Nossa Senhora de Lourdes – uma história de amor

Oração Papa Francisco

Queridos irmãos,
Nos reunimos e celebramos a festa de Nossa Senhora de Lourdes, fazendo peregrinação com a alma e pedindo à Virgem uma graça muito grande: Mãe, ajuda-nos a ser uma comunidade que chega a todos. Ajude-nos a ser uma comunidade que vai ao encontro de todos, a sair ao encontro dos outros, mas também a sair e deixar-se encontrar, porque o encontro é recíproco, o encontro não é esmola, é caminhar juntos, fugir do “solitário” e do isolamento para estar junto com os outros, com os amigos, com a família, com o Povo de Deus, todos juntos rezando diante da Virgem.
Por isso pedimos à Virgem que nos ajude a ser comunidade. Mãe, ajuda-nos a ser comunidade, para que possamos nos unir como comunidade. O encontro é sempre abertura para os outros, o contrário do encontro é fechar o coração. Mãe, não tenhamos o coração fechado, porque o egoísmo é uma larva que come o coração por dentro.
Queridos irmãos e irmãs, junto-me a vocês nesta celebração, rezo por vocês e, por favor, peço que o façam por mim. E eu vos envio a minha bênção, que Jesus vos abençoe muitíssimo, e que a Virgem vos acompanhe pela mão. Boa festa

NOSSA SENHORA DE LOURDES

LOURDES – FRANÇA

Lourdes situa-se num vale pitoresco junto aos Pireneus chamada Tarbes-Lourdes desde o tempo de São Pio X. Em 1858 era habitada por apenas 4000 pessoas. Próximo do povoado encontramos a gruta de Massabielle, num lugar deserto junto ao rio. Uma menina de 14 anos, conhecida por ser muito boa, mas doente e claramente desprovida de instrução de nome Bernadette Soubirous (1844-1879) foi abençoada em 1858 com dezoito aparições da Santa Virgem Maria.

Primeira aparição (11 de fevereiro)

Com as três irmãs menores e outras meninas, a vidente tinha a intenção de recolher lenha nas margens do rio Gave; chegando nas proximidades da gruta de Massabiele junto ao rio ouviu um estranho barulho, e depois um outro até que viu uma Senhora, envolvida por luz sobrenatural. Bernadette assustou-se, mas contemplou a visão, a senhora inclinou a cabeça e sorriu-lhe; depois a menina estupefata viu a Senhora tomar o crucifixo do seu terço e com este fez sobre si o sinal da cruz. Então Bernadette depois de a ter observado entendeu que deveria recitar o terço como a Senhora. Quando terminou a oração, a aparição desapareceu, tinha durado menos de meia hora.

Segunda aparição (14 de fevereiro, domingo)

Depois do meio-dia, os meninos tinham contado à mãe sobre a aparição e queriam persuadi-la de andar com ela à Gruta. Bernadette queria fazer uma prova com a água benta para assegurar-se que era obra de Deus e não do demônio. Na realidade, foi até ao local com as irmãs e algumas amigas e levou consigo uma garrafa com meio litro de água benta. Ajoelharam-se no local onde tinha acontecido a aparição, Bernadette iniciou a recitação do Santo Rosário e eis que depois de poucos minutos teve uma outra visão, na qual atirou água benta dizendo: «Se vindes da parte de Deus, vos peço de permanecer e aproximar-vos, se não ide embora imediatamente», então a Senhora se aproximou e tornou-se cada vez mais presente, especialmente ao ouvir o nome de Deus e por causa da água benta. As acompanhantes da vidente a viram ficar branca e ‘cair’ no chão em êxtase profundo. Ninguém, para além de Bernadette, viu Nossa Senhora.

Terceira aparição (18 de fevereiro)

Por volta das 5h45 da manhã, a vidente acompanhada pela senhora Joana Maria Milet e pela jovem Peyret, entraram na Gruta e juntas rezam o Santo Rosário. Quando a Senhora apareceu, Bernadette entregou-lhe papel, caneta e tinteiro pedindo-lhe para escrever os próprios desejos. Então a Santa Virgem lhe disse: «Aquilo que te devo dizer não é necessário que eu o escreva… Queres fazer-me o favor de vir aqui ainda por catorze dias, eu não te prometo fazer-te feliz neste mundo mas no outro...». Nesta terceira aparição a Senhora falou pela primeira vez e se exprimiu em um dialeto local. Então Bernadette, prometendo-lhe regressar com o consenso da mãe, perguntou-lhe se as outras duas mulheres a poderiam acompanhar também no futuro. A esta pergunta a resposta da Senhora não se fez esperar e disse: «Eu quero ver aqui muita gente». Depois a luz se dispersou e a Senhora desapareceu.

