## Maria Mestra da Esperança Pascal**”Fica connosco, Senhor, porque a tarde já avança e o dia está a declinar” (Lc 24,29).** Com estas palavras, os dois discípulos de Emaús pedem ao desconhecido que encontraram no caminho que permaneça com eles. É a segunda-feira de Páscoa. Estão a afastar-se de Jerusalém, a cidade da Ressurreição que não conseguem ainda reconhecer, quando encontram o Ressuscitado. Não O reconheceram enquanto caminhavam. Reconhecem-No “ao partir do pão” (Lc 24,35). E logo depois Ele desaparece. Voltam imediatamente a Jerusalém. É este o itinerário que **Maria mestra** da esperança pascal já percorreu.A imagem de Maria como mestra da esperança ressona ao longo da liturgia da segunda-feira de Páscoa. A fotografia que ilustra este texto representa perfeitamente os discípulos de Emaús reconhecendo o Ressuscitado, tal como Maria o reconheceu “ao partir do pão”.**I. Primeira Leitura: At 2,14.22-33 – Maria Mestra da Memória Pascal**A liturgia da segunda-feira de Páscoa propõe a primeira leitura do discurso de Pedro no dia de Pentecostes (At 2,14.22-33). Pedro proclama: “Jesus de Nazaré, homem acreditado por Deus junto de vós… vós, pelas mãos dos ímpios, crucificaste e mataste. Mas Deus ressuscitou-O, rompendo as dores da morte” (At 2,22-24). Este *kerigma* que Pedro proclama no Pentecostes tem uma pré-história: os dias entre a Ascensão e o Pentecostes, passados no Cenáculo “em oração perseverante, com Maria”.A tradição teológica, apoiando-se na exegese lucana de At 1,12-14, percebeu que estes dias no Cenáculo não foram apenas de espera passiva. Esta **Maria mestra**, que havia guardado no coração trinta e três anos de memórias do Filho, comunicava aos apóstolos aquilo que eles ainda não sabiam: “Episódios, afirmações, detalhes até então desconhecidos da vida de Jesus chegavam a eles pela escola de Maria. A figura e o ensinamento do Mestre, apresentados pela Mãe, tornavam-se mais penetrantes e mais luminosos nas suas mentes”. O *kerigma* de Pedro é impensável sem a catequese pascal de **Maria mestra**.**II. Evangelho: Lc 24,13-35 – O Caminho que Desce de Jerusalém**O Evangelho de Emaús é um dos textos mais ricos do Novo Testamento. Dois discípulos, um chamado Cléofas, o outro sem nome, caminham de Jerusalém para Emaús, a seis quilómetros. “Iam conversando sobre tudo o que tinha acontecido” (Lc 24,14). Quando o desconhecido lhes pergunta de que falam, a resposta é de uma honestidade brutal: “Eram as esperanças que tínhamos de que fosse Ele que havia de libertar Israel. Mas com tudo isso, já passaram três dias desde que essas coisas aconteceram” (Lc 24,21). A esperança na forma de decepção.O Ressuscitado responde com a Escritura: “Começando por Moisés e por todos os Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que se referia a Ele” (Lc 24,27). É uma catequese pascal. O Ressuscitado interpreta a Escritura à luz do que aconteceu, e o que aconteceu interpreta-se à luz da Escritura. Este círculo hermenêutico é o mesmo que Maria havia vivido toda a vida: “Guardava todas estas coisas no seu coração”, relendo-as à luz de Isaías, dos Salmos, dos Profetas. Ao ensinar os discípulos de Emaús, o Ressuscitado faz o que Maria havia feito no Cenáculo.**III. “Ao partir do pão” – A Eucaristia como Reconhecimento Pascal**Os discípulos reconhecem o Ressuscitado “ao partir do pão” (Lc 24,35). Este gesto, que remete diretamente para a Última Ceia e, portanto, para a Eucaristia, é a chave de reconhecimento da presença do Ressuscitado. A liturgia da segunda-feira de Páscoa, ao incluir este Evangelho, proclama que a Eucaristia é o lugar privilegiado do encontro com o Senhor ressuscitado. Não a visão, não o milagre, não a experiência extraordinária: o pão partido.**Maria mestra** no Cenáculo, “virgem cheia do Espírito Santo, modelo da Igreja orante, modelo de harmonia, comunhão e paz, dócil à voz do Espírito, vigilante na espera da volta do Senhor”, é o centro deste reconhecimento. Os discípulos que voltam de Emaús chegam à comunidade e a comunidade está reunida com **Maria**. Ela é o rosto da Igreja que espera, que ora, que guarda a memória do Ressuscitado para partilhar com os que ainda chegam desorientados do caminho.**IV. Regresso a Jerusalém – A Missão de Maria Mestra**“Levantaram-se imediatamente e regressaram a Jerusalém” (Lc 24,33). Este regresso dos discípulos de Emaús é o modelo de toda conversão pascal: o abandono da direção da fuga, o retorno à comunidade, ao Cenáculo, ao lugar onde **Maria** e os apóstolos perseveram em oração. Lucas, com a sua habitual precisão geográfica e teológica, associa o reconhecimento do Ressuscitado em Emaús ao regresso a Jerusalém: não há experiência pascal autêntica que não desemboque na comunidade.**Conclusão:**Nesta segunda-feira de Páscoa de 2026, convidamos-vos a reconhecer o Ressuscitado onde Ele prometeu estar: no “partir do pão”, na Escritura interpretada, na comunidade reunida com **Maria mestra** em oração. E, como os discípulos de Emaús, a regressar a Jerusalém, ao Cenáculo, à Igreja, à mãe que nos espera, para partilhar o que o coração reconheceu quando a tarde já avançava: “É verdade! O Senhor ressuscitou!” (Lc 24,34).**Leia também:*** [Coração em Brasa – Maria Emaús](https://locusmariologicus.org/corao-em-brasa-maria-emaus/)
* [A Alegria Pascal de Maria Madalena](https://locusmariologicus.org/mulher-porque-choras-maria-alegria-pascal/)
* [Paz Pascal de Maria](https://locusmariologicus.org/pax-vobis-maria-paz-pascal/)**Aprofundar o Conhecimento:**Este artigo faz parte do nosso vasto acervo de reflexão mariana. Se deseja estudar **Mariologia** com rigor académico, conheça a nossa **[Pós-Graduação em Mariologia](https://locusmariologicus.org/pos/)**. Para saber mais sobre as **[Aparições Marianas](https://locusmariologicus.org/aparicoes-marianas/)** e a **[Teologia Mariana](https://locusmariologicus.org/teologia-mariana/)**, explore os recursos do **Instituto Locus Mariologicus**.
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