Nossa Senhora de Akita: a história, as três mensagens e o que a Igreja aprovou

Nossa Senhora de Akita: a história, as três mensagens e o que a Igreja aprovou

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Nossa Senhora de Akita é o título dado à Virgem Maria pelos fenômenos ocorridos de 1973 a 1981 num convento de Akita, no Japão, com a irmã Agnes Katsuko Sasagawa: três mensagens em 1973 e 101 lacrimações de uma imagem de madeira. Em 1984, o bispo de Niigata reconheceu seu caráter sobrenatural. A Santa Sé não publicou juízo definitivo.

Akita é um dos casos marianos mais conhecidos do século XX e também um dos mais mal contados na internet. Circulam versões com datas trocadas, mensagens reescritas e uma suposta «aprovação do Vaticano» que nenhum documento oficial confirma. Este artigo reúne o que se pode afirmar com fonte identificável: a cronologia dos fatos, quem foi a irmã Agnes, o texto das mensagens tal como o próprio bispo diocesano o transmitiu, o estatuto eclesial exato e o modo católico de acolher uma revelação privada, sem medo e sem sensacionalismo.

O que aconteceu em Akita: a cronologia

Os fatos se passaram no convento do Instituto das Servas da Eucaristia, em Yuzawadai, nos arredores da cidade de Akita, no norte do Japão. O território pertencia, e pertence, à diocese de Niigata, cujo bispo era então D. John Shojiro Ito, que acompanhou o instituto desde a fundação. As datas abaixo seguem a carta pastoral de D. Ito, de 1984, e o relato publicado pela EWTN, conferidos com o Dicionário das aparições de René Laurentin e Patrick Sbalchiero.

  • 12 e 13 de junho de 1973: durante a adoração, a irmã Agnes vê raios de luz saindo do sacrário.
  • 28 de junho de 1973 (5 de julho, segundo o Dicionário de Laurentin): aparece na palma da sua mão esquerda uma ferida em forma de cruz, que sangra e causa dor intensa.
  • 6 de julho de 1973: primeira mensagem, ouvida a partir da imagem de Nossa Senhora da capela. No mesmo dia, a mão direita da imagem começa a sangrar.
  • 3 de agosto de 1973: segunda mensagem.
  • 29 de setembro de 1973: a imagem começa a transpirar um líquido de perfume suave.
  • 13 de outubro de 1973: terceira e última mensagem, no aniversário do milagre do sol de Fátima.
  • 4 de janeiro de 1975 a 15 de setembro de 1981: a imagem verte lágrimas 101 vezes. A última lacrimação cai na memória de Nossa Senhora das Dores.
  • 30 de maio de 1982: no domingo de Pentecostes, durante a bênção do Santíssimo, a irmã Agnes é curada da surdez total. Segundo Laurentin, foi a segunda etapa da cura, depois de uma primeira melhora a 13 de outubro de 1974.
  • 22 de abril de 1984: carta pastoral de D. Ito reconhecendo o caráter sobrenatural dos fatos e autorizando o culto na diocese.

Uma precisão útil: em sentido estrito, em Akita não há «aparições» visuais repetidas como em Lourdes ou Fátima. As mensagens foram percebidas como uma voz vinda da imagem, e os fenômenos mais estudados são físicos (sangue, suor e lágrimas da estátua). Por isso a carta do bispo fala de uma «série de acontecimentos misteriosos relativos à estátua».

Quem foi a irmã Agnes Sasagawa

Katsuko Sasagawa nasceu em 1931, numa família budista, e foi batizada depois do testemunho de uma enfermeira cristã, segundo a EWTN News. No instituto, adotou o nome religioso de Agnes (Inês). Trabalhava como catequista na igreja de Myoko-kogen, na diocese de Niigata, quando perdeu a audição. O médico que a examinou no hospital Rosai, em Joetsu, diagnosticou surdez total e incurável. Sem poder continuar a catequese, ela foi viver no instituto de Akita, em maio de 1973, semanas antes do início dos fatos.

