Gaudium et spes – Maria, nova eva e glória da Igreja (Concílio Vaticano II)
A Gaudium et Spes é a Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo Contemporâneo do Concílio Ecuménico Vaticano II, promulgada em 7 de Dezembro de 1965. O seu artigo 22, sobre «Cristo como o novo Adão», é um dos textos mariológicos implicitamente mais ricos do Concílio: se Cristo é o novo Adão, Maria é a nova Eva, cooperadora da obra redentora.
| Autor | Concílio Ecuménico Vaticano II |
| Tipo | Constituição Pastoral |
| Data | 7 de Dezembro de 1965 |
| Tema | A Igreja no mundo, Cristo novo Adão, Maria nova Eva |
| Incipit | Gaudium et Spes («Alegria e Esperança») |
| Fonte | AAS 58 (1966) 1025-1115 |
n. 22, Ipse enim, Filius Dei, incarnatione sua cum omni homine quodammodo se univit. Humanis manibus operas fecit, humana mente cogitavit, humana voluntate egit, humano corde amavit. Natus ex Maria Virgine, vere unus ex nobis factus est, per omnia nobis similis excepto peccato.
n. 45, Dominus est finis historiae humanae, punctum ad quod historiae et civilis et Ecclesiae tendunt desideria, cui totius humanitatis vota, sitis qua vita nostra flagrat, fervorem capiunt. […] Virgo Maria iam regnat cum Filio suo corpore et anima glorificata, imago et initium Ecclesiae in aeternitate consummandae.
n. 22, O próprio Filho de Deus, pela sua encarnação, de certa forma se uniu a todo o homem. Trabalhou com mãos humanas, pensou com inteligência humana, agiu com vontade humana, amou com coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-se verdadeiramente um de nós, em tudo semelhante a nós, exceto no pecado.
n. 45, O Senhor é o fim da história humana, o ponto para o qual tendem os anseios da história e da civilização, o centro da humanidade, a alegria de todos os corações e a plenitude das suas aspirações. […] A Virgem Maria já reina com o Seu Filho, glorificada em corpo e alma, imagem e início da Igreja que há de ser consumada na eternidade.
A Gaudium et Spes não usa explicitamente o título «Nova Eva», mas implica-o quando afirma que Cristo, nascido da Virgem Maria, é o «novo Adão» (n. 22) e que Maria já reina com o Filho como «imagem e início» da Igreja definitiva (n. 45). Esta linguagem é de alta densidade mariológica: se Cristo é o novo Adão que recapitula a humanidade caída, Maria é a nova Eva que coopera nessa recapitulação. A teologia dos Padres (Justino, Ireneu, Tertuliano) torna-se aqui presente no texto conciliar.
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