Stabat Mater – sequência litúrgica aprovada por Pio IX (Doctrina pontificalis IV, n. 320)
O Stabat Mater é o mais célebre poema mariano da história cristã, e um dos textos de maior densidade teológica, contemplativa e poética de toda a literatura religiosa ocidental. A história do seu reconhecimento litúrgico culmina com Pio IX, que em 1876 o aprovou definitivamente como sequência oficial da festa de Nossa Senhora das Dores (15 setembro). Este é o documento n. 320 da Doctrina Pontificia IV.
| Colecção | Doctrina Pontificia IV: Documentos Marianos, n. 320 |
| Papa | Pio IX (1846-1878) |
| Documento | Decreto da S. Congr. Indulg., 18 de junho de 1876 |
| Tema | Aprovação do Stabat Mater como sequência litúrgica oficial |
O stabat Mater: texto latino (Excertos)
Stabat mater dolorosa / iuxta crucem lacrimosa, / dum pendebat Filius.
, Estava a Mãe dolorosa / junto à Cruz lacrimosa, / enquanto o Filho pendia.
Cuius animam gementem, / contristatam et dolentem / pertransivit gladius.
, Cuja alma gemendo, / contristada e padecendo, / traspassou uma espada.
O quam tristis et afflicta / fuit illa benedicta / Mater Unigeniti!
, Oh, quão triste e aflita / foi aquela bem-aventurada / Mãe do Unigénito!
Quae maerebat et dolebat, / pia Mater dum videbat / nati poenas inclyti.
, Ela que chorava e sofria, / Mãe pia, enquanto via / as penas do Filho glorioso.
Fac, ut ardeat cor meum / in amando Christum Deum / ut sibi complaceam.
, Faz que arda o meu coração / no amor de Cristo Deus, / para que n’Ele me comprazer.
Autoria e história
A autoria do Stabat Mater é incerta. A atribuição mais provável é a Jacopone da Todi (c. 1230-1306), frade franciscano umbro. O poema é escrito em trímetros iâmbicos rimados (na realidade, no chamado verso safino-franciscano), com uma sequência de 20 estrofes de três versos cada, formando um total de 60 versos.
A história litúrgica do Stabat Mater é longa: proibido como sequência na missa pelo Concílio de Trento (que restringiu as sequências a apenas quatro), foi gradualmente reintroduzido até ser aprovado definitivamente por Pio IX em 1876 para a festa de Nossa Senhora das Dores.
Significado mariológico
O Stabat Mater é a expressão mais perfeita da teologia da compaixão mariana, a co-paixão de Maria com Cristo na Cruz. Esta doutrina, desenvolvida por São Bernardo, São Boaventura e São Tomás de Aquino, afirma que Maria não foi espectadora passiva da Paixão: ela sofreu com Cristo de modo singular, participando espiritualmente da sua oferenda redentora. O Stabat Mater é, antes de ser poesia, teologia.
A expressão «iuxta crucem lacrimosa» (junto à Cruz lacrimosa) refere-se ao texto joânico de Jo 19,25: «stabant autem iuxta crucem Iesu mater eius», «estavam junto à Cruz de Jesus a sua Mãe». O poema é uma meditação sobre este versículo, desenvolvendo o que significa para Maria estar «junto à Cruz» do Filho.
O stabat Mater na música
O Stabat Mater é o texto mariano mais musicado da história: Palestrina, Pergolesi, Haydn, Schubert, Rossini, Dvořák, Poulenc, Verdi e dezenas de outros compositores criaram músicas para este poema. A versão de Pergolesi (1736), composta nos últimos dias de vida do compositor, é considerada uma das obras mais perfeitas da música sacra de todos os tempos.
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