“Blessed are those who have not seen and yet believed”: Mary, icon of faith in divine mercy.

«Bem-aventurados os que não viram e creram»: Maria, ícone da fé na divina misericódia.
# Meditação mariológica a partir das leituras do Domingo da Divina MisericórdiaO segundo Domingo de Páscoa, conhecido como Domingo da Divina Misericórdia, celebra o “oitavo dia” da criação redimida, um dia que transcende a semana e nos leva à eternidade. O Evangelho deste dia (Jo 20,19-31) narra dois encontros do Ressuscitado com os discípulos: o primeiro no domingo da Ressurreição, quando Tomé estava ausente, e o segundo oito dias depois, com Tomé presente. A beatitude final, “Bem-aventurados os que não viram e creram” (Jo 20,29), destaca a natureza da fé pascal e revela Maria como o modelo supremo desta fé.## I. A primeira leitura: At 4,32-35 e a comunhão de bens na Igreja nascenteA liturgia do Domingo da Divina Misericórdia inicia-se com uma descrição da comunidade de Jerusalém: “A multidão dos fiéis tinha um só coração e uma só alma. Ninguém chamava seu o que possuía, mas tudo lhes era comum” (At 4,32). Esta unidade e partilha total, conhecida como *koinonia*, é um modelo para a tradição mariológica, especialmente na família de Nazaré. Maria viveu em perfeita *koinonia* com o Filho e José, demonstrando uma fé que não necessitava de ver para crer.## II. O evangelho: Jo 20,19-31 e a fé de Tomé e MariaO episódio de Tomé é um dos mais contemplados na tradição cristã. Ele declara: “Se não vir as marcas dos pregos nas suas mãos… não acreditarei” (Jo 20,25). O Ressuscitado, após oito dias, permite que Tomé toque suas feridas, dizendo: “Mete aqui o teu dedo e vê as minhas mãos… Não sejas incrédulo, mas fiel” (Jo 20,27). A fé de Tomé é um reflexo da fé de Maria, que acreditou sem ver.## III. Divina misericórdia e Maria: “a que mais profundamente conhece o mistério”A devoção à Divina Misericórdia está intimamente ligada à figura de Santa Faustina Kowalska e à sua visão espiritual. João Paulo II, na encíclica *Dives in Misericordia*, afirma que Maria “conhece mais completamente do que qualquer outra criatura o mistério da misericórdia divina” (n. 9). Este conhecimento é profundo e pessoal, pois Maria viu o Filho ser rejeitado, açoitado e crucificado, e ainda assim manteve sua fé.## IV. A oitava completa: Maria e o “oitavo dia” eternoO termo “*oitavo dia*”, usado para descrever o Domingo da Páscoa e, por extensão, o Domingo da Divina Misericórdia, simboliza a eternidade que transborda a semana histórica. Basílio de Cesareia escreveu: “O Senhor chama oitavo o dia que nenhum dia dos que conhecemos pode figurar adequadamente” (*Sobre o Espírito Santo*, 6). A Assunção de Maria é vista como o seu lugar no “*oitavo dia*” definitivo, um sinal de esperança e consolação para a Igreja em sua peregrinação.A Oitava da Páscoa termina com a celebração do Domingo da Divina Misericórdia, que abre o Tempo Pascal. A Igreja, ressuscitada com Cristo, é enviada em missão, levando consigo a memória e a fé em Maria, a Mãe que acreditou primeiro e permaneceu firme na fé durante o Sábado Santo.

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