Paulo VI – em maio, christi matri rosarii et recurrēns mensis octobris: rosário pela paz

Paulo VI (1963-1978) é o papa do Vaticano II e dos seus desafios pastorais. Antes da grande exortação mariana Marialis Cultus (1974), publicou três encíclicas marianas mais breves que mostram como o seu pontificado convocou a devoção mariana para os grandes problemas mundiais: a paz no Vietnam (1965-1966) e a paz universal.

PapaBeato Paulo VI (Giovanni Battista Montini, 1963-1978)
DocumentosMense Maio (1965) | Christi Matri Rosarii (1966) | Recurrens Mensis October (1969)
TemaRosário e Maria pela paz mundial

Mense maio (29 de abril 1965)

A encíclica Mense Maio, publicada vésperas do mês de maio de 1965, foi a primeira encíclica mariana de Paulo VI. O contexto era duplo: a guerra do Vietnam recrudescia (operação Rolling Thunder iniciada em fevereiro de 1965) e o Concílio entrava no seu último e decisivo período (sessão de 1965, que aprovaria Lumen Gentium, Dei Verbum, Gaudium et Spes).

«Mensis Maius, qui Beatae Mariae Virgini sacer est, hoc anno toto orbe Christiano, fervidiore quam alias studio in Eius cultum vertendus est, ut pacis a Deo Patre per intercessionem Mariae Matris obtineamus»

O mês de maio, consagrado à bem-aventurada Virgem Maria, este ano deve ser dedicado em todo o mundo cristão com fervor mais intenso que nos outros anos ao seu culto, para que obtenhamos de Deus Pai, pela intercessão de Maria Mãe, a paz.

Paulo VI pede dois objectivos para o mês de maio: orar pelo bom êxito da última sessão conciliar (que abriria em 14 de setembro), e implorar a paz no Vietnam e em todos os conflitos mundiais.

Christi matri rosarii (15 de setembro 1966)

Esta encíclica, publicada um ano após o encerramento do Concílio (8 de dezembro 1965), é dedicada explicitamente ao Rosário pela paz no Vietnam. Paulo VI convoca toda a Igreja a rezar o Rosário durante o mês de outubro pela paz no Vietnam:

«Aeris turbines undique nos circumstant, atque pacis et concordiae spes nondum redditur. Hoc graviore in periculo, ad Christi Matrem confugimus, ad eam quam totus orbis Christianus appellat «Reginam pacis»»…

, Tempestades nos cercam por todos os lados, e a esperança da paz e da concórdia ainda não volta. Neste perigo mais grave, recorremos à Mãe de Cristo, aquela que todo o orbe cristão chama «Rainha da Paz»…

O documento é célebre pelo seu contexto: foi escrito em paralelo com a Signum Magnum (13 de maio 1967, já com post próprio em /signum-magnum/), formando uma tríade mariana sobre Maria Rainha da Paz e modelo das virtudes.

Recurrens mensis october (7 outubro 1969)

Publicada na festa de Nossa Senhora do Rosário, esta encíclica retoma os temas de Christi Matri Rosarii três anos depois. Paulo VI volta a pedir o Rosário pela paz, agora alargando o pedido a todos os conflitos do mundo (a guerra do Vietnam continuava, e a Guerra Fria estava no auge):

«Quotidie Rosarium recitate; numquam deflectatis ab ea consuetudine, quam plurimi Sancti, plurimi Romani Pontifices, vobis exemplo et institutionibus suis tradiderunt»

, Recitai o Rosário diariamente. Nunca vos afasteis desse costume que muitíssimos Santos, muitíssimos Romanos Pontífices vos transmitiram pelo exemplo e pelos seus ensinamentos.

Da mense maio a marialis cultus

Estas três encíclicas (1965, 1966, 1969) preparam directamente a grande exortação apostólica Marialis Cultus de 1974, que é a síntese definitiva da mariologia de Paulo VI. Mostram como a devoção mariana, longe de declinar após o Concílio, foi reproposta pelo próprio papa do Concílio para os grandes problemas existenciais e políticos do tempo.

Leitura complementar

Mariologia | Marialis Cultus | Signum Magnum | Evangelii Nuntiandi | Rosarium Virginis Mariae

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