D. Ito, que a conheceu por mais de dez anos, descreve-a na carta pastoral como uma mulher sã de espírito, franca e equilibrada, e afirma que as mensagens não lhe pareceram fruto de imaginação ou alucinação. A cura da surdez, anunciada já na primeira mensagem, foi atestada por certificado do mesmo médico de Joetsu, datado de 3 de junho de 1982.

A irmã Agnes morreu em Akita no dia 15 de agosto de 2024, solenidade da Assunção, aos 93 anos. Em 2019 ela relatou uma nova comunicação atribuída a um anjo. Essa comunicação é posterior à carta de 1984 e não foi objeto de nenhum juízo eclesial, por isso não a tratamos aqui como parte da mensagem reconhecida.

As três mensagens de Nossa Senhora de Akita

O texto mais seguro das mensagens é o que o próprio D. Ito reproduziu na carta pastoral de 1984. Os trechos abaixo são tradução nossa da versão inglesa dessa carta, publicada por Francis Mutsuo Fukushima e reproduzida pelo Miracle Hunter e pela EWTN. Circulam muitas versões em português com acréscimos e cortes, e até com as mensagens trocadas de data. Na dúvida, vale sempre a versão do bispo.

Primeira mensagem (6 de julho de 1973): oração e reparação

A primeira mensagem é pessoal e consoladora. Nossa Senhora chama a irmã de «minha filha, minha noviça», promete-lhe a cura da surdez («serás certamente curada») e pede: «Reza em reparação pelos pecados da humanidade». Recomenda a oração das Servas da Eucaristia, de consagração ao Coração de Jesus presente no Santíssimo Sacramento, e insiste: «Reza muito pelo Papa, pelos bispos e pelos sacerdotes».

Segunda mensagem (3 de agosto de 1973): consolar o Senhor

A segunda mensagem alarga o horizonte: «Muitos homens neste mundo afligem o Senhor. Procuro almas para consolá-lo». Fala da ira do Pai diante do pecado e da intercessão de Maria, que oferece ao Pai os sofrimentos do Filho na Cruz e o seu Sangue precioso. E indica o remédio: «A oração, a penitência, a pobreza honesta e os atos corajosos de sacrifício podem abrandar a ira do Pai celeste». À irmã, pede a fidelidade aos votos de pobreza, castidade e obediência.

Terceira mensagem (13 de outubro de 1973): o aviso condicional

A terceira mensagem é a mais citada e a que mais se presta a leituras alarmistas. Ela começa com uma condição: «Como te disse, se os homens não se arrependerem e não se emendarem, o Pai celeste infligirá um grande castigo a toda a humanidade». Fala de fogo caindo do céu e de grande sofrimento, e acrescenta: «As únicas armas que vos restarão serão o Rosário e o sinal deixado por meu Filho». A versão inglesa entende esse sinal como a Eucaristia, outras traduções falam do sinal da cruz.

A mensagem prevê também provações dentro da própria Igreja: «A obra do demônio vai se infiltrar até na Igreja», com cardeais se opondo a cardeais e bispos a bispos. E termina com um pedido concreto: rezar o Rosário todos os dias, pelos bispos e pelos sacerdotes. O próprio D. Ito sublinha o tom materno do texto, citando a frase: «O pensamento da perdição de tantas almas é a causa da minha tristeza».

Lida inteira, a terceira mensagem não é uma data marcada para o fim do mundo. É um apelo à conversão sob condição, no mesmo registro dos profetas: o anúncio do castigo existe para que ele não aconteça. O bispo chamou-a de «advertência séria», na qual se sente o amor materno da Mãe do céu.

