Een kerkelijke moederschap gericht op heiligheid


Uma Coincidência Particular
É bem conhecido que a proclamação do dogma da gloriosa Assunção de Maria ocorreu em 1º de novembro de 1950, durante um Ano Santo, no qual a Igreja, ao celebrar a solenidade de Todos os Santos, contempla a passagem das bem-aventuranças na versão de Mateus (cf. Mt 5,1-12). Passados 68 anos, encontramos o mesmo tema agora em diálogo e harmonia com a versão lucana (cf. Lc 6,20-23), servindo como inspiração para o documento do Papa Francisco sobre a santidade.As bem-aventuranças representam estilos de vida que nos introduzem na prática da conformação a Cristo, iniciada no Batismo, mas também são um terreno fértil para falar da Mãe do Senhor, a bem-aventurada fiel (cf. Lc 1,45). Neste sentido, não devemos esquecer o ensinamento conciliar segundo o qual Maria resume e reflete os valores fundamentais da fé. No nº 176 da *Gaudete et exsultate*, lemos que Maria “viveu como ninguém as bem-aventuranças de Jesus”, o que nos remete a uma categoria amplamente discutida: a de ‘modelo’, utilizada pelo Concílio Vaticano II ao comparar Maria à Igreja, no nº 63 da *Lumen gentium*.A Função do Modelo
A função de modelo deve ser entendida não em um esquema sócio-histórico (que tende a reduzir Maria à passividade ou submissão), mas sim no dinamismo histórico-salvífico, onde Maria é aquela que, ao colaborar com Deus e oferecer o Filho, recapitula todo sentido da existência humana, colocando o homem no horizonte da Revelação. Maria nos ajuda a compreender que a Páscoa não é um evento realizável pela humanidade, pois está inserida em “nada é impossível para Deus” (Lc 1,37), ou seja, na sua benéfica onipotência.Chamado à Santidade e Maria
O chamado à santidade torna-se visível através de Maria, que se qualifica como mãe e imagem da Igreja, um chamado que, embora seja um dom de Deus, encontra suas raízes na vida cotidiana e produz frutos nela. No nº 16 da Exortação Apostólica *Gaudete et exsultate*, confirmamos esta ideia com uma cena da vida comum, expressa com a simplicidade característica do atual Pontífice: “Uma senhora vai ao mercado fazer as compras, encontra uma vizinha e começa a conversar, surgem críticas. Mas essa mulher diz para si mesma: ‘Não, não falarei mal de ninguém’. Esse é um passo rumo à santidade. Depois, em casa, seu filho pede que ela lhe fale de suas fantasias e, mesmo cansada, ela se senta ao lado dele e o escuta com paciência e afeto. Eis outra oferta que santifica” (francisco, *Gaudete et exsultate*, nº 16).Ao ouvir atentamente e com engajamento ativo a palavra de Deus, Maria adere também a outro tipo de escuta: Maria acolhe a Palavra que nela faz morada. Além disso, Maria ouve a voz da Igreja que lhe se dirige. Santificação e maternidade estão, portanto, muito próximas: ambas fazem brotar uma novidade, talvez não imediatamente percebida pela humanidade, mas que frutifica.O Chamado de Deus e Sabedoria
O chamado de Deus revela um fundo de sabedoria mais sábio que a genialidade humana presumida, tudo sob o signo da exultação suscitada por Deus. Maria exulta em Deus com seu Magnificat, mas também a multidão exulta quando Jesus passa, beneficiando e curando toda sorte de enfermidades (cf. Lc 13,17). Exultarão ainda os discípulos após a tristeza da Crucificação, humanamente considerada um fracasso.Deus sábio escolhe para si uma sede humilde, Maria, que assim é elevada. Na iconografia, frequentemente vemos Madonnas entronizadas com o Menino divino em seus joelhos, no gesto da oferta. Esta é mais uma prova do amor que Deus tem pela humanidade. Através de nossa condição de criaturas e de nossa vida cotidiana, Ele manifesta sua grandeza, e este comportamento encontra sua primeira expressão na criação daquele/a que fez à sua imagem e semelhança, direcionando todos os seus atributos paternos e maternos para a humanidade. Estes mesmos atributos transparecem nas bem-aventuranças.Bem-aventuranças e Atitudes Maternas
As bem-aventuranças, em sua totalidade, constituem o núcleo do documento do Papa Francisco, além de representarem a identidade do santo através desses estilos de vida que, em última análise, brotam do amor. Elas se contrapõem aos perigos mais prejudiciais para o cristão: a soberba do pensamento (gnosticismo) e a ação (pelagianismo). As bem-aventuranças apresentam-se como uma possibilidade oferecida ao ser humano de manter-se saudavelmente ligado a dois mistérios: o de Deus (pois têm nele sua origem) e o do homem (pois abrem ao próximo).O Papa Francisco, referindo-se ao texto de Mateus, destaca oito bem-aventuranças nas quais podemos vislumbrar elementos marianos. Escolhemos duas bem-aventuranças que possuem um sentido amplo e que nos permitem aproximar a maternidade da santidade:– “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia” (Mt 5,7). – “Bem-aventurada a mãe do Senhor” (Lc 1,48).Maria, Modelo de Maternidade Eclesial
Ao considerar atentamente a pessoa de Maria e seu ser-agir como “nova mulher”, tornamo-nos capazes de acessar um estatuto de santidade que não se abstrai do mundo, mas nos torna participantes de suas realidades. Maria, segundo a Exortação *Gaudete et exsultate*, “nos mostra o caminho da santidade e nos acompanha. Ela não permite que, ao cairmos, permaneçamos prostrados. E, por vezes, nos carrega nos braços sem nos julgar” (*Gaudete et exsultate*, nº 82).Em nosso viver, olhando com veneração para aquela que é modelo de discipulado e pedindo que nos sustente nas diversas dificuldades, somos chamados a trilhar – não com palavras vazias, mas com obras iluminadas pela fé – o caminho do compromisso amoroso para com Deus, o próximo e o cosmos. Esta é também santidade.Para aprofundar o tema, recomendamos explorar: – Mariologia – Teologia Mariana – Aparições Marianas – Pós-Graduação em MariologiaPara uma compreensão mais profunda da maternidade eclesial de Maria, consulte a Encíclica *Redemptoris Mater* do Papa João Paulo II.Postgraduaat in Mariologie
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