Why is May dedicated to Mary?

Porque mês de maio é mês de Maria?

# O Mês de Maio Consagrado a Maria: Uma Jornada Histórica

## Origens Antigas no Egito e Oriente

A celebração mariana tem suas raízes profundas na história, tendo se originado primeiro no Oriente e depois se espalhado pelo Ocidente. Não se trata de uma questão de séculos, mas sim de milênios. No Egito, entre os séculos VI e VII, já existia a liturgia diária do mês Kiatk (de 10 de dezembro a 8 de janeiro), dedicada à preparação para o Natal e ao louvor à Virgem Maria.

Esta liturgia era composta por quatro partes:

![Imagem ilustrando uma escultura da Virgem Maria cercada por um manto de flores](https://locusmariologicus.org/wp-content/uploads/2024/03/Garland-of-Flowers-surrounding-a-Sculpture-of-the-Virgin-Mary-Thomas-Willeboirts-Bosschaert-1645-scaled-e1709850339281.jpg)

– Um canto poético louvando a Mãe de Deus;
– Um salmo de louvor à Virgem;
– Uma paráfrase de palavras e episódios bíblicos sobre Maria;
– Um comentário com aplicações à vida cristã.

No século XI, o jejum foi adicionado ao louvor mariano para lembrar as perseguições que Maria teria sofrido no último mês de gravidez devido às línguas maldosas, intensificando seu desejo pelo nascimento de Jesus.

Para os cristãos egípcios, o mês mariano é dezembro, enquanto para os gregos se torna agosto. O mês mariano bizantino é centrado na festa da Assunção ou Dormição, dividindo-o em quinze dias de preparação e outros tantos de celebração.

## A Tradição Ocidental: Philippe de Harveng e Annibale Dionigi

Na tradição ocidental, dois nomes se destacam como marcos históricos do mês de Maria: Philippe de Harveng (falecido em 1183) e Annibale Dionigi (1646). Eles desempenharam papéis cruciais na promoção e formalização da devoção ao mês mariano.

Not for liturgical reasons, as in Egypt or Constantinople, but for reasons of natural and affective order, the celebration of May as the month of flowers and the beginning of new life dates back to pre-Christian times. In ancient Greece, May was dedicated to Artemis, who, among other things, was the goddess of vegetation and fertility. In Rome, Flora, the deity of plants, especially the flowering of grains, was revered. In her honor, at the end of April or beginning of May, the Ludi Florales took place, interceding for all that flourished.

During the Middle Ages, this tradition continued with the expulsion of winter or the introduction of spring. The first day of May long retained its significance as the start of growth, a day of luck when the earth sent forth its fruits upward. The connection to vegetation remained for this day and then for the entire month. May has been considered since ancient times as the time of flowering and brilliancy of nature. As a transitional phase to later Marian devotion, the consecration of an entire month to Mary emerged, which eventually led to the special Marian devotion in this month.

One of the earliest evidences of Marian devotion in May comes from King Alfonso X, King of Castile (d. 1284). Among his 428 *Cantigas de Santa Maria* (Songs of Saint Mary) he composed, is found the song Mayo Ben vennas, May. Here, the greeting of May is combined with praise and supplications to Mary:

Bem-vindo, Maio, e com alegria.
Por isso roguemos a Santa Maria
Que ao seu Filho rogue todos os dias
Para que ele nos guarde de erro e de loucura.
Bem-vindo, Maio.
Bem-vindo, Maio, e com alegria.
Bem-vindo, Maio, com toda saúde.
Por isso roguemos à de grande virtude
Que a Deus rogue que nos ajude sempre
Contra o demônio e disso nos proteja.
Bem-vindo, Maio, e com alegria.
Bem-vindo, Maio, e com lealdade.
Por isso roguemos à de grande bondade
Que sempre tenha misericórdia de nós
E nos guarde de toda maldade.
Bem-vindo, Maio, e com alegria.
Bem-vindo, Maio, com muitas riquezas.
E nós roguemos à que tem nobrezas
Em si muito grandes, que nos livre de tristezas
E nos defenda de aflições e dores.
Bem-vindo, Maio, e com alegria.
Bem-vindo, Maio, coberto de frutas.
E nós roguemos à que sempre dá
Às suas mercês em muitas coisas,
Para nos defender do demônio e suas lutas.
Bem-vindo, Maio, e com alegria.
Bem-vindo, Maio, com bons sabores.
E nós roguemos e damos louvores
À que sempre por nós pecadores
Roga a Deus, que nos guarde de dores.
Bem-vindo, Maio, e com alegria.
Bem-vindo, Maio, com vacas e touros.
E nós roguemos à que nos tesouros
De Jesus Cristo é, que aos mouros
Logo confunda, e brancos e loiros.
Bem-vindo, Maio, e com alegria.
Bem-vindo, Maio, alegre e sem sanha.
E nós roguemos à quem nos ganha
Bem de seu Filho, que nos dê tamanha
Força, que saiam os mouros da Espanha.
Bem-vindo, Maio, e com alegria.
Bem-vindo, Maio, con muitos gãados.
E nós roguemos à que os pecados
Faça que nos sejam de Deus perdõados,
Que de seu Filho nos faça privados.
Bem-vindo, Maio, e com alegria.
Bem-vindo, Maio, con bão verão.
E nós roguemos à Virgem do chão
Que nos defenda de homem muito vilão
E de atrevido e de torpe caluniador.
Bem-vindo, Maio, e com alegria.
Bem-vindo, Maio, con pan e con vo.
E nós roguemos à que Deus menino
Trouxe em seus braços, que nos dê camo
Para que sejamos com ela em festim.
Bem-vindo, Maio, e com alegria.
Bem-vindo, Maio, manso e não irado.
E nós roguemos à que nosso escudo
É, que nos guarde de louco atrevido
E de homem mau e desconhecido.
Bem-vindo, Maio, e com alegria.
Bem-vindo, Maio, alegr’ e fremoso.
Por isso à Mãe do Rei glorioso
Roguemos que nos guarde do nocivo
Homem e de falso e de mentiroso.
Bem-vindo, Maio, e com alegria.
Bem-vindo, Maio, con bõos manjares.
E nós roguemos em nossos cantares
À Santa Virgem, diante dos seus altares,
Que nos defenda de grandes pesares.
Bem-vindo, Maio, e com alegria.

