# A Partilha da Senoria e Realeza de DeusNa narrativa dramática das intervenções divinas na história para restaurar o diálogo com suas criaturas, na revelação progressiva do misterioso plano eterno de salvação que converge tudo para seu cumprimento em Jesus Cristo, ecoa às vezes o anúncio alegre e libertador: “O Senhor reina” (Ex 15,18; Ap 12,10). Em um momento único e decisivo desse desígnio divino, sob o céu, verdadeira “estrela da manhã”, surge uma figura real de uma “Mulher nova”, acompanhada pelo Verbo, entregue ao Espírito de santidade, cheia de graça, capaz de operar em sintonia com Deus para a reparação e restauração universal, visando o aperfeiçoamento da aliança: a comunhão de vida com Deus, objetivo último da própria criação.A imagem teológica da “Mulher nova” é representada pela Virgem Maria, cuja importância é destacada na obra “Carmina Sogitha”, atribuída a São Efrém. Nas estrofes 10-27, Maria parece se esquivar da homenagem dos “príncipes da Pérsia”, escondendo sua verdadeira identidade e a do Filho. Ela inicialmente implora: “Magos, silêncio! Eu mantive o segredo e não revelei a ninguém”. Após verificar sua honestidade, eles reconhecem o poder de seu filho e a santidade da terra.A humildade, pobreza e esvaziamento de si caracterizam o serviço a Deus e ao seu reino oferecido por Maria. Este aspecto misterioso que distingue a dignidade real de Maria, cuja grandeza se revela na comunhão íntima com seu Senhor, estende-se à Igreja, corpo de Maria: sua dignidade surge da comunhão vital com seu Senhor e é uma realidade “outra” daquela externa e mundana.Maria, como rainha, é uma mensagem para cada ser humano que vem ao mundo, antecipando a glória futura da Igreja. A inserção vital em Cristo, nosso caminho, verdade e vida, é preparada e sustentada pela Theotokos, que forma gradualmente os filhos e filhas na imagem do Filho.A maternidade real de Maria está ligada à vocação escatológica de todo o povo de Deus. A Igreja, Esposa do Senhor, regenera nos sacramentos da fé os chamados à salvação, invocando a graça da conformação a Cristo e intensificando a graça da Igreja.Dois momentos indivisíveis marcam a vida de Maria: serviço e glória. A coroação bíblica é o segundo painel de um díptico, onde a humilhação precede a exaltação. Maria, ao oferecer ao Filho os fiéis como sua coroa vivente, continua sua missão de serva do Senhor, disponível aos desígnios divinos.Para aprofundar seus estudos, explore a Mariologia, Teologia Mariana, Aparições Marianas e a Pós-Graduação em Mariologia. A encíclica “Redemptoris Mater” de João Paulo II oferece uma visão profunda sobre Maria como Rainha servidora na história da salvação.
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