Clemente de Alexandria: quem foi, obras, pensamento e Maria

Clemente de Alexandria: mariologia e teologia do lógos

Clemente de Alexandria (c. 150-c. 215) foi um teólogo cristão, provavelmente nascido em Atenas, que dirigiu a escola catequética de Alexandria depois de Panteno e foi mestre de Orígenes. Escreveu o Protréptico, o Pedagogo, os Stromata e o Quis dives salvetur. Pioneiro do diálogo entre fé e razão, descreveu o cristão maduro como o «verdadeiro gnóstico».

Tito Flávio Clemente, conhecido como Clemente de Alexandria para não ser confundido com São Clemente de Roma, é uma das figuras mais originais da Igreja dos primeiros séculos. Converteu-se ao cristianismo depois de longa busca filosófica, ensinou em Alexandria, a grande metrópole cultural do Império, e deixou a primeira tentativa ampla de mostrar que a fé cristã acolhe e eleva o melhor da sabedoria grega. Bento XVI dedicou-lhe a catequese de 18 de abril de 2007 e chamou-o «um grande teólogo que nasceu provavelmente em Atenas em meados do século II». Nesta página você encontra quem ele foi, o que escreveu, o essencial do seu pensamento, a relação com Orígenes, por que não é venerado como santo no Martirológio Romano e o que ensinou sobre a Virgem Maria.

Quem foi Clemente de Alexandria

A data de nascimento de Clemente é desconhecida. A maior parte dos estudiosos a situa por volta de 150. Eusébio de Cesareia dá o seu nome completo, Tito Flávio Clemente (História eclesiástica VI,13), e a Catholic Encyclopedia observa que Atenas é o ponto de partida das suas viagens e provavelmente a sua cidade natal. Nascido em família pagã, Clemente percorreu a Grécia, a Itália meridional, a Síria e a Palestina, frequentando sucessivamente vários mestres cristãos, até encontrar em Alexandria, no Egito, Panteno, junto de quem, diz ele, encontrou repouso.

Em Alexandria tornou-se discípulo de Panteno e depois seu sucessor à frente da escola catequética. Bento XVI resume: «Numerosas fontes confirmam que foi ordenado presbítero. Durante a perseguição de 202-203 abandonou Alexandria para se refugiar em Cesareia, na Capadócia, onde faleceu por volta de 215» (Audiência geral, 18/04/2007). Na Capadócia, Clemente esteve ao lado do seu antigo aluno e amigo Alexandre, então bispo e depois bispo de Jerusalém, e ajudou a sustentar a comunidade enquanto Alexandre estava preso por causa da fé. Uma carta de Alexandre, por volta de 215, já se refere a Clemente como falecido.

Linha do tempo de Clemente de Alexandria

  • c. 150: nascimento, provavelmente em Atenas, em família pagã.
  • Data incerta: conversão e viagens pela Grécia, Itália, Síria e Palestina em busca de mestres cristãos.
  • Fim do século II: em Alexandria, discípulo de Panteno e depois seu sucessor na escola catequética.
  • c. 190-202: período principal de ensino e de escrita.
  • 202-203: a perseguição de Sétimo Severo atinge o Egito e Clemente deixa Alexandria.
  • 211-212: carta do bispo Alexandre que o mostra ativo em Cesareia da Capadócia.
  • c. 215: morte, provavelmente na Capadócia.

A escola catequética de Alexandria

Alexandria era, no fim do século II, o maior centro de cultura do Mediterrâneo oriental, com a sua célebre biblioteca, a tradição filosófica platônica e estoica e uma comunidade judaica de grande peso intelectual, herdeira de Fílon. Bento XVI chama-a a «cidade-símbolo» do cruzamento de culturas da época helenística. Nesse ambiente a Igreja local mantinha uma escola de instrução cristã, a chamada escola catequética ou didaskaleion, que preparava catecúmenos e formava os fiéis mais instruídos.

