Hätte Maria nein sagen können?

Maria poderia ter dito não?
# Maria, a mulher verdadeiramente livreMaria vive e realiza sua liberdade ao entregar-se a Deus e acolher o dom de Deus. Os Sumos Pontífices repetidamente apresentaram Maria de Nazaré como a expressão suprema da liberdade humana na cooperação do ser humano com Deus, que, no sublime evento da encarnação do Filho, confiou ao ministério livre e ativo de uma mulher. A convergência entre os dados da fé e os dados das ciências antropológicas, quando estas voltaram sua atenção para Maria de Nazaré, tornou mais claro que a Virgem é ao mesmo tempo a mais alta realização histórica do Evangelho e a mulher que, por seu domínio de si mesma, senso de responsabilidade, abertura aos outros, espírito de serviço, força e amor, realizou-se mais plenamente no plano humano. Toda a vida de Maria foi um “sim” livre, corajoso e confiante a Deus. Neste “sim”, podemos descobrir o segredo de sua liberdade e, portanto, de sua humanidade plenamente realizada.Como afirmou Bento XVI: “ao apresentar-se em total dependência de Deus, Maria expressa na verdade uma atitude de plena liberdade, fundamentada no pleno respeito por sua dignidade”. O “sim” de Maria nasce da reflexão profunda e consciente dentro de sua consciência. A partir desta reflexão, surge seu “eis-me aqui”, totalmente livre à Palavra de Deus, compreendida e, portanto, aceita. O próprio Pontífice escreve: “ela fala e pensa com a Palavra de Deus. A Palavra de Deus torna-se sua palavra, e sua palavra nasce da Palavra de Deus. Assim, também se revela que seus pensamentos estão em sintonia com os pensamentos de Deus, que sua vontade é uma vontade em conjunto com Deus. Sendo intimamente penetrada pela Palavra de Deus, ela pode tornar-se mãe da Palavra encarnada”.Esta constante meditação ajuda Maria a superar sua própria individualidade e a abrir-se para a compreensão e aceitação do plano misterioso de Deus que a quer, ao lado de Cristo, como Mãe, Companheira e Discípula, confiando-lhe uma missão universal. Maria torna-se cada vez mais consciente de que cada um de seus atos e escolhas envolve toda a humanidade, e é nessa consciência que está o próprio fundamento de sua liberdade, plena realização, glorificação e realeza. Na experiência de vida de Maria, portanto, descobrimos o encontro pleno entre duas liberdades: a expressão mais alta e autêntica da liberdade humana, ou seja, a liberdade de escolher definitivamente o caminho da Verdade, e a manifestação mais surpreendente da liberdade divina que expressa o profundo e ardente desejo de Deus de estabelecer, em Cristo, uma relação de amizade com o homem.Testemunhamos a maravilhosa e inefável fusão de dois “sim”, o divino e o humano, cujo fruto é a plenitude da nova vida em Cristo, o Deus-Homem do eterno “sim”. Jesus de Nazaré é o fruto da absoluta liberdade de Deus que, em sua infinita bondade, decidiu estabelecer com sua criatura uma relação de amizade. O “sim” de Maria insere-se naquele “sim” definitivo e fundador que é a salvação de Cristo, como nos lembra São Paulo: “O Filho de Deus, Jesus Cristo, que pregamos entre vós, não foi ‘sim’ e ‘não’, mas nele houve o ‘sim'”. A liberdade de Maria e a verdadeira humanidade nascem deste encontro: a humanidade realizada.## Maria, paradigma de racionalidade, liberdade e féNo Apontamento Encíclico *Redemptoris Mater*, o Papa João Paulo II escreve: “Totalmente dependente de Deus e inteiramente orientada para Ele pelo impulso da fé, Maria, ao lado de seu Filho, é o ícone mais perfeito da liberdade e libertação da humanidade e do cosmos”. Em Maria, a verdadeira mulher, inocente e livre de qualquer alienação, brilham juntas as qualidades sinceras da verdadeira humanidade e da verdadeira fé, que cada ser humano, chamado ao renascimento em Cristo, onde o plano original de Deus para sua criatura se traduz em realidade, deve possuir e praticar.A Revelação de Deus, que chama para a verdadeira plenitude, impulsiona o homem e a mulher a realizar sua libertação seguindo o exemplo do “sim” da Mulher de Nazaré. Fazendo ecoar um “sim” idêntico em suas vidas, eles descobrem, como Pascal afirmou corretamente, que “o homem supera infinitamente o homem”, que os anseios mais profundos de seus corações são ilimitados e que ele é feito para viver na liberdade de Deus, que é o Amor de Deus em si mesmo. Respondendo a Deus com seu ato consciente de liberdade, como Maria fez, o ser humano encaminha-se para sua realização plena e completa, voando com asas da fé e da razão em direção ao pleno conhecimento da Verdade.A liberdade humana é o poder do homem de autodeterminar-se, de ser o autor de suas próprias ações, respondendo à atração dos valores que o aperfeiçoam, o realizam plenamente como espírito e no mundo. A essência da liberdade é poder caminhar em direção à plenitude do Bem, aderir a ele, amá-lo sem restrições externas e internas. No confronto com o Bem, a liberdade encontra-se em seu elemento, alcança sua plena realização, reconhece a si mesma plenamente. Afastando-se dessa perspectiva de realização plena, o homem não é mais livre, mas autodestrói-se, não se realiza, não atinge sua plenitude.O homem contemporâneo, sobrecarregado pelo subjetivismo, parece incapaz de compreender e viver sua verdadeira liberdade dessa maneira. Seu conceito de liberdade, de fato, reivindica a absolutização do eu, ou seja, a capacidade de bastar-se a si mesmo, prevalecer sobre os outros e não mais precisar de Deus. Maria ensina que não é na divinização da subjetividade que encontramos nossa verdadeira liberdade, mas sim no confronto aberto e consciente com o Outro, tornando-se Parceiro compreendido e aceito para um autêntico diálogo de vida. Diante dos muitos mal-entendidos modernos sobre o que é e onde reside a liberdade, Maria mostra-nos uma visão serena e uma palavra tranquilizadora: a vitória da esperança sobre a angústia, da comunhão sobre a solidão, da paz sobre a perturbação, da alegria e da beleza sobre o tédio e a náusea, das perspectivas eternas sobre as temporais, da vida sobre a morte.## ConclusãoQue Maria, a verdadeira mulher, imagem do mundo feminino, ajude as mulheres e homens de nosso tempo, nesta árdua transição de uma era antropológica para outra, a não se perderem no vazio, mas a saberem encontrar os caminhos certos para abrirem-se ao conhecimento de Deus e interpretarem a vida com as categorias delicadas e fortes, conscientes e decididas de sua feminilidade. Neste mundo tão superficial, marcado pela intempérie e pelas distorções da razão, Ela, Virgem da manhã, na qual tudo é humanidade e tudo é fé, tudo é meditação e tudo é resposta, acompanhe-nos ao longo das curvas de nossa vida, além dos abismos do nada e transforme-nos em pessoas verdadeiramente livres, em direção ao esplendor da Luz da Verdade.Para aprofundar a reflexão teológica sobre o livre consentimento de Maria na Anunciação, consulte a Encíclica *Redemptoris Mater* do Papa João Paulo II.

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