Juan Pablo II – apud crucem, cum María (Carta del Jueves Santo de 1988): sacerdocio y maternidad espiritual de María
A Carta de Quinta-feira Santa de 1988 do Papa São João Paulo II aos sacerdotes, intitulada «Apud crucem cum Maria» (Junto à cruz com Maria), é uma das reflexões mais profundas do magistério sobre a relação entre o sacerdócio ministerial e a maternidade espiritual de Maria. Publicada em 25 de março de 1988 (festa da Anunciação) durante o Ano Mariano (1987-1988). O texto está disponível no Enchiridion Vaticanum, volume 11, parágrafos 255-282.
| Coleção | Enchiridion Vaticanum, vol. 11, parágrafos 255-282 |
| Papa | São João Paulo II |
| Documento | Carta aos Sacerdotes para a Quinta-feira Santa de 1988 |
| Data | 25 de março de 1988 (festa da Anunciação, durante o Ano Mariano) |
| Fonte | AAS (edição incerta, vol. 11) |
Texto latino, n. 264: Maria, a Theotokos da Igreja
Beata autem Virgo divinae maternitatis dono et munere, quo cum Filio redemptore unitur, … etiam cum ecclesia intime coniungitur, praedicat concilium pergitque «Deipara est ecclesiae typus, ut iam docebat s. Ambrosius, in ordine scilicet fidei, caritatis et perfectae cum Christo unionis. In mysterio ecclesiae, quae et ipsa iure mater vocatur et virgo, beata virgo Maria praecessit, eminenter et singulariter tum virginis tum matris exemplar praebens».
Tradução portuguesa, n. 264
«A bem-aventurada Virgem, pelo dom e dever da divina maternidade, que a une com o Filho redentor, … é também intimamente unida com a Igreja», proclama o Concílio. «A Mãe de Deus é figura da Igreja, como já ensinava Santo Ambrósio, na ordem ou seja da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo. Pois no mistério da Igreja, que também é justamente chamada mãe e virgem, a bem-aventurada Virgem Maria precedeu, apresentando-se de modo eminente e singular como exemplar tanto de virgem quanto de mãe».
n. 265: «Apud crucem in calvariae loco»
Latino: Apud crucem in Calvariae loco Mariam «accepit… discipulus in sua» sibi nempe a Christo demonstratam verbis iis: «Ecce mater tua». Concilium autem docet magisterium quantopere ecclesia universa Mariam «in sua» susceperit, quam penitus etiam huius matris virginis mysterium ad ecclesiae pertineat mysterium intimamque eius veritatem.
Português: Junto à cruz no lugar do Calvário «o discípulo recebeu Maria em sua casa», indicada por Cristo com as palavras: «Eis a tua mãe». O ensinamento do Concílio mostra quanto a Igreja inteira recebeu Maria «em sua casa». Quanto profundamente o mistério desta mãe-virgem pertence ao mistério da Igreja, à sua íntima realidade.
O sacerdócio e a maternidade espiritual de Maria, n. 280
Latino: Praedicat concilium Mariam in fidei peregrinatione procedentem suam per coniunctionem cum Filio perfectam ad crucem usque anteire eminenter ac singulariter sese praemonstrantem omni Dei populo, qui eadem progrediens via Christum sectatur in Spiritu sancto. Nonne proin cum ea nos uti ecclesiae pastores presbyteri coniungamus insigniter oportet, quippe qui communitates etiam nobis creditas perducere debeamus eam per semitam quae a cenaculo pentecostes Christum sequitur totam per hominis historiam?
Português: Proclama o Concílio que Maria, avançando na peregrinação da fé, pela sua perfeita união com o Filho até à cruz precede o caminho, apresentando-se de modo eminente e singular a todo o povo de Deus que avança pela mesma via seguindo Cristo no Espírito Santo. Não deveríamos pois nós, sacerdotes pastores da Igreja, unir-nos a ela de modo sublime, já que devemos conduzir as comunidades a nós confiadas pelo caminho que do Cenáculo do Pentecostes segue Cristo através de toda a história humana?
O Magnificat e o sacerdócio, n. 281
Latino: Eucharistiam ita celebrantes tot apud altaria per orbem disseminata, gratias sacerdoti referamus aeterno de munere nobis quod ipse in sacerdotii contulit sacramento. Et in hac gratiarum actione voces similiter audiantur quas evangelista in ore Mariae collocat consobrinam invisentis Elisabeth: «fecit mihi magna, qui potens est, et sanctum nomen eius» (Lc 1,49).
Português: Celebrando assim a Eucaristia em tantos altares espalhados pelo mundo, demos graças ao Sacerdote eterno pelo dom que ele nos conferiu no sacramento do sacerdócio. E nesta ação de graças ouçam-se igualmente as vozes que o evangelista coloca na boca de Maria visitando a sua prima Isabel: «Fez em mim grandes coisas Aquele que é poderoso, e o seu nome é santo» (Lc 1,49).
Significado pastoral
A Carta de Quinta-feira Santa de 1988 sintetiza três temas principais:
- Sacerdócio ministerial, como continuação da Última Ceia
- Maternidade espiritual de Maria, como recebida pelo discípulo amado ao pé da Cruz
- Ano Mariano 1987-1988, integrando os dois temas anteriores
O texto é modelo de leitura ortodoxa do Lumen Gentium cap. VIII para a vida sacerdotal, prelúdio do que será Pastores Dabo Vobis (1992).
Herança
A Carta inicia uma tradição que continua até Francisco: cada Quinta-feira Santa, o Papa dirige uma carta aos sacerdotes do mundo, frequentemente com tema mariano. João Paulo II foi mais consistente, escreveu uma carta de Quinta-feira Santa em cada um dos seus 26 anos de pontificado (1979-2005).
Leitura complementar
Lumen Gentium | Pastores Dabo Vobis | Ano Mariano 1987-1988 | Salvifici Doloris
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