## O III Domingo de Páscoa do Ano C: A Aparência do Ressuscitado e a Reabilitação de Pedro### **A Aparição do Ressuscitado e a Aurora da Páscoa**“Quando já raiava a manhã” (Jo 21,4), o amanhecer é, no Evangelho de João, o tempo das aparições pascais. Maria Madalena encontrou o sepulcro vazio ao amanhecer (Jo 20,1). Os discípulos encontram o Ressuscitado ao amanhecer, marcando o início da aurora pascal, o momento em que a noite do sepulcro se transforma na luz da ressurreição.A tradição mariana vê em Maria a *aurora* por excelência, aquela que precede o Sol e o anuncia. Esta imagem, dos Padres Jerónimo e Ambrósio, foi retomada por Bento XVI na *Verbum Domini* (n. 88): “Maria é o modelo perfeito de como a Palavra de Deus transforma a vida humana”. No amanhecer da Páscoa, Maria é a criatura que primeiro, com fé inabalável, acolheu a ressurreição, mesmo sem visão sensível.### **O Reconhecimento do Ressuscitado: Amor Contemplativo e Ação Pastoral**A pesca milagrosa que precede o reconhecimento (Jo 21,6-7) simboliza o novo sinal eucarístico: os discípulos, após uma noite de trabalho infrutífero, são abençoados com uma pesca abundante sob a orientação do Ressuscitado.A missão confiada a Pedro, “apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21,17), não é auto-referencial, mas refere-se ao cuidado das ovelhas de Cristo. Esta estrutura de serviço define a essência do ministério hierárquico na Igreja, onde o pastor age sempre em nome e com a autoridade de Cristo.### **Maria, Mãe da Igreja e Modelo Materno**A proclamação de Paulo VI, ao concluir o Concílio Vaticano II, de Maria como *Mãe da Igreja* (Redemptoris Mater) sintetiza uma tradição que atravessa os Padres, a Liturgia e os teólogos medievais. Maria, como Mãe de Cristo e mãe de todos os membros do seu Corpo, é o fundamento último de toda a pastoral eclesial.A Igreja que apascenta as ovelhas de Cristo o faz melhor com a disposição de Maria, com amor incondicional, paciência e intercessão constante. A profecia do martírio de Pedro (Jo 21,18-19) lembra que o seguimento de Cristo implica perda e sacrifício, mas também liberdade radical, como demonstrado por Maria ao seguir o Filho em todos os momentos da sua vida e sofrimento.### **Conclusão: Maria, Guardiã da Memória e Modelo de Amor**O encerramento do Evangelho de João (Jo 21,25) sugere que a história narrada é apenas o começo. Maria, com a sua memória não escrita e tradição viva, continua a ser a guardiã e mediadora desta herança espiritual. O Ressuscitado que pergunta “amas-me?” e envia para apascentar as ovelhas faz nascer uma Igreja que tem Maria como modelo de amor fiel. Que este III Domingo de Páscoa aprofunde em nós a fé naquela que é, ao mesmo tempo, Mãe de Cristo e Mãe da Igreja.
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