Maria ocupa um lugar único na história da evangelização: é ao mesmo tempo evangelizada (recebeu o Evangelho do anjo) e evangelizadora (proclamou-o ao mundo com toda a sua vida). A exortação apostólica Evangelii Nuntiandi (Paulo VI, 1975) e a Marialis Cultus apresentam Maria como modelo da Igreja evangelizadora — aquela que “recebeu a palavra de Deus com fé” e a traduziu em obra concreta ao serviço dos homens.
A acção evangelizadora de Maria percorre todo o Evangelho da infância. Na Anunciação, Maria recebe o Evangelho das profecias transmitido de geração em geração e responde com fé responsável: “Eis a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Na Visitação, Maria leva o Verbo encarnado a Isabel — o primeiro João Baptista exulta no seio materno, a salvação chega à casa de Zacarias. O Magnificat é o cântico da anunciadora da misericórdia: proclama o que Deus realiza no homem que se abre à sua acção. Em Belém, Maria dá ao mundo o Salvador esperado durante séculos. Nos Actos (1,14), Maria permanece com a comunidade apostólica em oração, preparando com eles a missão de Pentecostes.
A evangelização de Maria tem três características fundamentais. Centralidade em Cristo: toda a vida de Maria está centrada no Verbo feito carne — ela não evangeliza em nome próprio, mas leva e apresenta Cristo. Encarnação da mensagem: Maria não transmite apenas palavras, mas torna presente o Salvador com a sua maternidade concreta. Serviço: a sua evangelização é serviço — na Visitação, nos três meses com Isabel, na presença no Calvário, na oração no Cenáculo. A Marialis Cultus descreve Maria como “virgem que ouve, ora, oferece e dá ao mundo” (MC 17-20): quatro atitudes que definem o evangelizador cristão.
O Concílio Vaticano II (LG 65) afirma que a Igreja, contemplando a santidade de Maria, reconhece “o seu próprio mistério” e aprende a caminhar com fé para o cumprimento da missão. A Evangelii Nuntiandi (EN 82) descreve Maria como “Estrela da evangelização”: “Ela era a mais humilde e mais capaz de acolher o dom de Deus nela mesma; ela foi a primeira e a mais perfeita discípula de Cristo”. Para os novos evangelizadores dos nossos dias, Maria continua a ser o modelo do “consenso activo e responsável à Incarnação do Verbo” (MC 37) — aquela que ouviu, acreditou, e tornou presente o Salvador no mundo.
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