Pio IX e os documentos sobre a Imaculada depois de 1854 (Doctrina Pontificia IV, nn. 269-322)

Pio IX e os documentos sobre a Imaculada depois de 1854 (Doctrina Pontificia IV, nn. 269-322)

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A definição do dogma da Imaculada Conceição em 1854 marcou um ponto de chegada e um novo começo na história mariana católica. Esta página apresenta a Bula Ineffabilis Deus de Pio IX, na qual foi proclamada a Imaculada Conceição, e os principais documentos pontifícios posteriores que receberam e desenvolveram esta doutrina. Aqui se reúnem os textos da Doctrina Pontificia IV (nn. 269-322) que documentam o magistério sobre a Imaculada Conceição entre 1854 e 1878.

A Bula Ineffabilis Deus (8 dezembro 1854) ocupa os números 269-302 da Doctrina Pontificia IV, trinta e quatro números, o maior bloco contínuo de qualquer documento único na obra. Depois da definição, os documentos nn. 303-322 registam a recepção eclesiástica e os desenvolvimentos mariológicos subsequentes do longo pontificado de Pio IX.

ColeçãoDoctrina Pontificia IV: Documentos Marianos, nn. 269-322
PapaPio IX (1846-1878)
Período1854-1878 (pós-Imaculada)
DocumentosIneffabilis Deus + documentos de recepção e aplicação

nn. 269-302 – Bula “Ineffabilis Deus” (8 dezembro 1854)

A Bula Ineffabilis Deus define solenemente como dogma de fé que a Virgem Maria foi preservada, em virtude dos méritos previstos de Cristo, do pecado original desde o primeiro instante da sua conceição. É o primeiro dogma mariano definido ex cathedra pelo pontificado antes da definição do primado pontifício (que só será definido no Vaticano I em 1870 – ironicamente, Pio IX define o dogma mariano antes de definir a própria prerrogativa dogmática).

«…declaramus, pronuntiamus et definimus doctrinam quae tenet beatissimam Virginem Mariam in primo instanti suae conceptionis fuisse singulari omnipotentis Dei gratia et privilegio, intuitu meritorum Christi Iesu Salvatoris humani generis, ab omni originalis culpae labe praeservatam immunem esse, a Deo revelatam, atque idcirco ab omnibus fidelibus firmiter constanterque credendam»

…declaramos, pronunciamos e definimos que a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria no primeiro instante da sua conceição foi, por singular graça e privilégio de Deus omnipotente, em vista dos merecimentos de Jesus Cristo Salvador do género humano, preservada livre de toda a mancha da culpa original, é doutrina revelada por Deus e portanto deve ser firme e constantemente crida por todos os fiéis.

Para o texto integral da Bula, consulte o post dedicado: Ineffabilis Deus (Pio IX, 1854).

nn. 303-307 – S. Congr. Indulg. (11 dezembro 1854): imediata recepção

Três dias após a definição, a S. Congregação das Indulgências enriqueceu com indulgências uma oração ao Puríssimo Coração de Maria, dividida em cinco partes (nn. 303-307), que começa por invocar a Virgem imaculada, concebida sem pecado.

n. 308 – Breve (11 março 1856)

Na Doctrina Pontificia IV, o n. 308 é uma invocação indulgenciada à Imaculada para obter uma boa morte: pede a Maria, concebida sem pecado, refúgio dos pecadores e Mãe dos agonizantes, que não nos abandone na hora da nossa partida.

Aparições de Lourdes (1858) – a confirmatio divina

Em 25 de março de 1858, Bernadette Soubirous perguntou à visão quem ela era. A resposta, em patois occitano: «Que soy era Immaculada Councepciou» (Sou a Imaculada Conceição). Quatro anos após a Ineffabilis Deus, a própria Virgem confirmava, na visão de uma pastora analfabeta, o título dogmático que Pio IX lhe havia conferido. A aparição de Lourdes é a confirmação mariana do dogma de 1854.

nn. 309-322 – Documentos de 1856-1877

Os catorze documentos pós-definição de Pio IX cobrem:

  • Orações e invocações indulgenciadas (a Nossa Senhora da Piedade, a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, pela conversão dos que estão fora da Igreja)
  • Uma epístola de 1863 segundo a qual a Assunção decorre da Conceição Imaculada
  • Documentos sobre o Rosário (especialmente no contexto do Ano Santo de 1875)
  • A Sequentia Stabat Mater (n. 320): indulgências concedidas pela S. Congregação das Indulgências (18 de junho de 1876) à recitação do Stabat Mater
  • Epístola Pium sane (n. 321, 24 março 1877): dirigida ao sulpiciano Domingos Sire, louva a iniciativa de fazer traduzir para quase todas as línguas a bula dogmática da Imaculada Conceição

Leitura complementar

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