A história do rosário: origens medievais, os mistérios e o papel de Pio V na batalha de lepanto

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O Rosário é a oração mariana mais difundida da Igreja, mas a sua história é mais complexa do que a lenda de São Domingos sugere. Entre os séculos XIII e XX, a sua forma actual foi sendo construída por sucessivas intervenções papais, da fixação dos 15 mistérios por Pio V à adição dos mistérios luminosos por João Paulo II em 2002. Este artigo examina as origens documentadas e os marcos históricos desta oração.

Das contas monásticas medievais (século XII) aos mistérios luminosos de João Paulo II (2002): formação histórica do rosário

História do Rosário, devoção a Maria

Se considerarmos as orações cristãs, provavelmente o Rosário é a maior do mundo. Contido como saltério da Virgem Maria, encontramos no dedilhar das contas histórias de povos, famílias e pessoas. A saudação do Anjo, repetida tantas vezes, assim como os salmos, vai sendo alternada por episódios da vida de Cristo e de Maria, como se de dois espelhos falássemos que se iluminam um ao outro.

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Na história católica tivemos de esperar até Pio V para vermos uma consagração oficial desta prática devocional, fixando as normas que chegaram aos nossos dias com a Bula Consueverunt romani Pontifices. A história do Rosário é muito mais antiga. Podemos fixar uma data de grande difusão: século XII. Neste século encontramos a piedosa prática da recitação da Ave Maria, sendo que esta saudação era já conhecida muito antes desta época. No final do século VII a antífona de ofertório do IV Domingo de Advento, uma celebração de clara acentuação mariana, já apresenta a Ave Maria. Imitando, por assim dizer, a oração monástica da repetição dos 150 salmos davídicos, encontramos, para os monges iletrados, a repetição do mesmo número de Pai-Nosso ou de Ave Maria.

Um particular da oração que será repetida no Rosário é o facto de ter apenas a primeira parte, correspondente à saudação angélica Ave [Maria] cheia de graça, o Senhor está contigo, e a bênção de Isabel: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Esta é a oração original que foi repetida durante séculos, e só no final do século XV é que encontraremos a segunda parte Santa Maria. Importa ainda referir que a oração do Pai-Nosso monges e leigos a dividiam em 3 vezes (50+50+50) durante o dia, e que o Papa Pio V faria entrar esta modalidade na publicação do breviário em 1586.

Regressando no tempo ao século XIV encontramos um importante marco na história do Rosário quando o monge cartuxo Enrique de Kalkar (1328-1408) subdividiu o saltério da Virgem em grupos de 15 dezenas inserindo entre cada uma delas um Pai-Nosso. É desta mesma época Alan de la Roche, dominicano (1428-1475) que começa a difundir a história de uma suposta difusão do Rosário por parte de São Domingos de Gusmão (1170-1221). Sobre este facto histórico de forma indirecta apenas sabemos referir que o saltério mariano se pode documentar antes mesmo do nascimento do santo. Outro elemento, não menos importante, é o uso desta forma popular de oração pelos seus frades e provavelmente também por São Domenico. Basta pensar às Confrarias marianas fundadas por São Pedro de Verona (1205-1252) que tinham como carisma divulgar a devoção à Virgem. Portanto, se de uma paternidade do Rosário não se pode falar, pelo menos um incentivo à devoção mariana é presente, não tanto nos escritos quanto na actividade pastoral do fundador da Ordem dos Pregadores.

Na forma actual nós repetimos a Ave Maria e o Pai-Nosso intercalando-os com a meditação dos mistérios. Foi apenas no século XV que Domingos da Prússia (1382-1461) o introduziu reduzindo o número de Ave Maria a cinquenta, no final de cada se acrescentava uma referência a um evento evangélico (catorze da vida de Jesus em Nazaré, seis sobre a vida pública, vinte e quatro sobre a paixão e morte e por fim seis sobre a glorificação de Cristo e sua Mãe). Esta forma de oração, de meditação subdividida, acabará por dar-nos o Rosário na modalidade que a conhecemos. Na realidade, esta forma acabou por proliferar em toda a Europa e no séc. XV já se contavam mais de trezentos saltérios deste género. Teremos de esperar a pregação e a fundação das confrarias de Alano de la Roche, já citado, para encontrarmos o novo Rosário da Bem Aventurada Virgem Maria, nome dado pelo dominicano, dividido em três partes: encarnação, paixão e morte, glória de Cristo e de Maria.

Já dentro da Ordem dos Pregadores veremos em 1521 Alberto de Castelo a reduzir estes mistérios a quinze, propondo simples comentários ao mistério recitando a Ave Maria. Esta reforma do novo saltério mariano foi-se impondo um pouco por toda a Europa, sobretudo nas confrarias, até chegar à sua primeira fase em 1569, como já citámos, com Pio V na sua bula que lhe deu a forma que chegou aos nossos dias.

O Rosário diversamente de outras devoções populares tem a particularidade de ser uma forma universal de oração ao ponto de fundir-se com o conceito de piedade mariana, que desde as mais remotas paróquias e mosteiros até aos mais longínquos povos cristianizados se continua a difundir e a congregar. E mesmo quando a avalanche de críticas, pouco evangélicas, à piedade popular, colocou em discussão este pio exercício, não deixou de vir ao seu encontro o magistério dos Santos Padres que falaremos no próximo artigo.

Para compreender o sentido espiritual do Rosário e do culto a Maria, leia a exortação apostólica Marialis Cultus de Paulo VI, referência fundamental sobre a devoção mariana.

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Responses

  1. Oração de muita paz, mas não de hábito diário. Me acostumei a oração diária do Evangelho, que muito me preenche. Na Rosarium Virginis Maria e, destaco os diversos olhares de Maria, quando contemplamos os Mistérios. Salve Maria!

  2. Desde muito nova aprendi a rezar o terço com a minha mãe, mas eu algum momento da minha vida(não me lembro quando nem pq) passei a rezar o Rosário e a me sentir incompleta, digamos assim, quando só conseguia rezar o terço. O Rosário me acalma, me consola, me fortalece. É verdadeiramente o socorro de Deus para mim.

  3. Rezo o terço pelo menos uma vez ao dia, mas sempre sigo aquilo que aprendi da Igreja, ou seja, cada Mistério tem o seu dia.
    No início achava penoso, demorado, agora passa muito rápido principalmente quando se sente a presença de Maria junto a nós