Mãe de Deus (Theotokos, em grego) é o título mariano mais importante e o fundamento de toda a Mariologia. Definido no Concílio de Éfeso (431), afirma que Maria é verdadeiramente Mãe do Filho de Deus feito homem. É o primeiro dos quatro dogmas marianos. Para artigo completo: Theotokos — Mãe de Deus.
Os textos bíblicos afirmam conjuntamente a maternidade de Maria e a divindade do Filho que toma carne dela. Em Gal 4,4, Paulo escreve: “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei.” A expressão “nascido de mulher” (ghen-menon ek gyn-ikos) sublinha o abaixamento do Filho de Deus que se faz homem em toda a fragilidade humana. Mas como “Filho enviado por Deus,” trata-se de um Ser preexistente de natureza divina que “se esvaziou, tomando a condição de servo” (Fil 2,7). Em Mt 1,23, o evangelista aplica a Maria a profecia de Is 7,14: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, a quem porão o nome de Emmanuel, que significa: Deus-connosco.” Em Lc 1,35, a saudação do anjo apresenta notáveis paralelos com Ex 40,34-35: como a nuvem de Deus cobria com a sua sombra a Tenda do Encontro no deserto enchendo-a da sua glória, assim o Espírito Santo cobre Maria com a sua sombra tornando-a nova Tenda da Aliança. Maria é a nova arca: em Lc 1,39-56, os paralelos com 2 Sam 6 (a arca subindo a Judá) iluminam a visita de Maria a Isabel. Em Lc 1,43, a própria Isabel, cheia do Espírito Santo, proclama: “Como me acontece a mim que a mãe do meu Senhor venha visitar-me?” Esta aclamação, anterior a qualquer definição conciliar, é a primeira profissão explícita da maternidade divina de Maria.
Nestório, Patriarca de Constantinopla (428-431), recusava o título Theotokos, preferindo Christotokos (“Mãe de Cristo”): Maria seria mãe da natureza humana de Jesus, não da Pessoa divina. Cirilo de Alexandria respondeu que essa divisão destruía a unidade de Cristo. Se Jesus é uma só Pessoa, e essa Pessoa é divina, então a sua mãe é verdadeiramente Mãe de Deus. A questão não era sobre Maria em si mesma, mas sobre a unidade da Pessoa de Cristo: dividir Cristo em dois era destruir a salvação. Negar que Maria é Mãe de Deus implicava negar que o Filho de Deus se fez verdadeiramente homem no seu seio.
O Concílio de Éfeso (431) definiu que Maria é verdadeiramente Theotokos. A população de Éfeso, ao conhecer a decisão, percorreu as ruas da cidade em procissão com archotes aclamando: “Theotokos! Theotokos!” Esta aclamação popular mostra como o título estava já enraizado na fé do povo antes da definição. O Concílio de Calcedónia (451) confirmou e aprofundou a doutrina: Jesus Cristo é uma só Pessoa em duas naturezas, divina e humana, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação. No contexto desta doutrina cristológica, Maria é a mãe da única Pessoa de Cristo, que é Pessoa divina. A maternidade divina é assim um corolário direto da fé na Encarnação do Verbo.
O Vaticano II (LG 53) integra o título Theotokos numa perspetiva cristológica e eclesiológica: “A Virgem Maria, que ao anúncio do anjo recebeu o Verbo de Deus no coração e no corpo, e trouxe a vida ao mundo, é reconhecida e venerada como verdadeira Mãe de Deus e Redentora.” O Concílio sublinha que a maternidade divina de Maria é o fundamento de toda a sua singular dignidade e de toda a Mariologia. A partir da Theotokos compreende-se Maria como Imaculada Conceição, como perpetuamente virgem, como Assunta: tudo porque é Mãe de Deus. O título funda também a mediação materna de Maria em relação à Igreja: sendo Mãe do Cabeça do Corpo místico, é Mãe dos membros.
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