João Paulo II – onore a Maria (Carta da Quinta-Feira Santa de 1995): a mulher na vida do sacerdote

A Carta de Quinta-feira Santa de 1995 do Papa São João Paulo II aos sacerdotes, intitulada «Onore a Maria», é dedicada à importância da mulher na vida do sacerdote. O texto começa com palavras de um canto mariano polaco que JP2 cantava desde a infância: «Onore a Maria, onore e glória, onore alla Santa Vergine». Texto no Enchiridion Vaticanum vol. 14, parágrafos 2518ss.

ColecçãoEnchiridion Vaticanum vol. 14, parágrafos 2518ss
PapaSão João Paulo II
DocumentoCarta aos Sacerdotes para a Quinta-feira Santa de 1995
Data25 março 1995 (festa da Anunciação)
TemaA importância da mulher na vida do sacerdote
FonteAAS 87 (1995) 793-803

Início do texto, n. 2518 (Italiano)

«Onore a Maria, onore e glória, onore alla Santa Vergine! Colui che creò il mondo meraviglioso in Lei onorava la propria Madre. L’amava come Madre, visse nell’obbedienza. Benché fosse Dio, rispettava ogni sua parola».

Cari Fratelli nel sacerdozio!

Não se surpreendam se começo esta Carta, que tradicionalmente vos dirijo por ocasião da Quinta-Feira Santa, com as palavras de um cântico mariano polaco. Faço-o porque este ano desejo falar-vos sobre a importância da mulher na vida do sacerdote, e estes versos, que cantava desde criança, podem constituir uma significativa introdução a tal temática.

Tradução portuguesa, n. 2518

«Honra a Maria, honra e glória, honra à Santa Virgem! Aquele que criou o mundo maravilhoso, n’Ela honrava a própria Mãe. Amava-a como Mãe, viveu na obediência. Embora fosse Deus, respeitava cada palavra dela».

Caros Irmãos no sacerdócio!

Não vos espanteis se inicio esta Carta, que tradicionalmente vos dirijo na ocasião da Quinta-feira Santa, com as palavras de um canto mariano polaco. Faço-o porque este ano desejo falar-vos da importância da mulher na vida do sacerdote, e estes versos, que cantava desde criança, podem constituir uma significativa introdução a esta temática.

O vínculo sagrado, n. 2519

O canto evoca o amor de Cristo por sua Mãe. O primeiro e fundamental relacionamento que o ser humano estabelece com a mulher é justamente aquele de filho para mãe. Cada um de nós pode expressar seu amor à mãe terrena como o Filho de Deus fez e faz com a sua. A mãe é a mulher à qual devemos a vida. Ela nos concebeu em seu ventre, nos deu à luz entre as dores que acompanham a experiência de toda mulher que dá à luz. Mediante a geração vem a se instaurar um vínculo especial, quase sagrado, entre o ser humano e sua mãe.

Português: O canto evoca o amor de Cristo pela sua Mãe. A primeira e fundamental relação que o ser humano estabelece com a mulher é justamente aquela de filho com mãe. Cada um de nós pode exprimir o seu amor à mãe terrena como o Filho de Deus fez e faz com a sua. A mãe é a mulher a quem devemos a vida. Concebeu-nos no seu seio, deu-nos à luz com as dores que acompanham a experiência de cada mulher que dá à luz. Pela geração instaura-se um vínculo especial, quase sagrado, entre o ser humano e sua mãe.

Estrutura da carta

A Carta «Onore a Maria» de 1995 desenvolve quatro grandes temas:

  1. Mãe: a mãe natural do sacerdote como primeira mulher a quem ele deve a vida
  2. Mãe espiritual: Maria como mãe do sacerdote no plano sobrenatural
  3. Mulheres consagradas: a importância das religiosas no ministério sacerdotal e na Igreja
  4. Mulheres leigas: esposas, irmãs, colaboradoras no ministério pastoral

Conexão com mulieris dignitatem

A Carta de 1995 é a aplicação específica ao sacerdócio dos princípios desenvolvidos em Mulieris Dignitatem (1988) e na Carta às Mulheres (29 de junho de 1995, publicada após esta carta sacerdotal). Em 1995, JP2 publicou:

  • 25 de março: «Onore a Maria» aos sacerdotes
  • 29 de junho: «Carta às Mulheres» a todas as mulheres do mundo

Ambas formam um díptico magisterial sobre a dignidade da mulher e sobre Maria como modelo da mulher.

O canto polaco e a espiritualidade mariana de jP2

O canto «Honor Maryi, czesc’ i chwała» (literalmente: «Honra a Maria, veneração e glória») é um dos mais difundidos cantos marianos da Polónia. JP2 conheceu-o no santuário de Częstochowa (Jasna Góra), centro mariano nacional polaco. A sua escolha de iniciar a Carta sacerdotal de 1995 com este canto revela a profundidade da sua devoção mariana pessoal e a continuidade entre a sua espiritualidade pessoal e o magistério universal da Igreja.

Leitura complementar

Redemptoris Mater | Mulieris Dignitatem | Carta às Mulheres 1995 | Pastores Dabo Vobis | Apud Crucem cum Maria 1988

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