Vaticano II – referências marianas nos demais documentos: christus dominus, AA, AG, OT, PC, PO

Para além dos quatro grandes documentos marianos do Vaticano II já com posts próprios (LG, SC, DV, GS), seis outros documentos do Concílio contêm referências marianas significativas que enriquecem a mariologia conciliar nas suas dimensões pastoral, missionária, apostólica e formativa.

ConcílioVaticano II (1962-1965)
Documentos analisadosChristus Dominus | Apostolicam Actuositatem | Ad Gentes | Optatam Totius | Perfectae Caritatis | Presbyterorum Ordinis
TemaMaria nas dimensões pastoral, missionária, apostólica e formativa

Christus dominus n. 12, Maria e os bispos

O Decreto sobre o ministério pastoral dos Bispos contém uma referência mariana no capítulo sobre o tríplice munus episcopal:

«Episcopi… Beatissimam Virginem Mariam, in qua eorum christianum recte gerere et veram Christi imaginem ostendere debent, sequi debent ut modello et magistra»

Os Bispos devem seguir a Beatíssima Virgem Maria, na qual devem governar correctamente e mostrar a verdadeira imagem de Cristo, como modelo e mestra. (CD 12)

Maria é proposta como modelo para os bispos no exercício do seu tríplice munus (ensinar, santificar, governar). Esta perspectiva é original no magistério conciliar.

Apostolicam actuositatem n. 4, Maria nos leigos apóstolos

O Decreto sobre o apostolado dos leigos termina com uma seção mariana extensa que dialoga com Christifideles Laici:

«Maria Virgo, regina apostolorum, pio cordis affectu apostolatum laicorum tueatur, eumque pluribus muneribus dignos efficiat, ut sicut ipsa cum apostolis perdita perfecit, ita nunc ipsa cum laicis christianis conveniat in Cenaculo, descendens Spiritus Sanctus»

A Virgem Maria, Rainha dos apóstolos, com piedosa afeição do coração proteja o apostolado dos leigos, e o torne digno de muitas honras, para que assim como ela com os apóstolos completou a obra, agora ela mesma se reúna com os leigos cristãos no Cenáculo, descendo o Espírito Santo. (AA 4)

Ad gentes n. 42, Maria nas missões

O Decreto sobre a atividade missionária da Igreja contém uma referência mariana no seu capítulo conclusivo:

«Patres synodales una cum omnibus episcopis fratres in fide, qui ad summum coronam intercessionis pro mundi salute… ad Beatam Mariam Virginem confugiamus, Reginam apostolorum, ad missiones omnes orbis terrarum tutelandas et fomentandas»

Os Padres conciliares, juntamente com o Romano Pontífice, pedem a Deus que, por intercessão da Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos, os povos sejam quanto antes conduzidos ao conhecimento da verdade (cf. 1Tm 2,4) e a glória de Deus resplandeça no rosto de Cristo (cf. 2Cor 4,6). (AG 42)

Maria como Rainha dos missionários e padroeira de toda a atividade missionária da Igreja: tradição antiga reafirmada pelo Vaticano II.

Optatam totius n. 8, Maria na formação sacerdotal

O Decreto sobre a formação sacerdotal contém o texto do Vaticano II que mais influência teve sobre os seminários e a formação mariana dos futuros sacerdotes:

«Magna fiducia ad Beatissimam Virginem Mariam, Matrem boni consilii, sacerdotum vitae spiritualis confiderent, sequentes patres antiqui qui ipsis huius singularis matris inspectu duxerunt»

Amem e venerem com filial confiança a Beatíssima Virgem Maria, que Jesus Cristo, ao morrer na cruz, deu como mãe ao discípulo. (OT 8)

Esta passagem foi expandida em Pastores Dabo Vobis (1992): vinte e sete anos depois, João Paulo II desenvolveu o que o Concílio aqui apenas insinuou.

Perfectae caritatis n. 25, Maria na vida religiosa

O Decreto sobre a renovação da vida religiosa termina com uma seção mariana que fundamenta a tradição das ordens religiosas marianas:

«Religiosi viri ac mulieres ad Beatissimam Virginem confugiunt, Matrem Christi et Matrem Ecclesiae, ut ipsa eorum sit dux, exemplum et adiutrix in via consecrationis perfectae caritatis»

O Concílio conclui o decreto confiando os religiosos à intercessão da dulcíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, «cuja vida é norma para todos». (PC 25, citando Santo Ambrósio)

Presbyterorum ordinis n. 18, Maria nos sacerdotes

O Decreto sobre o ministério e a vida dos presbíteros termina com uma seção mariana que é a fundamentação bíblica e tradicional do amor mariano dos presbíteros:

«Beatissimam Mariam Virginem, Matrem Christi sacerdotis aeterni, Reginam apostolorum, implorent presbyteri, et ipsius cultus tener atque filialiter colatur»

Os presbíteros invoquem a protecção da Beatíssima Virgem Maria, Mãe de Cristo Sacerdote Eterno, Rainha dos apóstolos, e cultivem o seu culto com ternura e piedade filial. (PO 18)

Síntese: mariologia pastoral do Vaticano II

Considerados em conjunto com os quatro documentos marianos magnos do Concílio, estes seis documentos completam a mariologia conciliar, mostrando que Maria não foi tratada apenas em Lumen Gentium cap. VIII como questão dogmática, mas como presença pastoral viva em todas as dimensões da vida da Igreja: dos bispos aos leigos, dos missionários aos religiosos, dos sacerdotes aos seminários.

Leitura complementar

Lumen Gentium cap. VIII | Sacrosanctum Concilium | Dei Verbum | Gaudium et Spes | Pastores Dabo Vobis

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