# A Constituição Dogmática *Lumen Gentium*## IntroduçãoA *Lumen Gentium* é a Constituição Dogmática sobre a Igreja, promulgada pelo Concílio Ecuménico Vaticano II em 21 de novembro de 1964. O seu Capítulo VIII, intitulado “A Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, no mistério de Cristo e da Igreja”, é o texto mais significativo do Magistério da Igreja sobre a Virgem Maria no século XX e serve como base para toda a mariologia contemporânea.## Autor, Data e Estrutura– **Autor:** Concílio Ecuménico Vaticano II
– **Tipo:** Constituição Dogmática
– **Data de Promulgação:** 21 de novembro de 1964
– **Tema Principal:** A Virgem Maria no mistério de Cristo e da Igreja (Capítulo VIII)
– **Incipit:** *Lumen Gentium* (“Luz das Nações”)
– **Fonte:** *AAS* 57 (1965), pp. 5-75## Contexto HistóricoA inclusão da Virgem Maria na Constituição sobre a Igreja, e não num documento separado, como alguns Padres Conciliares propunham, foi uma decisão histórica do Vaticano II. Por 1114 votos contra 1074 (17 de outubro de 1963), o Concílio decidiu integrar o esquema mariano na *Lumen Gentium* como seu Capítulo VIII. Esta decisão teve um impacto ecuménico e teológico significativo, enfatizando que Maria não é considerada isoladamente, mas sempre em relação a Cristo e à Igreja.## Capítulo VIII: A Bem-aventurada Virgem Maria no Mistério de Cristo e da Igreja (Excertos Principais)### I. ProémioO Concílio deseja iluminar melhor o mistério da Igreja, na qual se move a ordem sobrenatural. Encoraja os fiéis a venerar a Virgem Maria, vendo-a como uma figura central na economia da salvação, e a unir-se ao Filho, mediador de todos, através da sua intercessão.### II. O Papel da Bem-aventurada Virgem na Economia da Salvação (nn. 55-59)O Capítulo descreve o papel de Maria no plano divino de salvação, desde o Antigo Testamento até à morte e ressurreição de Cristo. Destaca a sua união singular com o Filho durante toda a obra da salvação e a sua participação ativa no sacrifício redentor.### III. A Bem-aventurada Virgem e a Igreja (nn. 60-65)Aqui, o texto explora a relação entre Maria e a Igreja. Afirma que a maternidade de Maria na ordem da graça persiste desde a Anunciação até à sua assunção ao céu, onde continua a interceder pelos fiéis. Maria é vista como um modelo da Igreja, com uma união íntima com Cristo e uma missão de intercessão.### IV. O Culto da Bem-aventurada Virgem na Igreja (nn. 66-67)O Capítulo incentiva o culto a Maria dentro da Igreja, reconhecendo-a como “membro preclaríssimo” e “tipo” da Igreja. Encoraja as orações e louvores a Maria, bem como a observância dos seus mandamentos.## Nota sobre o Título “*Mater Ecclesiae*”Embora o Capítulo VIII não use formalmente o título “*Mater Ecclesiae*”, Paulo VI, ao concluir a terceira sessão conciliar, proclamou Maria como “*Mãe da Igreja*” por iniciativa própria. O título foi posteriormente incorporado nas Litanias Lauretanas e celebrado com memória obrigatória na segunda-feira após Pentecostes.## Significado TeológicoO Capítulo VIII estabelece três princípios metodológicos fundamentais para a mariologia contemporânea:1. **Princípio Cristológico:** Maria deve ser compreendida sempre em relação a Cristo, destacando a sua função teológica no mistério de Cristo.
2. **Princípio eclesiológico:** Maria está intrinsecamente ligada à Igreja, refletindo a sua natureza e missão.
3. **Autenticidade da Devoção Mariana:** Enfatiza a necessidade de uma devoção mariana autêntica, equilibrando o respeito e a veneração com a compreensão teológica correta.Este capítulo é a referência central para toda a mariologia pós-conciliar, tanto no âmbito académico como pastoral.
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