Francisco – christus vivit, patris corde e fratelli tutti: Maria e os jovens, São José e a fraternidade
Três documentos magnos do Papa Francisco fecham o panorama mariano do seu pontificado: Christus Vivit (2019) sobre os jovens, Patris Corde (2020) sobre São José, e Fratelli Tutti (2020) sobre a fraternidade universal. Em cada um, Maria desempenha um papel específico ligado ao tema central.
| Papa | Francisco |
| Documentos | Christus Vivit (2019, nn. 43-48,298) | Patris Corde (2020, conclusão) | Fratelli Tutti (2020, conclusão) |
| Tema | Maria e os jovens, Maria e São José, Maria e a fraternidade |
Christus vivit nn. 43-48, Maria, a influencer de Deus
A Exortação Christus Vivit contém uma das aplicações pastorais mais originais da figura de Maria: Maria como modelo da juventude cristã. Os números 43-48 são dedicados a Maria como «jovem cristã» e como «influencer» de Deus:
«Maria erat juvenis. Cor eius palpitabat propinquum amoribus, sicut omnium juvenum, sed in eius spiritualitate gracia inerrabili adiuvabantur, qua sciret Deum vocare cum tota sui anima. Et tamen, primum quod ostendit nobis Maria iuvenis non est seipsa, sed seipsa pro alterius: «Magnificat anima mea Dominum»! Pro hac ratione Maria erat in modum prima maxima «influencer» Dei: una iuvenis quae nesciebat ostendere alteros sed Christum»
Maria era jovem. O seu coração palpitava próximo dos amores, como todos os jovens, mas na sua espiritualidade era ajudada por uma graça inefável, com a qual sabia chamar a Deus com toda a sua alma. E contudo, o primeiro que nos mostra Maria jovem não é a si mesma, mas ela mesma para outros: «Engrandece a minha alma ao Senhor»! Por esta razão Maria era em certo sentido a primeira máxima «influencer» de Deus: uma jovem que não sabia mostrar outros senão Cristo.
Maria e a cultura digital dos jovens
Francisco usa o termo «influencer» (em inglês no texto original italiano) deliberadamente, para tornar Maria próxima da cultura digital dos jovens. Num mundo onde os adolescentes seguem influencers nas redes sociais, Francisco propõe Maria como a primeira e máxima influencer da história, aquela que não se promove, mas promove Cristo.
Christus vivit n. 298, a oração a Maria pelos jovens
A oração final pelos jovens convoca a maternidade de Maria sobre a juventude cristã contemporânea:
«Maria iuvenum, ora pro nobis, sis advocata juvenum apud Filium tuum, ut, sicut tu in iuventute respondisti «fiat», ita iidem juvenes nostri possint cum cor leto respondere «sicut» Domino vocanti»
Maria dos jovens, roga por nós, sejas advogada dos jovens junto ao teu Filho, para que, assim como tu na juventude respondeste «fiat», assim os nossos jovens possam responder com coração alegre «sim» ao Senhor que chama.
Patris corde (8 dezembro 2020), Maria e São José
A Carta Apostólica Patris Corde, publicada na festa da Imaculada Conceição de 2020 para o 150.º aniversário da declaração de São José como Patrono da Igreja Universal (Pio IX, 1870), contém uma secção final sobre Maria e José como casal:
«Iosephus est «vir iustus» (Mt 1, 19), qui «accepit Mariam coniugem suam» (Mt 1, 24) et qui in domestica lateri Mariae apparuit veluti angelus custos. Maria et Iosephus simul lingua amoris caelestis loquerunt, silentio, occultatione, mutua sustentatione. Iosephus est primum exemplum sponsi qui amat sponsam aliter quam aliii uxorem amant, quia amat ipsam sicut amavit Christus Ecclesiam»
José é o «homem justo» (Mt 1, 19), que «recebeu Maria sua esposa» (Mt 1, 24) e que ao lado de Maria na vida doméstica apareceu como anjo guardião. Maria e José juntos falaram a língua do amor celeste, em silêncio, em ocultamento, em sustento mútuo. José é o primeiro exemplo de esposo que ama a esposa de modo diverso daquele com que outros amam a sua esposa, porque ama-a como Cristo amou a Igreja.
Fratelli tutti (3 outubro 2020), Maria mãe da fraternidade universal
A encíclica Fratelli Tutti, sobre a fraternidade e a amizade social, conclui com uma secção mariana onde Maria aparece como Mãe da fraternidade universal:
«Maria Iesum dedit mundo, et per Iesum, omnem hominem fratrem omnium hominum redidit. Sub Cruce, Iesus Mariam dedit Iohanni, et omnes apostolos et omnes fideles, tanquam Matrem. Sic Maria mater facta est non solum Christi, sed totius humanitatis fraterne uniti. In hoc tempore separationum et belli, Maria stat ut signum visibile fraternitatis universae»
Maria deu Jesus ao mundo, e através de Jesus, fez de cada homem irmão de todos os homens. Junto à Cruz, Jesus deu Maria a João, e a todos os apóstolos e a todos os fiéis, como Mãe. Assim Maria tornou-se mãe não apenas de Cristo, mas de toda a humanidade fraternalmente unida. Neste tempo de separações e guerras, Maria está como sinal visível da fraternidade universal.
Conclusão: a mariologia pastoral de Francisco
A mariologia do Papa Francisco é antes de tudo pastoral e existencial: Maria é proposta como mãe próxima, presente nos pontos sensíveis da vida contemporânea, juventude, família, vida consagrada, ecologia, fraternidade. Esta proximidade pastoral não diminui a profundidade dogmática, antes a torna acessível.
Leitura complementar
Mariologia | Evangelii Gaudium | Lumen Fidei e Laudato Si | Amoris Laetitia e Gaudete et Exsultate
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