Eusébio narra que Clemente, tendo sucedido a Panteno, dirigia naquele tempo a instrução catequética em Alexandria, de modo que Orígenes, ainda menino, foi um dos seus alunos (História eclesiástica VI,6). Com Clemente e depois com Orígenes, a escola tornou-se o berço da chamada «escola alexandrina» de teologia, marcada pela leitura espiritual da Escritura e pelo diálogo com a filosofia.

Obras de Clemente de Alexandria

Eusébio lista as obras que conhecia no século IV (História eclesiástica VI,13). Das que chegaram até nós completas, três formam uma verdadeira trilogia. Segundo Bento XVI, mesmo que esta não fosse a intenção inicial do autor, esses escritos acompanham passo a passo a maturação espiritual do cristão: Cristo é primeiro o «exortador» que chama à fé, depois o «educador» dos batizados e por fim o «Mestre» que propõe os ensinamentos mais profundos.

Protréptico (Exortação aos gregos)

O Protréptico é um discurso de exortação dirigido aos pagãos. Clemente critica os mitos e os cultos idolátricos e convida os gregos a abandonar o erro para seguir o Verbo, o Lógos, que é o verdadeiro cântico novo. É a obra de quem começa a procurar o caminho da fé.

Pedagogo

Em três livros, o Pedagogo apresenta Cristo como o educador dos que já se tornaram filhos de Deus pelo batismo. Os livros II e III descem a pormenores muito concretos da vida cristã: alimentação, vestuário, uso das riquezas, modéstia, vida familiar. O livro I contém a célebre passagem sobre a Igreja virgem e mãe, e a obra termina com uma oração e um hino a Cristo Lógos, que Bento XVI citou ao concluir a sua catequese.

Stromata (Miscelâneas)

Os Stromata, oito livros cujo título significa «tapeçarias», são uma composição deliberadamente não sistemática, fruto do ensino oral de Clemente. Eusébio conserva o título completo: Stromata de notas gnósticas segundo a verdadeira filosofia. Aqui Clemente trata da relação entre filosofia e fé, da cronologia que mostra a antiguidade de Moisés em relação aos gregos, do martírio, do matrimônio e, sobretudo no livro VII, do retrato do «verdadeiro gnóstico». Também nos Stromata está o principal testemunho mariano de Clemente (VII,16).

Quis dives salvetur? (Que rico se salvará?)

Homilia sobre o episódio do jovem rico (Mc 10,17-31). Clemente mostra que a riqueza, em si, não fecha a porta do Reino: o que Cristo pede é a libertação interior das paixões ligadas aos bens e o seu uso em favor dos pobres. O texto termina com a narrativa do apóstolo João e do jovem que se tornara chefe de salteadores, que Clemente apresenta como história transmitida pela tradição.

Outras obras e fragmentos

Eusébio menciona ainda oito livros de Hipotiposes (esboços de comentário à Escritura), um tratado sobre a Páscoa, discursos sobre o jejum e a maledicência, uma exortação à paciência dirigida aos recém-batizados e o Cânon eclesiástico, dedicado ao bispo Alexandre. Dessas obras restam apenas fragmentos, aos quais se somam os Excertos de Teódoto e as Éclogas proféticas, notas de trabalho transmitidas junto dos Stromata.

O pensamento de Clemente de Alexandria

Fé e razão: a filosofia como preparação para Cristo

Clemente foi, nas palavras de Bento XVI, «um dos pioneiros do diálogo entre fé e razão na tradição cristã». Para ele, assim como a Lei preparou os judeus para Cristo, a filosofia grega preparou os gregos. O Papa recorda que Clemente chegou a dizer que Deus dera a filosofia aos gregos «como um seu próprio Testamento» (Stromata VI,8,67,1) e que, segundo João Paulo II, o Alexandrino interpretava a filosofia como «uma instrução propedêutica à fé cristã» (Fides et ratio, 38). Clemente não dissolve a fé na filosofia: a filosofia serve, mas quem ilumina e julga é o Verbo encarnado.