As lágrimas da imagem: 101 lacrimações entre 1975 e 1981

A imagem de Akita é uma estátua de madeira de Nossa Senhora, conservada na capela do convento. Segundo a carta de D. Ito, o fenômeno mais evidente foi o fluxo de um líquido semelhante a lágrimas humanas, saindo apenas dos olhos da imagem, 101 vezes entre 4 de janeiro de 1975 e 15 de setembro de 1981. O bispo presenciou quatro lacrimações. Quanto às outras testemunhas, as fontes divergem: fala-se de mais de 500, e o Dicionário de Laurentin dá um total de cerca de 2000. Ele provou o líquido duas vezes e achou-o salgado.

O exame científico foi feito pelo professor Sagisaka, especialista em medicina legal da Faculdade de Medicina da Universidade de Akita, que, segundo o bispo, concluiu que o líquido era idêntico a lágrimas humanas. O mesmo professor examinou também o sangue da imagem, e o grupo sanguíneo indicado variou entre análises, o que gerou discussão, como regista Laurentin. D. Ito também descarta, na carta, a hipótese de que a irmã Agnes produzisse o fenômeno: houve lacrimações enquanto ela dormia e enquanto estava com a família, a 400 quilômetros de Akita.

A data da última lacrimação, a memória de Nossa Senhora das Dores, ajuda a ler o sinal. Simeão tinha anunciado a Maria: «καὶ σοῦ δὲ αὐτῆς τὴν ψυχὴν διελεύσεται ῥομφαία», «e a tua própria alma, uma espada a atravessará» (Lc 2,35). As lágrimas de Akita, para quem as acolhe, falam dessa dor materna diante do pecado, e não de curiosidade sobrenatural.

Akita é aprovada pela Igreja?

Sim, no nível diocesano, e é importante dizer exatamente em que termos. A aprovação veio do bispo local, que é a autoridade competente para julgar fatos desse tipo na sua diocese. A Santa Sé, até hoje, não publicou um juízo definitivo próprio sobre Akita.

A carta pastoral de D. John Shojiro Ito (22 de abril de 1984)

Na Páscoa de 1984, ao deixar o governo da diocese por limite de idade, D. Ito publicou uma carta pastoral sobre os fatos. Nela conta todo o percurso: em 1975 consultou em Roma a Congregação para a Doutrina da Fé, que lhe respondeu que o juízo cabia ao bispo local. Em 1976 uma primeira comissão de inquérito declarou que não estava em condições de provar o caráter sobrenatural dos fatos. Em 1979 ele pediu uma segunda comissão. Em 1981 chegou à nunciatura de Tóquio uma carta da Congregação desfavorável aos acontecimentos, que o bispo considerou baseada em mal-entendidos. Ele reexaminou o caso, enviou a Roma um dossiê completo e, em outubro de 1983, conversou com três responsáveis da Congregação.

A conclusão da carta tem dois pontos. O primeiro: «reconheço o caráter sobrenatural de uma série de acontecimentos misteriosos relativos à estátua da Santa Mãe Maria», sem encontrar neles nada contrário à fé e à moral católicas. O segundo: «autorizo, em toda a diocese, a veneração da Santa Mãe de Akita, enquanto se aguarda que a Santa Sé publique o juízo definitivo sobre esta matéria».

O mesmo bispo faz questão de lembrar que, ainda que a Santa Sé venha a dar um juízo favorável, «trata-se apenas de uma revelação divina privada», e que os cristãos só são obrigados a crer no conteúdo da Revelação pública, encerrada com a morte do último apóstolo.

A Santa Sé e o relato sobre o cardeal Ratzinger (1988)

Muitos sites afirmam que em junho de 1988 o cardeal Joseph Ratzinger, então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, teria declarado Akita «digna de fé» ou confirmado oficialmente a aprovação. Não existe decreto, carta ou nota da Congregação publicada com esse conteúdo. O que se tem são relatos indiretos, sobretudo o do diplomata filipino Howard Dee, embaixador junto à Santa Sé, segundo o qual o cardeal lhe teria dito em conversa que as mensagens de Fátima e de Akita são essencialmente as mesmas.