# Devotion to Mary in May: A Historical Overview

In Toulouse during the 14th century, Provençal floral games held on May 1st featured poems praising Mary. Jesuit Jakob Balde (d. 1668) also composed an ode to Mary on May 1st, 1641, depicting her entrance into nature as springtime. The Dominican blessed Heinrich Suso (d. 1365), deeply devoted to the Virgin, dedicated the floral season of spring annually to Mother Mary. His influence was followed by Benedictine Wolfgang Seidl (d. 1562), who, in his booklet ‘Spiritual May’, responded to pagan festivals by proposing special tributes to Jesus and Mary.

Beyond specific dates and Marian devotion, there exists a unique form of Marian devotion spanning 30 or 31 days. For instance, the 30-day period between August 15th (Assumption) and September 14th (Exaltation of the Cross), chosen as a model for the celebration of Marian devotion in May.

During the Baroque era, indications emerge of practices dedicated to Mary for an unspecified month. This month was not tied to any calendar date, allowing for Marian devotions of 30 or 31 days to commence at any time. Jesuit Johannes Nadasi (d. 1679) illustrated this in his work ‘Theophilus Marianus’ (1664), proposing 31 Marian exercises without mentioning May.

A codex preserved in San Domenico di Fiesole describes the actions of Dominican novices in 1676: upon the arrival of Calendimaggio, they celebrated Mary with songs and floral offerings, following the example of their contemporaries who sang to their brides. This custom later extended to all days of May. Perhaps a transition from 31 days to May as the month for this devotion can be traced through Capuchin Laurentius von Schnüffis (d. 1702) in his work ‘Mirantische Mayen-Pfeiff’ (Flauta de Maio de Mirantis), where he transposes the image of spring to Mary: Mary is the spring of grace after the winter of destruction.

## The Universal Spread of Marian Devotion in May: Paul VI’s *Mense Mayo* (1965) and Modern Liturgical Reception

The greatest impetus for May as a Marian month came from 18th-century Jesuits. One notable figure was Father Annibale Dionisi of Verona, who published ‘The Month of Mary’ in 1725, outlining the elements that would solidify the Marian month: prayer (including the Rosary and litanies), contemplation, virtue offerings, and jaculatory prayers.

In 1785, the first edition of ‘The Month Dedicated to the Great Mother of God’ was released in Ferrara by Jesuit theologian Father Alfonso Muzzarelli (d. 1813). He proposed sending this booklet to all Italian bishops for implementation in their dioceses. The practice gained widespread adoption, becoming prevalent in nearly every Catholic parish worldwide by the mid-19th century.

This work recognized the spiritual fruits borne by the celebration of the Marian month:

  • instruction in the truths of faith,
  • religious experience within popular songs and solemn rites,
  • encountering communal prayer with Mother of God,
  • growth in trust in Mary,
  • formation of will in the daily commitment’s realization.

May, the Month of Mary, and Flowers: The Symbolic Spring, the Song of Songs (Ct 2:11-12), and Nature Tradition

# A Primavera e a Veneração de Maria

A primavera inicia-se no dia 21 de março, marcando o florescimento da natureza não apenas no hemisfério norte, mas em todo o mundo a partir de maio. Historicamente, a veneração de Maria ocorria em qualquer data por um período de trinta dias consecutivos, como se via na Idade Média, onde a devoção a Maria era comum em maio, embora não necessariamente durante todo o mês.

