Mary, o filme de 2024 sobre Maria, mãe de Jesus: análise mariológica

O filme “Mary” (2024)

“Mary” é um filme bíblico de 2024 dirigido por D.J. Caruso, distribuído pela Netflix. A obra narra a vida da Virgem Maria desde a Anunciação até à fuga para o Egipto, protagonizada por Noa Cohen no papel de Maria e Anthony Hopkins no papel de Herodes. O filme foi produzido com atenção ao contexto histórico e cultural da Judeia do 1º século a.C./1º século d.C., embora incorpore elementos dramáticos e interpretações narrativas próprias do género cinematográfico. A sua estreia gerou ampla discussão sobre a representação de Maria nas artes visuais contemporâneas.

Maria no cinema: uma tradição com séculos

Desde os primórdios do cinema, Maria foi figura central em filmes bíblicos: de “Intolerance” (1916) de D.W. Griffith, passando por “Ben-Hur” (1959), “A História de Ruth” e os grandes épicos bíblicos dos anos 50-60, até “Jesus de Nazaré” (1977) de Franco Zeffirelli, onde a Maria de Anne Bancroft é considerada das mais fiéis ao perfil evangélico. O “Jesus Film” (1979), o mais visto da história do cinema, inclui Maria de modo discreto mas fiel às fontes. “Nativity Story” (2006) centrou-se especificamente na Anunciação, Visitação e nascimento de Jesus, com Maria de Keisha Castle-Hughes.

O que diz a teologia sobre a representação de Maria

O Vaticano II (Lumen Gentium, n.67) pede que as representações de Maria sejam “de genuíno valor artístico” e evitem tudo o que possa induzir em erro os fiéis ou “afastar os fiéis do culto devido a Deus”. A Instrução Communio et Progressio (1971) sobre a comunicação social encoraja a arte cristã, incluindo o cinema, desde que não viole a dignidade das pessoas sagradas. Representar Maria no cinema é um acto de catequese visual: as opções estéticas transmitem inevitavelmente uma teologia implícita. O modo como Maria é apresentada determina o que o espectador entende sobre a sua identidade.

A figura histórica de Maria: o que sabemos

As fontes históricas sobre Maria são exclusivamente bíblicas e patrísticas, não há documentos seculares do 1.º séc. que a mencionem. O Novo Testamento menciona-a em: Lc 1,26-56 (Anunciação e Magnificat), Lc 2,1-52 (Nascimento, Apresentação, Encontro no Templo), Jo 2,1-11 (Caná), Jo 19,25-27 (ao pé da Cruz), At 1,14 (Cenáculo). Os Evangelhos da Infância apócrifos (Proto-evangelho de Tiago, 2.º séc.) acrescentam a sua origem na família de Joaquim e Ana e a sua criação no Templo, mas não são fontes históricas verificáveis. Qualquer filme sobre Maria trabalha inevitavelmente com materiais parcialmente imaginados.

A Anunciação no ecrã

A cena da Anunciação (Lc 1,26-38) é o núcleo de qualquer representação fílmica de Maria. Como representar o momento em que o Eterno entra no tempo? O cinema debateu-se com esta questão de modos variados: luz sobrenatural, voz apenas, figura angelical humana. O que a Escritura reporta é o diálogo entre Maria e o anjo Gabriel, um diálogo que revela a inteligência de Maria (“como será isto?”, Lc 1,34) e a sua liberdade (“eis a serva do Senhor”, Lc 1,38). Qualquer representação que reduza Maria a receptáculo passivo trai o texto lucano.

Aprofunde seus estudos: explore Mariologia, Teologia mariana, Fiat de Maria, Iconografia mariana e a Pós-Graduação em Mariologia.

Pós-Graduação em mariologia

Quer aprofundar a sua formação em Mariologia? Conheça a Pós-Graduação em Mariologia da Locus Mariologicus – uma formação académica que une rigor teológico, vida espiritual e tradição viva da Igreja.

Inscreva-se ou saiba mais →

Related Articles

Responses