A formulação mais prudente, usada por agências católicas como a EWTN News e a ACI Prensa, é que em 1988 o cardeal Ratzinger deixou de pé o juízo de D. Ito, isto é, não o revogou. Isso é diferente de uma aprovação da Santa Sé. Desde 2024, as Normas do Dicastério para a Doutrina da Fé sobre o discernimento de supostos fenômenos sobrenaturais pedem que o Dicastério seja sempre consultado e aprove a decisão final do bispo. Não se conhece, até a data desta revisão, nenhum pronunciamento do Dicastério sobre Akita segundo essas normas.

Em resumo: o culto a Nossa Senhora de Akita é legítimo, porque foi autorizado pelo bispo competente e nunca revogado. Mas não é correto escrever que Akita foi «aprovada pelo Vaticano» ou «confirmada por Bento XVI».

Como a Igreja julga um caso como Akita

As normas de 1978, em vigor quando D. Ito decidiu

Quando D. Ito publicou a carta de 1984, a Congregação para a Doutrina da Fé seguia as normas aprovadas por Paulo VI em 1978. Elas mandavam ao bispo, primeiro, julgar o fato por critérios positivos e negativos e, se o exame fosse favorável, permitir algumas manifestações públicas de culto, vigiando-as com prudência:

«permittere aliquas manifestationes publicas cultus vel devotionis simulque super eas magna cum prudentia invigilare (quod aequivalet formulae «pro nunc nihil obstare»)». «permitir algumas manifestações públicas de culto ou de devoção e, ao mesmo tempo, vigiá-las com grande prudência, o que equivale à fórmula «por agora nada obsta»» (Congregação para a Doutrina da Fé, Normae de modo procedendi in diudicandis praesumptis apparitionibus ac revelationibus, 25.2.1978, AAS 104 (2012) 501).

Entre os critérios positivos, as normas pediam o equilíbrio psíquico, a honestidade e a docilidade da pessoa, a doutrina sem erro e frutos espirituais abundantes e constantes. Entre os negativos, o erro doutrinal, a busca de lucro, atos gravemente imorais e as doenças psíquicas ou a «hysterismus collectivus», a histeria coletiva (ibid., 502). A carta de D. Ito segue este caminho: fala da saúde de espírito da irmã Agnes, reconhece o caráter sobrenatural dos acontecimentos relativos à imagem e autoriza a veneração na diocese, aguardando o juízo da Santa Sé e sem impor a ninguém o assentimento de fé.

O que o processo de Akita teve de difícil

O Dicionário das aparições de René Laurentin e Patrick Sbalchiero, obra de consulta muito citada, conta um percurso mais acidentado do que o resumo habitual. A Conferência Episcopal do Japão nomeou uma comissão nacional, cujo perito principal explicou os fenômenos por uma hipótese parapsicológica. A comissão não substituía o juízo do bispo diocesano, a quem competia decidir. D. Ito não ficou satisfeito, também porque a irmã Agnes estava muitas vezes ausente quando a imagem chorava, foi duas vezes a Roma e, segundo Laurentin, obteve do cardeal Ratzinger a autorização para se pronunciar antes de deixar a diocese. O mesmo Dicionário acrescenta: «En juin 1988, le cardinal Joseph Ratzinger a déclaré ces événements dignes d’être crus par les fidèles», «em junho de 1988, o cardeal Joseph Ratzinger declarou estes acontecimentos dignos de serem acreditados pelos fiéis» (Laurentin e Sbalchiero, Dictionnaire des «apparitions» de la Vierge Marie, 2007, verbete «Akita»). Laurentin não indica o documento em que isso teria sido dito, e nenhum foi publicado. Por isso continua a valer a formulação prudente: o juízo de D. Ito nunca foi revogado.

