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Deus em forma de criança

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Encarnação: Deus em forma de criança e Maria na contemplação de balthasar

A Encarnação é o mistério central da fé cristã, no qual o Verbo eterno se faz Deus em forma de criança. Esta Encarnação, contemplada por Hans Urs von Balthasar, revela Maria como Mãe e modelo do fiel que acolhe a Encarnação no próprio coração.

Deus em forma de criança: Maria e o mistério da Encarnação

Deus em forma de criança, Maria e o mistério da Encarnação

Nestes próximos dias traremos alguns textos de Natal do grande teólogo Hans Urs von Balthasar, certamente imperdíveis.

Considerou o leitor que Deus enviou sua Palavra eterna ao mundo na forma de uma criança?

Importa antes de tudo compreender o que Deus quer dizer-nos com esta nova forma de falar. Certamente, como sempre sucede através de sua Palavra, Ele diz algo sobre si mesmo. Em tudo que essa criança é e em tudo o que se tornará, como jovem, como homem, como mestre e autor de milagres, como aquele que se cala perante o juiz, como flagelado, desprezado, rejeitado, como aquele que grita no abandono de Deus na cruz, como o morto e sepultado, como aquele que vive nova e eternamente entre os mortos: em tudo isso está a Palavra que Deus diz, e diz, realmente, sobre si mesmo. Se Deus é a verdade por antonomásia, então necessariamente cada palavra que nos dirige e que vem do centro da verdade deve ser também uma declaração sobre Ele. Se Ele é bom por antonomásia, então doa-se a nós em todas aquelas palavras que representam vida e paixão, morte e ressurreição de Jesus. E se Ele é a beleza por excelência, então a verdade e o bem que nos diz e nos dá é sempre também uma realidade maravilhosa no mais alto grau.

A Virgem Maria e o Menino Jesus (1565) de Luis de Morales | Tela para  Quadro na Santtatela

Sendo Deus uma criancinha, Ele diz: em toda a minha onipotência, que realmente sou e possuo, sou ao mesmo tempo tão pobre e humilde e digno de confiança como esta Criança, ainda mais, não só “como”. Sou realmente esta criança. E quando Jesus ensina mais tarde, fala do último lugar que alguém tem de ocupar, do servir, dar a vida pelos irmãos. E isto não só como ensino moral para os homens, mas como algo que Ele mesmo é e percebe, como manifestação do coração de Deus, de seu Pai. Faz isto, pois é assim que Deus é. E agora o terrível. Quando Jesus sofre pelos pecadores e toma o pecado sobre si, não sente mais o Pai e clama como quem é abandonado, como quem morre com sede de Deus: novamente, Deus também. “Deus amou tanto o mundo”, diz a Boa-nova, “que deu seu único filho por ele” até que alcançou o estado de abandono, atemporal, de Deus. E quando Jesus se distribui como comida e bebida: Deus é assim. Sim, é o Pai que nos oferece esta palavra e esta carne de Deus, sangrenta, rasgada, dilacerada pelos homens, como participação em sua vida eterna. E quando o coração de Jesus é perfurado e transformado num buraco esvaziado naquele que pode pôr o dedo e, com ele, todo o homem, “Esconde-me nas tuas feridas”: Deus é assim. Uma ferida que alcança o seu coração, e na qual somos curados.

Deus em forma de criança | Locus Mariologicus

Dizer tais coisas não é exagero, mas percepção simples da meditação cristã sobre o mistério do Natal. A Palavra de Deus faz-se carne: carne que tira do seio da Mãe, que depois luta pela vida, que deve sofrer horrores e morrer, mas que em todos os seus estados e situações é a Palavra de Deus e em todas elas nos diz algo da essência de Deus.

Adoramos nós a carne? Não, adoramos apenas a Deus. Deus que é o único que certamente não somos, Deus, o totalmente-Outro, o próprio Ser, o Todo-Poderoso. Mas aquele que teve o prazer de nos mostrar que é onipotente o suficiente para ser também impotente, que é abençoado o suficiente para também sofrer, glorioso o suficiente para colocar-se no lugar mais baixo de sua criação. E Deus não age “como se”: como se fosse humilde e pobre e uma criança. Ele É.

Maria é a Mãe do Filho de Deus feito criança. Para aprofundar o mistério da Encarnação e o papel de Maria, leia a encíclica Redemptoris Mater de São João Paulo II, sobre Maria na economia da salvação.

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A Encarnação é o lugar onde se encontram a humildade divina e a maternidade de Maria. Aprofundar a Encarnação à luz da espiritualidade balthasariana significa redescobrir que Deus em forma de criança continua a tocar o mundo pela mediação materna da Virgem.

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