Chwała i łaska: słownictwo biblijne, teologia Pawła i Łk 1,28

# A graça
A graça é o favor e auxílio gratuito que Deus nos dá para respondermos ao seu chamado e nos tornarmos seus filhos (cf. Catecismo, n.º 1996). É uma participação na própria vida de Deus – dom sobrenatural e inteiramente livre. No vocabulário bíblico, expressa-se pelo hebraico *ḥen* e *ḥesed*, e pelo grego *cháris*. Alcança sua expressão máxima na saudação do anjo a Maria: *kecharitōménē*, “cheia de graça” (Lc 1,28).
## Vocabulário bíblico da graça
O vocabulário bíblico da graça abrange duas camadas linguísticas: o hebraico *ḥen* e *ḥesed* no Antigo Testamento, e o grego *cháris* e *kecharitōménē* no Novo Testamento. A análise semântica destes termos é a porta de entrada para a teologia paulina e para a exegese de Lc 1,28, a saudação do anjo a Maria, que contém a forma verbal mais intensa de graça em toda a Escritura.
## *Cháris* (χάρις): semântica, usos e variações no grego neotestamentário
A palavra grega para “graça” é *cháris* (*χάρις*). É o termo central da teologia paulina e joânica, traduzida em português por “graça”, e abrange um vasto campo semântico: dom gratuito de Deus, favor divino, beleza que atrai, gratidão pelo bem recebido. Etimologicamente, *cháris* denota aquilo que causa alegria (*chará*), aquilo que é atraente, belo, agradável. No entanto, no uso bíblico, especialmente em Paulo e João, o termo adquire uma carga teológica que vai muito além da etimologia: designa a iniciativa absolutamente livre e gratuita de Deus de comunicar-se ao homem em Cristo.
### *Cháris* no Novo Testamento: dom sobrenatural em Jo 1,14-16 e 2Cor 12,9
A forma mais comum e tecnicamente precisa de *cháris* no Novo Testamento é o sentido de dom sobrenatural de Deus ao homem. João escreve: “A Palavra se fez carne e habitou entre nós, cheia de graça e de verdade. … Da sua plenitude todos nós recebemos, graça sobre graça” (Jo 1,14-16). Paulo, por sua vez, confessa: “Basta-me a minha graça, pois é na fraqueza que o poder se realiza plenamente” (2Cor 12,9).
A partir deste núcleo, *cháris* ramifica-se em vários sentidos complementares no corpus neotestamentário:
– **Favor da nova economia cristã:** “Não estais sob a Lei, mas sob a graça” (Rm 6,14). “Se a justiça vem pela Lei, então Cristo morreu por nada” (Gl 2,21).
– **Favor externo da providência:** “Nisto consiste a graça: sofrer injustamente, suportando as aflições, com a consciência da presença de Deus” (1Pd 2,19).
– **Ajuda divina na missão:** “Paulo … partiu, recomendado pelos irmãos à graça do Senhor” (At 15,40).
– **Favor divino em si mesmo, fonte de toda a graça:** “Não tenhas medo, Maria! Encontraste graça junto a Deus” (Lc 1,30). “A graça de Deus estava com ele” (Lc 2,40).
– **Beleza e atractividade:** “Todos testemunhavam a favor dele, maravilhados com as palavras cheias de graça que saíam da sua boca” (Lc 4,22). “A vossa conversa seja sempre agradável, com uma pitada de sal” (Col 4,6).
– **Gratidão pelo favor recebido:** (*chárin échein*, “dar graças”, “ser agradecido”) – o reconhecimento do dom recebido como resposta ao favor divino.
Como se vê, dois pontos percorrem todos estes sentidos: a absoluta gratuidade de Deus, que dá sem dever nada, e a necessária resposta do homem, que acolhe o dom ou o recusa.
## O hebraico *ḥen* na LXX: “encontrou graça aos olhos de” e sua transição semântica para o grego *cháris*
No Antigo Testamento, *cháris* não existe no seu sentido técnico neotestamentário. No entanto, na versão grega dos LXX (*Septuaginta*), *cháris* serve para traduzir a palavra hebraica *ḥen*, que significa charme, atractivo, favor. A expressão típica é: “encontrou graça aos olhos de [alguém]” (*māṣāʾ ḥen be-ʿênê*):
– “Noé encontrou graça aos olhos do Senhor” (Gn 6,8).
– “Não temas, Moisés, pois encontraste graça aos meus olhos” (Ex 33,17).
O substantivo *ḥen* está ligado ao verbo *ḥānan* (ser agradável, gentil, compassivo), que normalmente tem Deus como sujeito: “A quem mostro o meu favor, eu o mostro” (Ex 33,19). Neste sentido, a graça veterotestamentária aponta para a iniciativa soberana e gratuita de Deus, que escolhe comunicar-se com o homem não por mérito deste, mas por benevolência livre.
Na tradução dos LXX, *cháris* traduz também *raḥămîm* (ternura, compaixão), *rāṣôn* (amor benevolente) e, por vezes, *ḥesed*. Este último, contudo, foi traduzido sobretudo por *éleos* (misericórdia), que expressa a fidelidade de Deus mesmo quando Israel é infiel. Precisamente porque Deus entrou em Aliança por pura misericórdia, e não deve nada aos homens, *éleos* e *cháris* pertencem ao mesmo horizonte semântico da gratuidade divina.
## “Cheia de graça” (Lc 1,28): o fundamento mariológico da graça
A graça de Deus encontra em Maria a sua expressão mais perfeita e singular. A saudação do anjo, “Salve, cheia de graça (*kecharitōménē*)” (Lc 1,28), usa uma forma verbal perfeita passiva: Maria não é apenas “favorecida” num momento, mas encontra-se em estado permanente de ter sido agraciada por Deus. O perfeito grego expressa um estado presente resultante de uma ação passada: Maria é, desde sempre e de modo pleno, a agraciada por excelência. É neste contexto que a tradição teológica compreendeu o dogma da Imaculada Conceição: a graça que enche Maria não é apenas pontual, mas constitutiva da sua pessoa desde o primeiro instante da sua existência.
Para aprofundar a relação entre graça e Maria na economia da salvação, recomenda-se a leitura da encíclica *Redemptoris Mater* de São João Paulo II.
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## Co to jest łaska?
Łaska to dar i pomoc, którą Bóg daje nam bezpłatnie – udział w Jego własnej życiu boskim, który święci nas i czyni z nas synów Bożych.
## Co oznacza “pełna łaski”?
Wyrażenie “pełna łaski” (greckie: kecharitōménē) pochodzi z Ewangelii Łukasza 1,28 i wskazuje na pełną i trwałą łaskę – fundament wyjątkowej świętości Maryi.
## Jaka jest różnica między łaską a naturą?
Łaska jest nadprzyrodzona; nie wynika z naszej natury ludzkiej, ale jest darmowym darem Boga, który podnosi naszą naturę do wspólnoty z Nim.
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