Bento XVI: o que significa «aprovar» uma revelação privada

Em 2010, Bento XVI explicou o alcance exato de uma aprovação eclesiástica:

«Quocirca ecclesiastica privatae revelationis comprobatio essentialiter demonstrat eiusdem nuntium nihil continere quod a fide probisque moribus dissideat, licet eundem evulgare, atque fideles sinuntur eidem prudenter adhaerere». «Por isso, a aprovação eclesiástica de uma revelação privada indica essencialmente que a sua mensagem nada contém que contraste com a fé e os bons costumes, que é lícito torná-la pública e que os fiéis estão autorizados a aderir a ela com prudência» (Bento XVI, Verbum Domini 14, AAS 102 (2010) 696).

E deu o critério para ler qualquer mensagem: «Iudicium verumtamen veritatis cuiusdam privatae revelationis est eius ad Christum ipsum directio», «o critério da verdade de uma revelação privada é a sua orientação para o próprio Cristo» (ibid.). Em Akita, os sinais começam no sacrário e a cura da irmã Agnes acontece diante do Santíssimo. Esses elementos eucarísticos ajudam a ver a orientação da mensagem para Cristo, mas não substituem o exame doutrinal e prudencial da Igreja.

A profecia não é um calendário

Ao comentar o segredo de Fátima, em 2000, a Congregação para a Doutrina da Fé, então presidida pelo cardeal Ratzinger, deu a chave para mensagens como a terceira de Akita: «prophecy in the biblical sense does not mean to predict the future but to explain the will of God for the present, and therefore show the right path to take for the future», «a profecia, no sentido bíblico, não significa predizer o futuro, mas explicar a vontade de Deus para o presente e, por isso, mostrar o caminho certo para o futuro» (Congregação para a Doutrina da Fé, A Mensagem de Fátima, comentário teológico, 26.6.2000, versão inglesa oficial).

As normas de 2024

Desde 2024, o Dicastério para a Doutrina da Fé substituiu as normas de 1978. O bispo continua a examinar o caso, mas a sua conclusão tem de ser aprovada pelo Dicastério, e já não se declara, em regra, a origem sobrenatural de um fenômeno. As conclusões possíveis vão do Nihil obstat, em que, sem exprimir certeza sobre a autenticidade sobrenatural do fenômeno, se reconhecem muitos sinais de uma ação do Espírito Santo, até à Declaratio de non supernaturalitate. Não consta publicamente que Akita, julgada em 1984, tenha sido reexaminada segundo estas normas.

Como um católico deve acolher a mensagem de Akita

O Catecismo da Igreja Católica dá o critério: as revelações ditas privadas, mesmo quando reconhecidas pela autoridade da Igreja, «não pertencem ao depósito da fé. O seu papel não é «aperfeiçoar» ou «completar» a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar a vivê-la mais plenamente, numa determinada época da história» (CIC 67). Ninguém é obrigado a crer em Akita, e quem não crê não deixa de ser bom católico.

Ao mesmo tempo, a Escritura pede que não se despreze o que pode vir de Deus: «προφητείας μὴ ἐξουθενεῖτε· πάντα δὲ δοκιμάζετε, τὸ καλὸν κατέχετε», «não desprezeis as profecias, mas examinai tudo e retende o que é bom» (1Ts 5,20-21). Examinado à luz da fé, o que é bom em Akita é muito simples e muito tradicional:

  • a centralidade da Eucaristia, de onde partem os primeiros sinais e diante da qual se dá a cura da irmã Agnes,
  • a oração diária do Rosário,
  • a oração pelo Papa, pelos bispos e pelos sacerdotes,
  • a reparação pelos pecados, oferecendo a Deus os sofrimentos de cada dia,
  • a conversão pessoal como resposta à advertência.

Nada disso depende de previsões sobre catástrofes. Ler Akita como roteiro do fim do mundo, ou usar a frase sobre «cardeais contra cardeais» para julgar pessoas concretas na Igreja de hoje, é trair o tom da própria mensagem, que pede oração por bispos e sacerdotes e não acusação.