Quarta aparição (19 de fevereiro)

Desta vez Bernadete apareceu acompanhada de mais de cem pessoas. A Santa Virgem apareceu então e se mostrou muito feliz pela vidente ter regressado, mantendo a promessa. Toda a multidão começou a recitar o Rosário. De forma improvisa todos tiveram a sensação que na Gruta fosse gerado um campo energético ardente. Neste momento a vidente começou a ouvir um coro de vozes, como se uma multidão de pessoas tivesse começado a gritar tremendo. Maria então, com um simples gesto orante levantou a cabeça e as vozes desapareceram. Eram os demônios que tentavam assediar aquele lugar e se submeteram a Maria.

Quinta aparição (20 de fevereiro)

Maria apareceu à vidente mas não falou.

Sexta aparição (21 de fevereiro)

Enquanto Bernadette se movia de joelhos pela Gruta e tinha o olhar fixado no horizonte, cheio de tristeza, lhe apareceu a Santa Virgem Maria. Também ela estava triste e tinha o olhar no horizonte, depois dirigiu-se a Bernadette e lhe disse: «reza pelas pobres almas e pelo mundo doente!». Desta vez foi testemunha do acontecido, pela primeira vez o doutor Dozous di Montpellier, que mais tarde, escreveu um precioso livro que continha as suas observações. Então a notícia das aparições se difundiu nas povoações circunvizinhas e acorriam ao lugar muitos devotos e curiosos. Todas as manhãs as pessoas que vinham ao local para assistir aos êxtases de Bernadette aumentavam.

Na tarde de 21 de fevereiro interveio o comissário da polícia Jacomet e interrogou a vidente. Por fim o seu Pai lhe proibiu de ir à Gruta. A 22 de fevereiro a vidente foi levada pelo fervor da multidão popular à Gruta, onde se ajoelhou para recitar o Rosário e começou a chorar; não aconteceu nenhuma aparição. O pai retirou a proibição à filha com grande desaprovação do comissário.

Sétima aparição (23 de fevereiro)

Maria Santíssima chamou pela primeira vez a vidente com o seu nome de batismo e ensinou a Bernadette uma oração secreta, e disse-lhe de não dizer a ninguém, que a menina devia recitar todos os dias. Nossa Senhora lhe comunicou também um segredo que não deveria revelar a ninguém. A Senhora então, que não tinha ainda declarado o seu nome disse a Bernadette: «agora, minha filha, vai ter com os padres, quero que seja erigida neste lugar uma capela».

O Padre Peyramale tinha nessa época já os seus cinquenta anos, combatente da justiça e da fé, mas ainda cético a respeito das supostas aparições. Bernadette o enfrentou entregando-lhe aquilo que Nossa Senhora tinha pedido. Num primeiro momento não quis acreditar nela, mas depois colocou como condição que a roseira junto à gruta deveria florir, este seria o sinal que as aparições não eram fruto de uma ilusão.

Oitava aparição (24 de fevereiro)

A menina ajoelhada sobre a pedra recitou o Santo Rosário, depois, sorriu ao terminar o primeiro mistério; por fim deixou cair os braços e soluçou enquanto se aproximava do roseiral de joelhos, até tocar a terra com lábios. Uma vez que chegou ao roseiral viu a Senhora e lhe disse as condições colocadas pelo Pároco. Ela não respondeu, mas, com uma voz muito séria, exprimiu o desejo que Bernadette rezasse pelos pecadores. Depois a Senhora entregou à vidente uma mensagem de penitência e oração: «Penitência! Penitência! Penitência! Rezai a Deus pela conversão dos pecadores! Beijai a terra em sinal de penitência pelos pecadores». A Santíssima Virgem perguntou a Bernadette se a enjoava beijar a terra, a vidente respondeu com a cabeça que não. O roseiral não floriu mas a fé das pessoas simples que estavam presentes não diminuiu. Antes pelo contrário, uma multidão de pessoas acreditou nas aparições daquele dia.

