A devoção mariana designa o conjunto das práticas pelas quais os cristãos expressam a sua veneração a Maria, Mãe de Deus. Distinta da adoração (latria) devida a Deus, a devoção a Maria é chamada de hiperdulia — uma honra superior à devida aos outros santos, em razão da sua dignidade única como Theotokos.
Entre as formas de devoção mariana mais difundidas contam-se: o Rosário, a Salve Rainha, a Ave Maria, a Consagração a Maria, as novenas marianas, as peregrinações aos santuários e a leitura do Magnificat. Cada devoção tem a sua história e o seu carácter espiritual próprio.
O Concílio Vaticano II (Lumen Gentium, cap. VIII) sublinhou que a devoção mariana deve ser autêntica, enraizada na fé da Igreja, não sentimental ou supersticiosa. O Papa Paulo VI, na exortação Marialis Cultus (1974), definiu quatro critérios: bíblico, litúrgico, ecuménico e antropológico.
A religiosidade popular mariana — festas, procissões, ex-votos, canções populares — é uma forma legítima e rica de devoção, expressão da fé dos simples. João Paulo II celebrou esta dimensão como “evangelização dos pobres”. A devoção popular deve ser purificada, não suprimida.
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