Cristo, o Lógos que ensina

No centro de tudo está o Lógos, o Verbo eterno de Deus de que fala o prólogo de João: «Καὶ ὁ Λόγος σὰρξ ἐγένετο καὶ ἐσκήνωσεν ἐν ἡμῖν», «e o Verbo carne se fez e armou a sua tenda entre nós» (Jo 1,14). Para Clemente, a verdade presente na sabedoria humana vem desse mesmo Verbo, que agora se fez homem. Ele é ao mesmo tempo quem exorta, quem educa e quem ensina, e por isso a trilogia de Clemente é toda ela cristológica.

O «verdadeiro gnóstico»

Clemente escreveu num tempo em que seitas gnósticas (Valentino, Basílides) prometiam um conhecimento secreto reservado a poucos e desprezavam a fé simples. Ele responde reivindicando a palavra «gnose» para a Igreja: a verdadeira gnose não se opõe à fé, é o seu pleno desenvolvimento. Bento XVI explica que, para Clemente, «a autêntica “gnose” é um desenvolvimento da fé, suscitado por Jesus Cristo na alma unida a Ele», e que «principalmente duas virtudes ornamentam a alma do “verdadeiro gnóstico”. A primeira é a liberdade das paixões (apátheia)». A segunda é o amor, que garante a união íntima com Deus.

O gnóstico de Clemente não é um iniciado de seita, mas o cristão que avançou na vida espiritual: conhece porque ama, e ama porque conhece. O conhecimento de Deus exige a vida moral, a ponto de o Papa resumir: as boas obras devem acompanhar o conhecimento intelectual «como a sombra segue o corpo». Para quem quer conhecer o outro lado do gnosticismo antigo, veja a Pistis Sophia e o modo como os gnósticos trataram Maria.

A meta: tornar-se semelhante a Deus

Clemente retoma a ideia de que o fim do homem é a semelhança com Deus. Criado à imagem divina, o ser humano é chamado a crescer, pela fé, pela virtude e pela contemplação, até à união com Ele. Nesse caminho também a esperança tem o seu lugar. Clemente define-a com uma fórmula breve, «ἐλπὶς δὲ προσδοκία ἀγαθῶν», «a esperança é expectativa de bens» (Stromata II,9), e mostra que ela se funda na fé (Stromata II,6). Tratamos o tema em detalhe no estudo Clemente de Alexandria: a esperança na formação do verdadeiro gnóstico.

Clemente de Alexandria e Orígenes

A relação com Orígenes (c. 185-c. 254) é um dos pontos mais conhecidos da biografia de Clemente. Eusébio afirma expressamente que Orígenes, ainda menino, foi aluno de Clemente na escola de Alexandria (História eclesiástica VI,6). Quando Clemente deixou a cidade, durante a perseguição de 202-203, foi o jovem Orígenes quem acabou por assumir a instrução catequética. A crítica moderna discute o alcance exato desse vínculo de mestre e discípulo, mas a continuidade de método é evidente: leitura espiritual da Escritura, diálogo com a filosofia, centralidade do Lógos.

A Catholic Encyclopedia observa que Clemente acabou ofuscado na história pela grandeza de Orígenes, que lhe sucedeu em Alexandria. Sobre o modo como Orígenes desenvolveu a reflexão sobre Maria, veja Orígenes e a mariologia: Maria na exegese alexandrina.

Por que Clemente de Alexandria não é chamado santo

Até ao século XVII, Clemente foi venerado como santo no Ocidente: o seu nome constava dos martirológios, com festa a 4 de dezembro. Quando o Martirológio Romano foi revisto sob o Papa Clemente VIII, o nome foi retirado do calendário por conselho do cardeal Barônio. Em 1748, Bento XIV, ao publicar a nova edição do Martirológio, acompanhada da bula dirigida ao rei D. João V de Portugal, manteve essa decisão.

Segundo a Catholic Encyclopedia, as razões de Bento XIV foram três: a vida de Clemente era pouco conhecida, ele nunca tinha obtido culto público na Igreja e algumas das suas doutrinas eram, se não errôneas, ao menos suspeitas. Desde então, no uso católico latino, ele é chamado simplesmente Clemente de Alexandria, sem o título de santo, como faz o próprio Bento XVI na catequese de 2007. Isso não é uma condenação: a Igreja continua a ler as suas obras como testemunho precioso da fé do século II, e a Igreja copta o venera como santo.