Nona aparição (25 de fevereiro)

Eram as 5h30 Bernadette beijou a terra debaixo da rocha e passando para entrar na gruta, deslocou os ramos do roseiral. Enquanto rezava ajoelhada, levantou-se, parecia incerta e absorvida como se ouvisse uma voz, depois curvou-se e colocou-se a escavar a terra e fez um buraco que logo se encheu de água. Naquele momento a vidente parou, ouviu uma voz que lhe dava instruções, tomou um pouco de erva, levou à boca para a comer. Bernadette mais tarde explicaria aos familiares que foi levada por Nossa Senhora a fazê-lo quando lhe apareceu e que lhe tinha confiado outro segredo. Para além disso a Senhora tinha dito: «Comereis daquela erva ali… andai a beber da fonte e a lavar-vos». Após a descoberta miraculosa da nova fonte, chegou na caverna uma multidão de pessoas, muitos banharam alguns panos naquela água. A fonte, não prevista dos estudiosos, teve desde o primeiro dia um jorrar de cento e vinte mil litros a cada 24 horas sem secar. O número dos visitantes, curiosos e peregrinos aumentou de dia para dia e os que acreditavam não cessaram de afluir falando do milagre da Virgem. No dia 26 de fevereiro não aconteceu nenhuma aparição, contudo, verificou-se uma cura milagrosa: o pedreiro Bouriette foi curado de uma doença nos olhos lavando-se na fonte. Como forma de reconhecimento, os pedreiros da região colocaram-se espontaneamente a abrir um caminho entre as rochas de forma a que o acesso fosse mais cômodo para chegar à Gruta.

Décima aparição (24 de fevereiro)

Bernadete se ajoelhou no posto habitual depois de ter feito o sinal da cruz e ter bebido na fonte. A vidente depois da habitual oração do Rosário saudou a Senhora e a convidou a fazer penitência e a rezar pelos pecadores. Depois disse-lhe: «Beija a terra pela penitência dos pecadores». Bernadette fez o sinal às pessoas para fazerem o mesmo que ela fazia. Na tarde daquele mesmo dia, a vidente foi submetida a um severo interrogatório conduzido pelo procurador imperial e outros investigadores. O interrogatório não teve nenhum resultado: a menina disse que no dia seguinte regressaria à Gruta.

Décima primeira aparição (28 de fevereiro)

Muitos soldados, enviados pelo procurador, foram apresentados na aparição, e permaneceram profundamente impressionados: Nossa Senhora convidou novamente a rezar pelos pecadores, repetindo as palavras e os gestos de 24 de fevereiro. Logo depois, Bernadette dirigiu-se à Igreja para rezar.

Décima segunda aparição (1º de março)

Uma conhecida tinha emprestado a Bernadette o seu rosário, quando o tomou para levá-lo à fronte e fazer o sinal da cruz, enganou-se pensando ser o seu rosário mas era o outro. Então a Senhora lhe disse: «enganaste-te, não é o teu». Nesse momento a vidente entendeu que a Senhora não gostava que Bernadette rezasse o rosário por um terço que não fosse o seu. Antes do final dos quinze mistérios a Senhora tinha confiado um total de três segredos a Bernadette com esta explícita recomendação: «Proíbo-te que o contes a alguém»

Décima terceira aparição (2 de março)

A Senhora ofereceu aos fiéis uma preciosa missão por meio de Bernadette com esta explícita recomendação: «Ide dizer aos Padres que venham aqui em procissão e que construam uma capela».

Décima quarta aparição (3 de março)

A Santíssima Virgem, que não se mostrou no local habitual, apareceu a Bernadette no final da manhã e renovou o pedido de uma capela.

Décima quinta aparição (4 de março)

Estavam na gruta cerca de vinte mil pessoas. Bernadette estática permaneceu com os olhos fixos em alguém, depois comeu erva. A aparição silenciosa depois desapareceu. Bernadette primeiro sorriu, depois ficou triste, fez o sinal da cruz, apagou a vela e retomou o caminho para regressar a casa. Era às oito. A aparição teria durado mais do que 45 minutos. No final de tarde desse mesmo dia, um menino de doze anos que foi lavado na água daquela fonte ficou miraculosamente curado; se tratava de Jean Bouhorts que morreu passados 79 anos. Sobre este dia a vidente mais tarde afirmaria: «estava triste, porque Ela estava triste, sorria porque Ela sorria, me dizia diversas vezes que era necessário rezar pela conversão dos pecadores, então eu ficava triste».

Décima sexta aparição (25 de março – festa da Anunciação)

Bernadette chegou à Gruta no início da manhã, encontrou a Senhora circundada por um clarão de luz celeste já à sua espera. A vidente começou a recitar como de costume o Rosário e pediu à Senhora qual era o seu verdadeiro nome, não teve nenhuma resposta. Apenas quando perguntou pela quarta vez, a Senhora, tomando um aspecto solene e ao mesmo tempo humilde, reuniu as mãos, levou-as à altura do peito, olhou para o céu e depois reabriu-as e as estendeu em direção a Bernadette, e por fim disse com um frêmito na voz: «eu sou a Imaculada Conceição!». A vidente não sabendo o significado deste termo, mas querendo perguntar se não seria também a Mãe de Deus, ainda tentou perguntar mas a Senhora tinha já desaparecido.

