Sacrosanctum concilium – Maria no culto litúrgico Vaticano II, texto integral)
A Sacrosanctum Concilium é a Constituição sobre a Sagrada Liturgia promulgada pelo Concílio Ecuménico Vaticano II em 4 de Dezembro de 1963, o primeiro documento magisterial do Concílio. Os seus artigos 103-104 integram o culto mariano na perspectiva litúrgica geral da renovação conciliar, situando Maria no calendário litúrgico como figura eminente da salvação.
| Autor | Concílio Ecuménico Vaticano II |
| Tipo | Constituição sobre a Sagrada Liturgia |
| Data | 4 de Dezembro de 1963 |
| Tema | A liturgia cristã; Maria no calendário litúrgico |
| Incipit | Sacrosanctum Concilium («O Sacrossanto Concílio») |
| Fonte | AAS 56 (1964) 97-138 |
n. 103, In celebrando hoc annuo circulo mysteriorum Christi, sancta Ecclesia Beatam Mariam Dei Genetricem cum peculiari amore veneratur, quae indissolubili nexu cum opere salutifero Filii sui coniungitur; in qua miratur atque exaltat praeclarum fructum Redemptionis, ac veluti in perfectissima imagine id contemplatur, quod ipsa tota esse et sperare cupit.
n. 104, Ecclesia vero per anni circulum diversorum Sanctorum memorias inseruit in dies distributae. Praecipue autem Beatam Mariam Virginem, quae cum Filio divino arte et inseparabiliter coniuncta est, prima ac maxima laude prosequitur: eius festa multiplicia celebrat, eamque veneratur cultu peculiaris, praestantiori tamen modo quam ceteros sanctos.
n. 103, Ao celebrar este ciclo anual dos mistérios de Cristo, a Santa Igreja venera com amor particular a Bem-aventurada Maria Mãe de Deus, que está unida por laço indissolúvel à obra salvífica do Seu Filho: nela admira e exalta o mais ilustre fruto da Redenção, e como que contempla nela, como numa imagem perfeita, aquilo que ela toda deseja e espera ser.
n. 104, A Igreja introduziu, distribuídas ao longo do ano, as memórias dos diferentes Santos. A Bem-aventurada Virgem Maria, porém, que está estreita e indissoluvelmente unida ao Filho divino, a Igreja honra com louvor primeiro e máximo: celebra as suas numerosas festas e venera-a com culto especial, numa ordem contudo mais alta do que a dos outros santos.
A Sacrosanctum Concilium é fundamental para a mariologia litúrgica. Ela estabelece que: (1) o culto a Maria é inseparável do culto a Cristo, ela nunca é honrada isoladamente, mas sempre em relação ao Filho; (2) Maria ocupa um lugar único no calendário litúrgico, superior aos santos mas distinto da latria reservada a Deus; (3) Maria é o «fruto da Redenção», logo, ela não é co-redentora no sentido idêntico ao de Cristo, mas participa do fruto da salvação de modo singular. A Marialis Cultus (Paulo VI, 1974) desenvolverá amplamente estes princípios litúrgico-mariológicos.
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