Clemente de Alexandria e a Virgem Maria

Clemente não escreveu nenhum tratado sobre Maria, mas deixou dois textos que contam na história da mariologia patrística. Ambos devem ser lidos com precisão, sem lhes atribuir mais do que dizem.

A virgindade de Maria no parto (Stromata VII,16)

No capítulo 16 do livro VII dos Stromata, ao falar da Escritura como critério da verdade, Clemente escreve: «ἀλλ᾽, ὡς ἔοικεν, τοῖς πολλοῖς καὶ μέχρι νῦν δοκεῖ ἡ Μαριὰμ λεχὼ εἶναι διὰ τὴν τοῦ παιδίου γέννησιν, οὐκ οὖσα λεχώ (καὶ γὰρ μετὰ τὸ τεκεῖν αὐτὴν μαιωθεῖσάν φασί τινες παρθένον εὑρεθῆναι)», isto é, em tradução literal: «mas, ao que parece, a muitos ainda agora parece que Maria é parturiente por causa do nascimento do menino, não sendo parturiente (pois alguns dizem que, depois de ela ter dado à luz, examinada pela parteira, foi encontrada virgem)» (Stromata VII,16, ed. Stählin, GCS 17, p. 66). Em seguida aplica a imagem às Escrituras do Senhor, que geram a verdade e permanecem virgens, e cita um dito que atribui à Escritura: «τέτοκεν καὶ οὐ τέτοκεν», «deu à luz e não deu à luz».

O relato do exame após o parto remete ao apócrifo chamado Protoevangelho de Tiago, como indica o próprio editor crítico, Otto Stählin, e a frase «τέτοκεν καὶ οὐ τέτοκεν» não se lê em nenhum livro canônico. O valor do texto não está, portanto, nesses pormenores, mas no testemunho de que, em Alexandria, por volta do ano 200, a fé na virgindade de Maria abrangia também o próprio parto. É uma das primeiras atestações do que a Igreja professa como virgindade antes, durante e depois do parto. Veja a virgindade perpétua de Maria.

Correção em relação à versão anterior desta página: este testemunho está nos Stromata (VII,16), e não no Pedagogo, como se dizia antes.

A Igreja virgem e mãe (Pedagogo I,6)

No livro I do Pedagogo, capítulo 6, Clemente exclama diante do mistério e contempla a unidade de Deus e da Igreja: «εἷς μὲν ὁ τῶν ὅλων πατήρ, εἷς δὲ καὶ ὁ τῶν ὅλων λόγος, καὶ τὸ πνεῦμα τὸ ἅγιον ἓν καὶ τὸ αὐτὸ πανταχοῦ, μία δὲ μόνη γίνεται μήτηρ παρθένος», «um só é o Pai de todas as coisas, um só também o Verbo de todas as coisas, e o Espírito Santo é um só e o mesmo em toda parte, e uma só, única, se torna mãe virgem». E acrescenta: «ἐκκλησίαν ἐμοὶ φίλον αὐτὴν καλεῖν», «Igreja me agrada chamá-la» (Pedagogo I,6,42,1, ed. Stählin, GCS 12, p. 115). Prossegue dizendo que ela é ao mesmo tempo virgem e mãe, pura como virgem, amorosa como mãe, e alimenta os seus filhos com o leite santo, que é o Verbo.

O texto fala diretamente da Igreja, não de Maria. Mas a expressão «virgem mãe», aplicada à Igreja no fim do século II, mostra que a maternidade virginal de Maria já servia de chave para compreender o mistério da Igreja. O Concílio Vaticano II recolhe essa tradição: a Igreja «é também com razão chamada mãe e virgem», e Maria a precedeu «como modelo eminente e único de virgem e de mãe» (Lumen gentium, 63). Sobre esse vínculo, veja Maria, Mãe da Igreja.

