto *elpis* são usados de forma intercambiável para objetos religiosos e profanos. Assim, *elpis* e *elpízestai* frequentemente expressam confiança, menos frequentemente expectativa, como nos Salmos 43:5 (LXX) e 7:2. Quando a ênfase está na expectativa, opta-se por *hopos*.

Essa preferência dá peso à segurança e firmeza associadas à confiança. Importante também é que, para a LXX, o objeto do “esperar confiante” não se limita ao Deus de Israel, mas ao Senhor de todo o universo e de todas as nações. Essa universalidade é reforçada pelo uso de abstrações em vez de imagens concretas, como “*rokh*” (*rocha*), “*pyrgos*” (*fortaleza*) e “*skudo*” (*escudo*), e pela ênfase nas ações salvíficas do Deus transcendente (Salmos 64:3-11 LXX).

## *Elpis* como Virtude da Piedade Judaica na LXX: Confiança Exclusiva em Deus e a Esperança nas Adversidades da Diáspora

Os tradutores gregos destacam *elpis* como uma virtude essencial da piedade judaica. Essa confiança em Deus, exclusiva e inabalável, deve ser mantida mesmo diante das adversidades da vida cotidiana (Salmos 22:10, 26:1, 71:14), rejeitando a insensatez (Salmos 40:5).

Além disso, enquanto o Salmo hebraico não menciona explicitamente a vida imortal, a tradução grega abre espaço para essa dimensão, como em Salmos 16:9f MT versus 15:9f LXX. Isso demonstra que, na oração da diáspora alexandrina, a esperança adquiriu novas dimensões espirituais e escatológicas.

## A Tradução de Isaías na LXX: Ampliando a Esperança nos Salmos e a Hermenêutica Teológica dos Tradutores Gregos

Semelhante ao que ocorre nos Salmos, a tradução de Isaías na LXX é relativamente livre. O tradutor, competente tanto no hebraico quanto no grego, procura encorajar os piedosos da diáspora a perseverarem na esperança no Senhor. Ao mesmo tempo, ele denuncia as falsas expectativas dos poderosos de Jerusalém (Isaías 24:16 LXX).

## Reinterpretação do Juízo Final em Is 24-25 na LXX: A Esperança Escatológica na Versão Grega de Isaías

Na tradução de Isaías na Septuaginta, o tradutor reinterpreta temas como o juízo final (Isaías 24:1-6), a destruição das cidades (Isaías 24:7-13) e os eventos finais de salvação e condenação (Isaías 24:17-23; Isaías 25:6-14a). Nessa visão, apenas a diáspora alcançará a salvação por meio da sua esperança no Senhor (Isaías 25:9).

Contudo, essa esperança não é passiva. Está ligada à busca por justiça, fidelidade e amor pela paz (Isaías 26:1-3). Textos como a revelação da Lei em Jerusalém (Isaías 42:4; Isaías 51:1-5) e a profecia messiânica de Isaías 11:10 são atualizados na tradução, adquirindo um significado renovado para os fiéis da diáspora.

## Conclusão: Da LXX ao Novo Testamento

A Septuaginta (LXX) desempenhou um papel fundamental na transformação e ampliação do conceito de esperança (*elpis*) na tradição judaico-cristã. Ao associar *elpis* com *epí* e reinterpretar termos hebraicos, a LXX não apenas facilitou a compreensão religiosa, mas também preparou o terreno para a esperança escatológica presente no Novo Testamento. Essa reinterpretação linguística e teológica destaca a importância da esperança como uma virtude central, orientando a fé e a conduta dos fiéis em meio às adversidades.

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