As dez virgens e a sabedoria do azeite: Sb 6, 1Ts 4 e Mt 25

As dez virgens e a sabedoria do azeite: Sb 6, 1Ts 4 e Mt 25

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Vigilate itaque, quia nescitis diem neque horam.
Mt 25,13

O trigésimo segundo domingo do Tempo Comum do Ano A articula três textos em torno da vigilância e da esperança escatológica. Sb 6,12-16 descreve a Sabedoria que se antecipa a dar-se a conhecer aos que a amam e a procuram: não há cansaço em madrugar por ela. 1Ts 4,13-18 assegura que os mortos em Cristo não estão perdidos: ressuscitarão primeiro, e depois os vivos serão arrebatados para o encontro com o Senhor. Mt 25,1-13 conta a parábola das dez virgens: cinco sábias com azeite suficiente, cinco insensatas sem azeite. Quando o noivo chegou a meio da noite, as insensatas foram comprar e a porta fechou-se. Os três textos convergem: a sabedoria consiste em estar preparado para o encontro que virá, em ter o azeite da vigilância e da esperança que não se improvisa no último momento.

I. A primeira leitura: Sb 6,12-16

A Sabedoria é descrita com traços luminosos: «A Sabedoria é esplêndida e não empalidece. Facilmente é vista pelos que a amam e encontrada pelos que a procuram» (Sb 6,12). Não é uma realidade escondida que resiste a ser encontrada: antecipa-se. «Antecipa-se a dar-se a conhecer aos que a desejam. Quem madruga por ela não se cansará. Quem vela por ela ficará em breve sem preocupações» (vv.13-15). A Sabedoria vai ao encontro do que a procura: percorre as ruas e encontra quem a deseja. «Pois a vigilância por ela é a perfeição da prudência, e quem vela por ela cedo estará livre de preocupações, pois ela própria percorre, procurando os que são dignos dela, e aparece-lhes benignamente nos caminhos» (v.16). A vigilância das virgens sábias de Mt 25 é a vigilância que Sb 6 descreve: não o esforço de quem corre atrás do inacessível, mas a disponibilidade de quem se mantém atento ao que vem ao seu encontro.

II. A segunda leitura: 1Ts 4,13-18

Paulo responde a uma ansiedade da comunidade de Tessalónica: o que acontece aos que morreram antes da vinda do Senhor? «Não queremos, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que dormem, para que não vos aflijais como os outros que não têm esperança» (1Ts 4,13). O fundamento é a ressurreição de Cristo: «Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, por Jesus, trará com ele os que morreram» (v.14). A ordem do acontecimento: o Senhor descerá do céu com clamor. Os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois os vivos serão arrebatados com eles nas nuvens para o encontro com o Senhor. «E assim estaremos sempre com o Senhor» (v.17). «Consolai-vos uns aos outros com estas palavras» (v.18). A parábola das virgens ilumina esta doutrina: a vigilância não é por medo da morte, mas porque o Senhor vem e o encontro acontecerá. Os mortos em Cristo são as virgens que adormeceram mas têm azeite: serão acordadas na hora certa.

III. O evangelho: Mt 25,1-13

Jesus conta a parábola do Reino dos Céus: dez virgens saem ao encontro do noivo com as suas lâmpadas. Cinco são sábias e levam azeite de reserva. Cinco são insensatas e não levam. O noivo tarda. Todas dormem. A meio da noite, um grito: «O noivo aí vem! Saí ao seu encontro»! (Mt 25,6). As insensatas pedem azeite às sábias. Estas recusam: pode não chegar para todas. As insensatas vão comprar azeite. Entretanto o noivo chegou: as que estavam prontas entraram com ele para o banquete e a porta fechou-se. As outras chegam e pedem: «Senhor, Senhor, abre-nos»! A resposta: «Em verdade vos digo que não vos conheço» (v.12). E a conclusão: «Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora» (v.13). A parábola não ensina que a vigilância é possível em qualquer momento: ensina que há um momento em que já não é possível improvisar. O azeite não se empresta: cada um tem o seu. A fé, a esperança, a caridade, a oração, a vigilância, não são transferíveis. São o resultado de uma vida inteira de fidelidade que nenhum outro pode viver em nosso lugar.

IV. Maria e o azeite da vigilância

Sb 6 descreve a Sabedoria que percorre as ruas procurando os que são dignos. A tradição chamou Maria «Sedes Sapientiae», Sede da Sabedoria, porque foi a criatura onde a Sabedoria de Deus escolheu habitar de modo único. Maria tinha o azeite: não o azeite improvisado, mas o que foi acumulado numa vida inteira de vigilância, oração e abertura a Deus. A parábola das dez virgens tem em Maria a sua realização antecipada: quando o noivo chegou ao mundo na Anunciação Maria estava pronta. Não porque se preparou naquele momento, mas porque viveu toda a vida anterior em disponibilidade. 1Ts 4 assegura que os mortos em Cristo ressuscitarão. Maria é a primeira a ter ressuscitado de modo pleno: a Assunção é a antecipação do que 1Ts 4 promete para todos. Ela é a virgem sábia já dentro do banquete, com a porta aberta, intercedendo para que os que ainda vigiam do lado de fora possam entrar a tempo.

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