Powiedział Pan do mnie: Maryjo, córka Dawida i Matka Pana.

Dixit dominus domino meo: Maria, filha de David e mãe do Senhor

# Dixit Dominus: A Mariologia à Luz do Salmo 110

## Introdução

O texto bíblico de Marcos 12,36 (Mc 12,36; Mt 22,44; Lc 20,42-43; At 2,34-35; Heb 1,13; 5,6; 7,17) apresenta uma citação do Salmo 110, onde se lê: “Diz o Senhor ao meu Senhor: ‘Senta-te à minha direita até que eu ponha os teus inimigos por escabelo sob os teus pés'”. (Sl 110,1). Esta passagem é central na teologia mariana, especialmente no que diz respeito à natureza divina de Maria e ao seu papel como Mãe do Senhor.

## O Paradoxo Cristológico

Jesus, em sua resposta a uma série de perguntas de seus adversários, levanta uma questão profunda sobre a identidade cristológica: como o Messias pode ser simultaneamente filho de Davi (origem humana) e Senhor de Davi (origem divina)? Esta questão, conhecida como “Dixit Dominus” (Diz o Senhor), é refletida no Salmo 110. A resposta não nega a filiação davídica do Messias, mas destaca o paradoxo fundamental:

– **Filiação Davídica:** O Messias é filho de Davi, herdando sua linhagem e herança.
– **Senhoria Divina:** O Messias é Senhor de Davi, tendo autoridade sobre ele e sobre todos os inimigos.

## Maria, Filha de Davi e Mãe do Senhor

A tradição cristã interpreta o Salmo 110 como uma profecia messiânica e escatológica. A fórmula inicial “Diz o Senhor ao meu Senhor” apresenta duas senhorias: Deus de Israel dirigindo-se a alguém que David também chama de “meu Senhor”. Esta interpretação leva à compreensão de que Maria, sendo descendente de Davi, gerou o Senhor que David reconheceu como superior.

A Carta aos Hebreus (Heb 5,6; 7,1-28) desenvolve a ideia do Messias como Rei e Sacerdote, unindo as dimensões real e sacerdotal do Messias. A Mãe do Messias-Rei é chamada de “Rainha Mãe” (Gebirah), enquanto a Mãe do Messias-Sacerdote participa da sua obra sacerdotal.

## O Título Mater Domini e o Teotokos

Com base no Salmo 110, o Concílio de Éfeso (431) definiu Maria como *Theotokos*, ou Mãe de Deus. Esta definição reconhece que Jesus, sendo plenamente divino, é ao mesmo tempo plenamente humano por meio de Maria. O paradoxo de Mc 12,35-37 encontra sua resolução na Encarnação:

– **Humanidade:** Maria é a mãe do Filho de Davi, recebendo a humanidade em seu seio.
– **Divindade:** O Filho, sendo Deus feito homem, é o Senhor que David antecipou no Salmo 110.

## Maria Rainha à Direita do Pai

A glória escatológica de Maria está ligada à posição “à direita” do Pai, como descrita no Credo Niceno. Esta imagem é refletida no quinto mistério glorioso do Rosário, a Coroação de Maria. A iconografia medieval e renascentista retrata Maria coroada, simbolizando sua participação na glória do Filho.

A mariologia real não compete com a cristologia, mas a expressa. Maria, como Rainha Mãe, intercede junto ao Rei Filho, refletindo a autoridade da Igreja que intercede em nome da humanidade. O Tempo Comum, ao prolongar-se sem os picos pascais ou natalícios, convida os cristãos a viverem como aqueles sentados à direita, com a dignidade e autoridade derivadas da filiação divina.

## Referências Bibliográficas

– Concílio de Éfeso, *Actas* (431).
– João Paulo II, *Redemptoris Mater*, n. 8-11 (1987).
– R. Brown, *The Birth of the Messiah*.
– J. Gnilka, *Das Evangelium nach Markus*, vol. II.
– A. Serra, *Maria e la Parola di Dio*.

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