Com o tempo, diversas formas de devoção mariana na primavera concentraram-se no mês de maio, tornando-o o mês mariano por excelência. Maio, com sua beleza e flores, parecia naturalmente adequado para tal dedicação. Além disso, a escolha de maio foi influenciada pelo fato de que esse mês não possuía uma festa mariana própria, oferecendo assim a oportunidade de ser voluntariamente dedicado a Maria.

## A Escolha de Maio

A obra *Marianische Maiandacht oder der Verehrung Mariens gewidmeter Mai-Monat* (Devoção mariana de maio ou o mês de maio dedicado à veneração de Maria), publicada em Regensburg em 1839, destaca: “Quando se escolhe sempre o mais belo, o melhor e o mais agradável para um sacrifício, então ao mês de maio, o mais belo dos meses, é concedida a preferência.”

## Evolução da Devoção de Maio

A celebração da devoção de maio geralmente abrange todo o mês, integrando-se às devoções mensais que surgiram no século XIX, como a devoção ao Sagrado Coração de Jesus em junho e o rosário em outubro. A partir da segunda metade do século XIX, o mês de maio tornou-se a forma mais significativa de devoção mariana, com pedidos de fiéis para sua introdução. Muitos bispos demonstraram seu apoio através da participação ativa nas celebrações.

O impulso decisivo para a devoção de maio veio com a dogmatização da Imaculada Conceição em 1854. Em várias dioceses, o dogma foi oficialmente proclamado em maio do ano seguinte, muitas vezes em conexão com as celebrações do mês. Eventos políticos e eclesiásticos notáveis frequentemente serviam como justificativa para destacar o mês de maio, como durante as duas Guerras Mundiais.

Durante a Primeira Guerra Mundial, o Papa Bento XV ordenou, em 1915, que no mês de maio fosse feita uma oração pela paz, escrita por ele mesmo. O mês de maio foi novamente recomendado durante a Segunda Guerra Mundial, com o Papa Pio XII convocando os fiéis, em 1939, a orar e praticar devoções especiais em maio pela paz entre as nações.

## O Problema Litúrgico do Mês de Maio

Atualmente, a questão litúrgica relevante é como conciliar a devoção de maio com o período pascal de cinquenta dias, enfatizado pelo Concílio Vaticano II. A cadência das semanas da Páscoa se estende até aproximadamente maio, e o Concílio deseja que o ano litúrgico seja organizado para preservar o caráter original desses tempos (Concílio Vaticano II, *Sacrosanctum Concilium*, 107).

As Normas Universais do Ano Litúrgico e o novo Calendário Romano Geral determinam claramente: “Os cinquenta dias entre o domingo da Ressurreição e o domingo de Pentecostes devem ser celebrados com alegria e exultação, como se fossem um só dia de festa, ou melhor, como um grande domingo” (n. 22).

Uma simples devoção a Maria, como praticada tradicionalmente em maio, não pode atender a essa exigência, ofuscando o tema pascal dessas semanas. Para uma renovação adequada das devoções de maio, é necessário considerar que o período pascal é a magnitude fundamental, e assim, se maio abrange aproximadamente esse período, a piedade mariana associada deve estar alinhada com o tema pascal. O tema pascal não deve ser subordinado ou adiado em relação ao mês de maio e sua piedade.

## Renovação da Devoção de Maio

Após um período de crise após o Concílio Vaticano II, o mês de maio tem experimentado um renascimento. Isso é evidenciado pelo aumento de publicações sobre o assunto. Mesmo com uma especial ênfase no Advento como tempo adequado para o culto à Mãe do Senhor (Exortação Apostólica *Marialis Cultus*, 1974), os cristãos contemporâneos podem se beneficiar de uma celebração renovada do mês de maio.

Essa renovação não deve ser uma repetição passiva do passado, mas uma reinterpretação conforme as orientações do Concílio Vaticano II (*Lumen Gentium*, 1964; *Marialis Cultus*, 1974; *Diretório sobre a piedade popular e a liturgia*, 2002). A celebração do mês mariano deve ser mais bíblica, harmonizada com a liturgia, destacando a participação da Virgem no mistério pascal e em Pentecostes, mais cristocêntrica e eclesial, e atenta aos desafios do mundo contemporâneo.

Acima de tudo, o mês mariano deve preservar e intensificar seu caráter orante, proporcionando uma experiência religiosa de Deus revelado através da oração fervorosa a Maria e com Maria, pessoa viva e glorificada, mãe e modelo da Igreja.

O magistério de Paulo VI, no documento *Marialis Cultus*, valoriza as práticas devocionais marianas ao longo do ano litúrgico, reforçando a importância da devoção a Maria em todos os períodos do ano.

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