He sent his beloved Son to them: Mary and the Son sent by the Father

## Misit filium suum: A Parábola dos Vinheiros Homicidas e a Mariologia
**Introdução:**
A parábola dos vinheiros homicidas (Mc 12,1-12), uma das mais impactantes do Evangelho de Marcos, revela o coração da missão divina através da figura do “filho amado” enviado pelo Pai. Esta parábola é a base para uma profunda reflexão mariológica, destacando o papel único de Maria na história da salvação.
**I. “Misit filium suum”: A Parábola e seu Horizonte Cristológico**
A parábola utiliza a imagem da vinha, profundamente enraizada na tradição profética de Israel (Is 5,1-7). Marcos retoma essa imagem com uma dimensão cristológica inovadora: o “dono da vinha” é Deus Pai; os “vinheiros” representam os líderes religiosos de Israel; os “servos” são os profetas; e o “filho amado” é Jesus Cristo.
A lógica do Pai, expressa na parábola, é paradoxal: após enviar sucessivos servos que são maltratados ou mortos, ele ainda envia seu “filho amado”. A esperança do Pai, de que os líderes de Israel respeitarão o Filho, parece irracional do ponto de vista humano. No entanto, essa esperança representa a lógica inabalável do amor divino que nunca desiste.
O “último” envio do Filho, após a história da Aliança e dos profetas, é um gesto definitivo e único. A história da salvação encontra seu ponto de inflexão na concepção de Maria, o momento em que o “último” envio do Pai se torna realidade histórica através do nascimento do Filho em plena época da expectativa messiânica.
**II. Misit filium suum: Encarnação como Missão do Pai**
A frase “misit filium suum”, traduzida como “enviou seu filho”, revela a essência da missão divina no contexto trinitário. O Filho, ao ser enviado, age em obediência amorosa ao Pai, cumprindo sua missão de salvar a humanidade.
Maria, ao dar à luz o Filho de Deus feito homem, é a condição histórica para a realização dessa missão. Gl 4,4 afirma: “Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher”. O nascimento de Maria é fundamental para que o Filho seja enviado ao mundo de maneira real e eficaz, permitindo que sua missão toque a humanidade em sua essência.
A teologia patrística, como Ireneu de Lião, destacou a importância de Maria na missão do Filho, argumentando que a “missão” implica o “nascimento de Maria”. O nascimento humano de Cristo, através de Maria, é essencial para a realização da salvação.
**III. Dimensões Eclesiais e Tipologia do Jardim**
A parábola dos vinheiros homicidas também possui uma dimensão eclesial profunda. A Igreja, que recebe a vinha após a rejeição dos primeiros gestores, representa a “nova criação” onde a missão de Deus encontra seu pleno cumprimento.
Maria, como Mãe da Igreja, está no centro dessa nova plantação. Seu papel como a primeira a respeitar o Filho enviado torna-a o modelo para a comunidade cristã que cresce na fé e na obediência ao Filho de Deus.
A tipologia do “jardim” permeia toda a Escritura, desde o Jardim do Éden até a ressurreição (Jo 20,15). Maria, associada ao “jardim fechado” do Cântico dos Cânticos (Ct 4,12), simboliza a pureza e a beleza da comunhão com Deus.
**IV. Misit filium suum: Esperança do Pai e Fé de Maria**
A esperança do Pai, expressa na parábola, encontra sua realização na fé de Maria. Ela, ao dizer “fiat” (Lc 1,38), demonstra uma fé total que abre caminho para o cumprimento da promessa divina.
O Magnificat (Lc 1,46-55), o cântico de Maria, interpreta teologicamente a missão do Filho como o cumprimento das promessas feitas a Abraão e sua descendência. Venerar Maria é reconhecer que ela foi o primeiro e mais perfeito cumprimento da esperança paterna, respeitando e abrindo as portas da história humana à missão divina.
Em resumo, a parábola dos vinheiros homicidas revela a lógica amorosa do Pai que envia seu Filho, e a fé de Maria como resposta perfeita a essa missão, configurando o coração da teologia cristã e da devoção mariológica.
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