# Bodas de CanaVamos considerar agora Caná, também associada à memória do primeiro milagre de Jesus, ao qual Maria esteve presente. Três locais disputavam a honra de ser o cenário evangélico de João 2,1-12: Khirbet Qana, Khirbet Kenna e Kefr Kenna. A crítica recente identificou Caná com Kefr Kenna. Estudos sobre elementos arquitetônicos visíveis, escavações ocasionais, campanhas arqueológicas regulares, cerâmicas, numismática, mosaicos encontrados e literatura bizantina contribuem para essa identificação.A Caná evangélica remonta à Idade do Bronze e perdura até os dias atuais, ainda habitada e localizada na estrada entre Nazaré e Tiberíades. O período de Jesus é atestado no local com uma moeda de Herodes I e outra de Tito dos anos 80-81. Há também um jarro com corpo esférico e paredes bem cozidas. O período melhor documentado é o dos séculos III-IV. Existem, de fato, dois vastos edifícios, separados por um corredor que leva a um pátio pavimentado com pedras de diversos tamanhos. As paredes são construídas com pedras bonitas com uma bossagem lisa saliente, provavelmente reutilizadas. Provavelmente esses edifícios foram visíveis até o século XVIII.Bellarmino Bagatti datou o edifício principal ao século III, comparando-o com elementos reutilizados na igreja franciscana ou outros encontrados ocasionalmente. Para o estudioso, trata-se de uma sinagoga judaico-cristã paralela à de Nazaré. Evidentemente, havia três tipos de colunas: grandes, médias e pequenas, usadas para o matroneu e ornamentação. Havia dois tipos de cornijas e três portas na fachada. Finalmente, havia mosaicos com motivos florais em cruz, comuns em locais judaico-cristãos, e um fragmento de mármore de uma mesa de altar com sua pequena coluna de sustentação, indicando sua natureza cristã. Nela, provavelmente, estava a Mesa do Senhor, como em Nazaré e, como veremos, em Tabgha. Perto dela, Cristo participou das Bodas de Caná.Uma inscrição aramaica famosa fala de uma «tábula», referindo-se à ceia. O Anônimo Piacentino celebrou ali tanto a ceia pura quanto o ‘azkarat. Outras descobertas ocasionais permitiram reconstruir a história do monte Karm er Ras, habitado desde o período helenístico, onde foram encontrados elementos de uma segunda sinagoga e uma caverna onde os judeus oravam e dançavam. Presumivelmente, em Cana havia, portanto, dois bairros e duas sinagogas, uma judaica e outra judaico-cristã, como em outros lugares.# CalvárioAgora, concentremo-nos nos locais da Morte de Cristo, onde Maria também esteve presente, ou seja, o Gólgota com o Santo Sepulcro. N. Avgad identificou a porta atravessada por Jesus para alcançar o local do seu suplício, chamada Porta do Jardim. Ela se situava onde o Segundo Muro se separava do Primeiro e introduzia em um espaço entre eles, no canto, onde havia uma pedreira que protegia o Segundo Muro pelo oeste. Aqui, Herodes, o Grande, plantou um jardim, mas os operários deixaram intacto um bloco de pedra muito frágil, não nivelável, que era justamente o Gólgota, sobre o qual se acumularam vários detritos, transformando-o em uma colina em forma de crânio, de onde vem seu nome hebraico e latino (Calvário). Ao norte do Calvário havia um jardim privado com algumas sepulturas aristocráticas escavadas na rocha, entre as quais a de José de Arimateia tornou-se o sepulcro ocasional de Cristo. Este era escavado na rocha viva. Composto por um vestíbulo e uma câmara sepulcral com uma longa prateleira no nicho funerário, o sepulcro era fechado por uma pedra de forma circular, rolável ao longo de uma espécie de trilho.As sepulturas circundantes atestam a veracidade da localização: um cemitério com tumbas judaicas e sarcófagos. Uma tumba hoje sob o mosteiro copta. Uma área sepulcral sob a capela síria, hoje cortada ao meio pela Basílica constantiniana. Tais tumbas existiam antes de 42 d.C., quando Herodes Agripa I (37-44), incorporando-as na cidade com o Terceiro Muro, de fato impediu o surgimento de novos sepulcros. No tempo de Jesus, portanto, o Gólgota estava fora da cidade.Por um período, houve dúvidas sobre a localização exata do Calvário, mas estudos recentes o identificaram com o monte que hoje abriga a Basílica do Santo Sepulcro. A área foi escavada extensivamente, revelando várias camadas históricas.## Detalhes Históricos e Arquitetônicos– **Rotunda do Sepulcro:** Construída no século IV pelo Imperador Constantino, é um dos locais mais sagrados do cristianismo. A Rotunda é uma estrutura circular com mosaicos e colunas que dividem o espaço em duas capelas.– **Basílica constantiniana:** Erigida sobre o local onde se acredita que Jesus foi crucificado, enterrado e ressuscitou, a Basílica sobreviveu a várias destruições até ser danificada por El-Hakim em 1009. A planta atual é cruzada, correspondendo à igreja erigida e consagrada em 1149.– **Convento dos Cónegos do Santo Sepulcro:** Durante as Cruzadas, um convento foi construído ao lado da Basílica, que ainda permanece parcialmente de pé.– **Escavações e Fundações:** Ao redor do Calvário, foram realizadas escavações arménias e bizantinas, revelando fundações e estruturas históricas.## Significado TeológicoOs lugares históricos onde Cristo morreu, foi sepultado e ressuscitou, como Caná e o Calvário, são de profunda importância teológica. A Encíclica «Redemptoris Mater» do Papa João Paulo II destaca a presença e o papel de Maria nesses eventos, enfatizando a sua maternidade e intercessão.Para uma exploração mais aprofundada, recomendo consultar recursos como o *Dicionário Mariológico* sobre a presença de Maria em Caná e no Calvário, bem como a obra completa «Redemptoris Mater».
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