Jasna góra, a devoção de São João Paulo II à Virgem Maria.

Jasna góra, a devoção de São João Paulo II à Virgem Maria. | Locus Mariologicus

Jasna Góra (Częstochowa, 1382): o santuário da Madonna Negra, a resistência à invasão sueca (1655) e a devoção mariana de João Paulo II

Da longínqua Polónia, na região de Jasna Góra, Monte Claro, de Częstochowa, encontramos o maior santuário mariano do país que viu nascer e educou a piedade mariana de São João Paulo II. Este santuário ainda hoje é o centro da vitalidade espiritual da nação polaca, chegando mesmo a uma média de quatro milhões de peregrinos por ano!

Jasna Gora, Santuário mariano da Virgem Maria na Polónia

As grandes festividades acontecem em 3 de Maio, Nossa Senhora Rainha da Polónia, 15 de Agosto, Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, hoje 26 de Agosto, celebração de Nossa Senhora de Jasna Góra, e por fim no dia 8 de Setembro a festa da Natividade de Nossa Senhora que contam com uma afluência média de dois milhões e meio de pessoas.

A vida do Santuário é pautada por um calendário que anualmente permanece inalterado: a exposição da imagem milagrosa desde as 6h00 até à Súplica de Jasna Gora às 21h. Das várias iniciativas pastorais sublinhamos a Família do Rosário de Jasna Góra.

As origens históricas do Santuário remontam à Ordem de São Paulo, Eremita do Egito, que surgiu na Hungria no século XIII e que fundou em 1382, com o patrocínio do rei Ludovico d’Angiò, rei da Polónia e da Hungria, um mosteiro na colina de Jasna Góra. É nesta data que temos registo da presença da imagem de Nossa Senhora que se tornou meta de peregrinação dentro e fora da Polónia. A afluência de peregrinos não deixou de aumentar a tal ponto que se começou a construir estruturas em cima de estruturas com estilos arquitectónicos diversos para aumentar o espaço de acolhimento dos peregrinos. 

Um episódio particular deste santuário foi a resistência em 1655 à invasão que a Suécia realizou na Polónia, e no Santuário, fortificado ao longo dos séculos para proteger as diversas ofertas dos peregrinos de possíveis furtos. Graças a esta resistência, juntamente com a devoção do Rei João Casimiro, no dia 1 de abril de 1656 Maria foi proclamada Rainha da Polónia. O coroamento da imagem aconteceu no dia 8 de setembro de 1717 e na Constituição de 1746 da Polónia escreveu-se que ‘a nação é devota a esta sua Santíssima Rainha, a Virgem Maria do quadro de Częstochowa, célebre pelos seus milagres, a qual concede nas necessidades a protecção’. Durante a ocupação da II Guerra Mundial os responsáveis das várias forças opostas aos invasores encontravam-se no santuário, pelo que Jasna Góra é símbolo de esperança, vitória, liberdade, convertendo-se na capital espiritual da Polónia.

A imagem milagrosa é o símbolo dos polacos no mundo, pois os seis séculos de história política, cultural e espiritual condensam-se à volta da Bem-Aventurada Virgem Maria. Compreender a Polónia significa ter consciência da construção da identidade de Jasna Góra.

Os milagres ligados a esta imagem remontam nos arquivos do Santuário a 1517, ainda que seja plausível encontrar mesmo antes outros milagres. A cultura religiosa polaca no encontro com o ícone de Nossa Senhora normalmente não fala, apenas olha. Isto demonstra a aliança com os fiéis polacos e a união da religiosidade mariana com o espírito nacional polaco. Protectora da integralidade da fé, dos valores humanos, cristãos e nacionais, a eficácia da sua intercessão encontra-se nos ex voto presentes aos milhares de todos os estratos sociais e de todos os tempos.

Em 1946 o Cardeal A. Hlond, seguindo a inspiração do Papa Pio XII, consagrou a nação ao Coração Imaculado de Maria. Em 1956, a 26 de Agosto, o Episcopado polaco juntamente com peregrinos de todo o mundo fez votos, por ocasião dos 300 anos da proclamação de Maria Rainha da Polónia, com o texto escrito pelo Cardeal Primaz Stefan Wyszyński ainda na prisão em Kománcza. Este acto desencadeia uma série de eventos chamados ‘grande novena’ que culminou com a queda do muro de Berlim. 

Podemos concluir então que a Nossa Senhora de Częstochowa é honrada como Mãe da Igreja. Reforça-se a aproximação, sensibilização dos problemas e o acordar das consciências para a responsabilidade pela Igreja e a consolidação da fidelidade a Maria.

