O ano litúrgico


Ao longo desta semana, discorreremos sobre o ano litúrgico, de modo que possamos compreender a divisão que temos ao longo de 12 meses para celebrarmos os mistérios da vida de Cristo. O ano litúrgico celebra e anuncia a acção amorosa de Deus pela humanidade, realizando um caminho na história que nos leva a contemplar o ápice do amor que se dá na encarnação do Verbo e na revelação da vida íntima de Deus em Jesus Cristo.

Um princípio importante é reconhecermos que Deus se revela à humanidade ao longo da história, e com ela estabelece uma comunicação, criando um relacionamento com a pessoa humana, manifestando o seu projecto divino de salvação. Projecto esse que foi desenvolvido através dos acontecimentos que culminaram na cruz e ressurreição de Jesus, cuja manifestação da sua glória nós esperamos.
A aliança que foi estabelecida ao longo dos tempos é actualizada para os fiéis através da liturgia da Igreja Católica, de modo que a salvação pode ser comunicada a todos os homens. O conjunto das festas em que a Igreja celebra anualmente os mistérios da vida de Jesus, ou a celebração do mistério de Cristo no ritmo do tempo e da história, é visto como a tradução ritual, entendida como sacramento global, de acordo com os tempos actuais e a situação da própria Igreja.
Inseridos no tempo, medidos em anos e dias, os sacramentos e as festas estruturam um tempo de salvação. Ou seja, a comunicação de Deus com o seu povo não só é actualizada, mas vivenciada de forma real e concreta pelo povo de toda a Igreja. Aquele mesmo evento anunciado há séculos, e que revelou o projecto de salvação de Deus para a humanidade, estende-se até os dias actuais e transmite a mesma graça, diferenciando apenas o modo e a intensidade. E é dessa realidade que nasce o ano litúrgico.
São Marsili escreve: «o ano litúrgico outra coisa não é do que o momento no qual ‘o todo’ da história da salvação, isto é, Cristo em suas diversas projecções temporais de passado-presente-futuro, é levado a determinado grupo humano no tempo determinado (kairós) no espaço de um ano. Nesse sentido, o tempo litúrgico nada mais faz do que enfatizar o valor de síntese que é próprio da linha temporal do espaço da salvação».
O entendimento da reforma litúrgica passa pelo princípio de que ela não se limita a uma simples actualização, pois foi realizada através da teologia, que requer a exposição dos princípios que regem o ano litúrgico precedida pela colocação dos seus fundamentos bíblicos ou da própria história (desde o seu nascimento e o seu desenvolvimento através das épocas culturais). Se esses dados não são estabelecidos desde o início, tendem a gerar uma perda de significado quanto ao valor que a liturgia possui enquanto síntese temporal da história da salvação, gerando também a perda de sentido em relação aos ciclos dos tempos litúrgicos.

Somente com uma visão autêntica da doutrina da história é que se pode dar a razão das festas cristãs. Bem como a dimensão e fisionomia das festas marianas, que estão harmonizadas com todo o sistema e dependem desse facto central, que é a compreensão de toda a história da salvação. Apreendendo esse grande evento, será possível descobrir o sentido da liturgia e do ano litúrgico.
Estando às portas do Advento, queremos saber qual tempo litúrgico mais interessa ao leitor.
Para compreender o lugar de Maria no Ano Litúrgico, consulte a exortação apostólica Marialis Cultus de Paulo VI, documento fundamental sobre o culto mariano na liturgia da Igreja.
Aprofunde seus estudos: explore Mariologia, Teologia mariana, aparições marianas e a Pós-Graduação em Mariologia.
Pós-Graduação em mariologia
Quer aprofundar a sua formação em Mariologia? Conheça a Pós-Graduação em Mariologia da Locus Mariologicus, uma formação académica que une rigor teológico, vida espiritual e tradição viva da Igreja.
Lindo
Olá, todos os tempos, Advento, Natal, Quaresma, Tempo Pascal e o Tempo Comum todos são estupendo….mas o que em particular pra mim é 40 dias de preparação para fazer Páscoa está passagem…. é o Centro!
A apropriação dos conhecimentos sobre ” O Ano Litúrgico” sempre considerei de grande relevância , por meio da vivência deste tempo, como discípulos e missionários da Boa Nova de Jesus Cristo, contribuímos para tornar presente o Amor de Deus no Mundo.
O Tempo da Páscoa, mas me chama muito a atenção o Tempo Comum