Akita e Fátima: o que as une

A terceira mensagem foi dada num 13 de outubro, aniversário do milagre do sol em Fátima (1917), e os temas se aproximam: oração do terço, penitência, reparação e o aviso de que a humanidade se perde quando se afasta de Deus. Por isso muitos autores leem Akita como um eco de Fátima. Mas há uma diferença de peso no estatuto eclesial: as aparições de Fátima foram reconhecidas pelo bispo de Leiria em 1930 e acolhidas de muitos modos pelos Papas, enquanto Akita permanece no nível de um reconhecimento diocesano. Para o quadro geral, veja o nosso guia das aparições marianas reconhecidas pela Igreja.

Referências

BENTO XVI. Verbum Domini. Acta Apostolicae Sedis, Città del Vaticano, v. 102, p. 696, 2010. N. 14.

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. A mensagem de Fátima: comentário teológico. 26 jun. 2000. Versão inglesa oficial (The Message of Fatima), Disponível em: https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20000626_message-fatima_en.html. Acesso em: 20 out. 2026.

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Normae de modo procedendi in diudicandis praesumptis apparitionibus ac revelationibus. 25 fev. 1978. Acta Apostolicae Sedis, Città del Vaticano, v. 104, p. 500-504, 2012.

DICASTÉRIO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Norme per procedere nel discernimento di presunti fenomeni soprannaturali. Cidade do Vaticano, 17 maio 2024. Disponível em: https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_ddf_doc_20240517_norme-fenomeni-soprannaturali_it.html. Acesso em: 20 out. 2026.

LAURENTIN, René e SBALCHIERO, Patrick (dir.). Dictionnaire des «apparitions» de la Vierge Marie. Paris: Fayard, 2007. Verbete «Akita».

Perguntas frequentes

O que é Nossa Senhora de Akita?

É o título dado à Virgem Maria a partir dos fenômenos ocorridos entre 1973 e 1981 num convento de Akita, no Japão, com a irmã Agnes Katsuko Sasagawa: três mensagens em 1973, ouvidas a partir de uma imagem de madeira de Nossa Senhora, e 101 lacrimações dessa imagem entre 1975 e 1981.

Nossa Senhora de Akita é aprovada pela Igreja?

Sim, no nível diocesano. Em 22 de abril de 1984, o bispo de Niigata, D. John Shojiro Ito, reconheceu o caráter sobrenatural dos fatos e autorizou o culto em toda a diocese, enquanto se aguardava o juízo definitivo da Santa Sé. A Santa Sé não publicou até hoje um juízo próprio sobre Akita.

O cardeal Ratzinger aprovou Akita em 1988?

Não existe documento oficial da Congregação para a Doutrina da Fé que aprove Akita. Há relatos indiretos, como o do embaixador filipino Howard Dee, de conversas em que o cardeal Ratzinger teria aproximado Akita de Fátima. O mais exato é dizer que em 1988 ele não revogou o juízo do bispo Ito.

Qual é a mensagem de Nossa Senhora de Akita?

São três mensagens de 1973. A de 6 de julho pede oração em reparação e pelo Papa, bispos e sacerdotes. A de 3 de agosto pede almas que consolem o Senhor pela oração, penitência e sacrifício. A de 13 de outubro adverte, sob condição, de um castigo se os homens não se converterem e recomenda o Rosário diário.

Quem foi a irmã Agnes Sasagawa?

Katsuko Agnes Sasagawa nasceu em 1931 numa família budista, converteu-se ao catolicismo e trabalhava como catequista quando ficou totalmente surda. Em 1973 foi viver no instituto das Servas da Eucaristia, em Akita. Foi curada da surdez em 30 de maio de 1982 e morreu em 15 de agosto de 2024, aos 93 anos.

O católico é obrigado a acreditar em Akita?

Não. Akita é uma revelação privada, e as revelações privadas não pertencem ao depósito da fé (CIC 67). O próprio bispo Ito lembrou isso na carta de 1984. O fiel pode acolher com proveito o que nela há de bom, como a oração do Rosário, a adoração eucarística e a reparação, sem obrigação de crer nos fenômenos.

Ver também: guia das aparições marianas, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora de Lourdes, o que é a mariologia e teologia mariana.

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