No seu santuário a Igreja local une-se à Igreja universal. Desde o acto de entrega a Maria realizado por São João Paulo II a 4 de junho de 1979, a imagem milagrosa é considerada a Nossa Senhora do Papa João Paulo II, a Nossa Senhora da unidade das Igrejas do Oriente com a Igreja do Ocidente.

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Significado da imagem:

São João Paulo II em devoção à Virgem Maria em Jasna Gora

O quadro representa a Santíssima Virgem Maria tendo na mão esquerda o menino Jesus. Os seus olhos olham para quem observa. Do lado esquerdo da face descem cabelos ondulados escondidos pelo manto. A cor é sobretudo entre castanho escuro e o castanho claro. Na bochecha esquerda encontramos dois riscos que percorrem de forma paralela metade da bochecha e se alongam em direcção ao pescoço. Um terceiro risco transversal percorre a bochecha à altura do nariz. Em cima da fronte de Nossa Senhora encontramos uma estrela com 6 pontas. O manto e a veste são azuis, e a cor da veste de Jesus é carmim. O fundo do quadro é azul pálido com nuances tênues de verde. Jesus menino tem o braço levantado e na mão esquerda segura o Evangelho.

A narração edificante fala de uma pintura atribuída a São Lucas sobre a mesa onde se rezava e a Sagrada Família tomava as refeições. O quadro teria sido levado de Jerusalém para Constantinopla e deposto num templo. O Príncipe Russo Leão enamorou-se da beleza da imagem, e o imperador teria doado esta imagem de inestimável valor. Mais tarde, por questões bélicas, já com uma considerável fama pelos milagres obtidos, a imagem teria sido levada para a cidade de Jasna Góra e colocada na Igreja, sendo colocada ao cuidado dos monges paulinos.

Na reconstituição histórica-arqueológica sabemos hoje que a imagem chegou juntamente com os paulinos a Jasna Gora em 1382. Contudo, em 1430, durante um ataque sacrílego, a imagem foi trespassada por uma espada que a despedaçou em três pedaços. A sua reconstrução ocorreu em 1434 e foi uma aproximação à antiga pintura com traços da pintura da Idade Média e do desenho original da imagem, que provavelmente foi realizado no primeiro milénio cristão.

Os riscos na imagem da Virgem simbolizam as cicatrizes e referem-se aos cortes realizados na tela original. De facto, os restauradores quiseram conservar não apenas a imagem mas também a vida de Maria como arte da memória. Neste sentido, a imagem adquiriu um grande valor artístico na sua originalidade iconográfica. Sobre o significado desta imagem para São João Paulo II apresentamos aqui as suas palavras em 1979:

«Tantas vezes viemos aqui, neste santo lugar, em escuta pastoral vigilante, para ouvir bater o coração da Igreja e aquele da pátria no coração da Mãe. Jasna Góra é, de facto, não apenas uma meta de peregrinações para os polacos da Mãe Pátria e do mundo inteiro, mas é o santuário da nação. É necessário escutar com atenção este lugar santo para sentir como bate o coração da nação no coração da Mãe. Este coração, na verdade, palpita, como sabemos, com todos os acontecimentos da nação. Contudo, se quisermos saber como interpretar esta história do coração dos polacos, é necessário vir aqui, escutar com atenção este santuário, para entender o eco da vida da inteira nação no coração da sua Mãe e Rainha» 

Nossa Senhora de Częstochowa, rogai por nós!

Para aprofundar a devoção de João Paulo II a Maria, consulte sua encíclica: Redemptoris Mater sobre Maria na vida da Igreja peregrina.

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Responses

  1. Minha filha aí esteve e testemunha uma graça alcançada na ocasião da visita ao Santuário da Virgem Negra, assim, carinhosamente, chamada. O veículo que a levava, juntamente com a guia do passeio, por pouco não sofre grave acidente, o que logo foi reconhecido como um livramento pela intercessão amorosa e cuidadosa de Maria… Obrigada, Nossa Senhora!

  2. Maravilhoso!
    Nossa Senhora de Jasna Góra
    No seu santuário a Igreja local se une à Igreja universal, desde o ato de entrega a Maria realizado por São João Paulo II a 4 de giugno de 1979, a imagem milagrosa è considerada a Nossa Senhora do Papa João Paulo II, a Nossa Senhora da unidade das Igrejas do Oriente com a Igreja do Ocidente.