Esta aparição durou cerca de uma hora. Tal frase foi para Bernadette incompreensível, apesar disso ela a repetiu às pessoas que exclamaram com um fragor de alegria. A menina correu para dizer ao Pároco Peyramale, repetindo as palavras ao longo do caminho, pois desconhecia o seu significado. Quando se apresentou perante o pároco este perguntou-lhe: «A Senhora não será a Beatíssima Virgem?» Bernadette respondeu: «Não, penso que não, é a Imaculada Conceição». Assim que ouviu pronunciar tais palavras o pároco se convenceu da autenticidade de tal aparição pois Bernadette não tinha nenhum modo de saber aquele nome. Uma Senhora instruída explicou à vidente o que significava aquele nome, naquele momento a vidente teve então a certeza que a Senhora era a Virgem Maria.

Décima sétima aparição (7 de abril)

Eram as cinco da manhã. Bernadette estava já de joelhos e recitava o Rosário, na mão direita tinha o terço e na esquerda uma vela acesa. Entrando em contemplação não moveu a mão, nem sequer quando a vela se tinha consumado começando a arder nas suas mãos. O doutor Dozous, que estava com ela, notou este fenômeno que durou cerca de 15 minutos. A vidente assistiu à aparição e depois, sempre em êxtase e de joelhos, avançou para o interior da Gruta, e por fim deslocando as mãos e fazendo cessar a ação da chama dentro da sua mão esquerda, esta não se tinha queimado. Estes em particular foram testemunhados pelo doutor que verificou que depois de quinze minutos com a chama na mão esquerda a pele não tinha sofrido nenhuma alteração e que Bernadette depois da aparição era sensível ao calor da chama. Depois deste clamoroso milagre a polícia fechou o acesso à gruta com barricadas de madeira e declarou a água normal sem algum poder curativo e Bernadette foi considerada ‘fora de si’.

Décima oitava aparição (16 de julho)

Era a festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo, Bernadette muito cedo celebrou a eucaristia e comungou. De tarde se deslocou novamente à Igreja, quando se sentiu chamada e exortada a ir até à Gruta dos Milagres. Assim fez, até onde era possível chegar e se ajoelhou sobre a margem do rio Gave, junto às barricadas que não permitiam o acesso à gruta. Nesta posição começou a rezar, de modo imprevisto viu a Virgem Maria, para além das barreiras que ligavam a Gruta. Era a mais bela de sempre e lhe sorria, pouco depois desapareceu silenciosamente tal como tinha aparecido.

Em todas estas aparições as mensagens não foram longas e muitas vezes os encontros foram completamente silenciosos. Depois destes acontecimentos miraculosos, a 28 de julho, o Bispo de Tarbes, Bertrand Severo Laurence, constituiu uma comissão eclesiástica para indagar sobre os acontecimentos de Lourdes e anunciou isto numa longa carta pastoral dirigida ao clero e aos fiéis da diocese. O procedimento canônico durou quatro anos e foi muito escrupuloso.

Todos os entrevistados apresentaram ao bispo o parecer unânime sobre a autenticidade das aparições.

O Bispo neste sentido assim escreveu no artigo 1º da declaração de autenticidade: «Nós julgamos que a Imaculada Maria Mãe de Deus realmente apareceu a Bernadette Soubirous a 11 de fevereiro 1858 e por dezoito vezes, na Gruta de Massabielle próxima da povoação de Lourdes; julgamos que esta aparição tenha todas as características da verdade e possa ser retida certa por parte dos fiéis…».

No final de setembro de 1858, o filho do Imperador Napoleão III ficou gravemente doente, a dama da corte lhe pediu para comer a erva da Gruta e pouco tempo depois ficou curado. Então o imperador ordenou que aquele lugar fosse reaberto como lugar miraculoso.

Em 1866 Bernadette entrou na congregação das Irmãs da Caridade e da Instrução Religiosa onde permaneceu treze anos entre incompreensões dos superiores, sofrimentos e humilhações.

Em 1876 do convento de Nervers tinha escrito a Pio IX uma carta que tinha sido levada para Roma pelo Bispo Nervers, na qual dizia: «parece-me que do Céu da Beata Virgem deva frequentemente olhar para Vós de forma materna, porque Vós, Santíssimo Padre, a haveis proclamada Imaculada. Gosto de pensar que sois particularmente amado desta boa mãe que, há quatro anos atrás, me veio dizer pessoalmente: ‘Eu sou a Imaculada Conceição’

Bernadette adormeceu para a eternidade a 16 de abril de 1879. 

O seu corpo permanece ainda hoje incorrupto. 

Foi beatificada em 1925 e canonizada em 1933.

Locus Mariologicus

11 de fevereiro, 2023

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