O Lógos encarnado e a Mãe do Verbo

Toda a teologia de Clemente gira em torno do Lógos que «se fez carne» (Jo 1,14). Clemente não desenvolve uma reflexão explícita sobre a maternidade divina, que só seria definida em Éfeso, em 431 (veja Theotokos). Mas a sua insistência na encarnação real do Verbo é a base sobre a qual a mariologia posterior construiu. Para situar Clemente entre os demais Padres, veja Mariologia patrística: os Padres da Igreja e Maria e a tipologia Eva-Maria, desenvolvida antes dele por São Justino e Santo Ireneu.

O legado de Clemente de Alexandria

Clemente deixou à Igreja três heranças. A primeira é um método: acolher a verdade onde quer que ela esteja, sabendo que toda verdade vem do Verbo. A segunda é um ideal de vida cristã em que conhecer e amar caminham juntos, e em que a perfeição é acessível a todo batizado que se deixa educar por Cristo. A terceira é um conjunto de testemunhos preciosos da fé do século II, entre eles a fé na virgindade de Maria no parto e a imagem da Igreja virgem e mãe.

Bento XVI concluiu a sua catequese apresentando Clemente como exemplo para cristãos, catequistas e teólogos de hoje, chamados a «dizer a razão» da própria fé em Jesus Cristo. Quem quer aprofundar o lugar de Maria nessa tradição encontra mais no portal de Mariologia e na seção de teologia mariana da Locus Mariologicus.

Perguntas frequentes

Quem foi Clemente de Alexandria?

Clemente de Alexandria (c. 150-c. 215), chamado Tito Flávio Clemente, foi um teólogo cristão provavelmente nascido em Atenas. Convertido depois de longa busca filosófica, sucedeu a Panteno na direção da escola catequética de Alexandria, foi ordenado presbítero e teve Orígenes entre os seus alunos. Deixou Alexandria na perseguição de 202-203 e morreu por volta de 215, provavelmente em Cesareia da Capadócia.

Quais são as principais obras de Clemente de Alexandria?

As obras completas que chegaram até nós são o Protréptico (exortação aos gregos), o Pedagogo (em três livros, sobre a vida cristã guiada por Cristo educador), os Stromata ou Miscelâneas (oito livros sobre fé, filosofia e o verdadeiro gnóstico) e a homilia Quis dives salvetur? (Que rico se salvará?), sobre o jovem rico de Mc 10. De outras obras, como as Hipotiposes, restam fragmentos.

O que é o verdadeiro gnóstico para Clemente de Alexandria?

É o cristão que, partindo da fé comum da Igreja, avançou no conhecimento e no amor de Deus. Contra as seitas gnósticas, que prometiam um saber secreto, Clemente ensina que a verdadeira gnose é o desenvolvimento da fé. As duas virtudes que a caracterizam, segundo Bento XVI, são a liberdade das paixões (apátheia) e o amor.

Clemente de Alexandria é santo?

No uso católico latino, não. Foi venerado até ao século XVII, com festa a 4 de dezembro, mas o seu nome saiu do Martirológio Romano na revisão de Clemente VIII, por conselho do cardeal Barônio. Bento XIV manteve a decisão na edição de 1748, porque a sua vida era pouco conhecida, não tinha culto público e algumas doutrinas pareciam suspeitas. A Igreja copta o venera como santo.

Qual a relação entre Clemente de Alexandria e Orígenes?

Segundo Eusébio de Cesareia (História eclesiástica VI,6), Orígenes, ainda menino, foi aluno de Clemente na escola de Alexandria. Depois da saída de Clemente, em 202-203, Orígenes assumiu a instrução catequética e levou adiante o mesmo método: leitura espiritual da Escritura, diálogo com a filosofia e centralidade do Verbo.

O que Clemente de Alexandria ensinou sobre Maria?

Nos Stromata (VII,16), Clemente atesta que, já no seu tempo, se cria que Maria permaneceu virgem também no parto, um dos testemunhos mais antigos dessa fé. No Pedagogo (I,6), aplica à Igreja o título de virgem mãe, imagem que o Concílio Vaticano II retoma ao chamar a Igreja mãe e virgem, tendo Maria como modelo (Lumen gentium, 63).

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