Meliton of Sardis and Mary: The Paschal Mystery and the Virgin in Second-Century Theology

# Melitão de Sardes e a História da Teologia Mariana## Introdução
Melitão de Sardes, bispo da antiga cidade de Sardes na Lídia, no século II d.C., ocupa um lugar singular na história da teologia mariana. Sua obra, especialmente a homilia *Peri Pascha* (Sobre a Páscoa), redescoberta em 1940, é considerada o mais antigo sermão cristão completo conhecido. Esta homilia revela a profunda visão mariológica de Melitão, conectando perfeitamente a Encarnação e a Redenção através da figura central da Virgem Maria.## I. Redescobrindo Melitão de Sardes e o *Peri Pascha*
A obra de Melitão era conhecida principalmente por citações de Eusébio de Cesareia em sua *História Eclesiástica*. No entanto, a descoberta do Papiro Bodmer XIII em 1940 trouxe à luz o *Peri Pascha*, um texto teológico e literário de grande valor. Esta homilia pascal foi composta para ser proclamada na Vigília da Páscoa, destacando a tipologia pascal e sua conexão com a história da salvação.## II. Maria no Início da História da Salvação
Na seção central do *Peri Pascha*, Melitão apresenta uma série de paradoxos que descrevem o mistério pascal, enfatizando a Encarnação como o ponto de partida da história da salvação. Ele afirma: “Nascido de uma virgem”. Para Melitão, a maternidade virginal de Maria é fundamental, pois inicia a eternidade no tempo e torna o invisível visível. Esta visão teológica posiciona Maria como protagonista essencial na narrativa da salvação.## III. Maria como a “Bela Cordeira”
Uma das partes mais ricas do *Peri Pascha* descreve Maria como a “bela cordeira”, usando a palavra grega *kalos*, que significa beleza ontológica e estética. Esta imagem é ecoada nas palavras de Jesus em João 10:11, onde ele se refere a si mesmo como o “belo pastor”. Maria, assim, é vista como a mãe imaculada do Cordeiro imaculado, refletindo sua integridade original e sua plena consonância com a vontade divina.## IV. Encarnação, Paixão e Maternidade: A Unidade Soteriológica
A teologia de Melitão enfatiza a unidade indissolúvel entre Encarnação e Paixão. Ele argumenta que o Filho nascido da virgem é o mesmo que sofreu na cruz, foi sepultado e ressuscitou. Esta conexão entre a humanidade de Cristo e sua morte redentora é fundamental para sua soteriologia. Maria, através de sua maternidade, garante a realidade da humanidade do Redentor.## V. O Legado Mariológico de Melitão de Sardes
O *Peri Pascha* de Melitão é considerado um texto-limite na história da teologia cristã primitiva. Ele demonstra como a figura de Maria assumiu uma posição estrutural, conectando a criação à nova criação, Israel à história de Cristo, e a humanidade ferida pelo pecado à redenção através do Filho de Deus. A redescoberta deste texto no século XX destaca a riqueza e profundidade da tradição mariana ao longo dos séculos.
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