Maria e os que adormeceram na esperança: Finados e a oração pelos mortos

Maria e os que adormeceram na esperança: iª parte

Maria e os fiéis que adormeceram na esperança da Ressurreição

Maria e os que adormeceram na esperança, escatologia mariana

Dia de Finados: origem da data e indulgência de 1 a 8 de novembro

Em 2026, a Comemoração de todos os fiéis defuntos, o Dia de Finados, cai numa segunda-feira, 2 de novembro, logo depois da solenidade de Todos os Santos, celebrada no domingo, 1.º de novembro. Nas duas datas seguidas, a Igreja contempla primeiro os que já estão na glória de Deus e, no dia seguinte, reza por todos os que morreram em Cristo e ainda podem estar em purificação.

A data tem origem monástica. Segundo Carlo Carletti, em artigo publicado no L’Osservatore Romano de 1.º de novembro de 2009, foi no ano 998 que Santo Odilão de Mercoeur, quinto abade de Cluny, introduziu no calendário dos mosteiros cluniacenses uma comemoração de todos os defuntos, a ser celebrada no segundo dia de novembro. O estatuto de Odilão, que o mesmo artigo situa na Patrologia Latina (vol. 142, col. 1037-1038), previa esmola aos pobres no dia de Todos os Santos, o toque dos sinos e o ofício dos mortos depois das vésperas, uma Missa solene na manhã de 2 de novembro e Missas, privadas e públicas, pelo repouso das almas de todos os fiéis. Carletti acrescenta, com base em Ildefonso Schuster, que a extensão da data a toda a Igreja parece documentar-se pela primeira vez num Ordo Romanus do século XIV.

A data é medieval, mas a oração pelos defuntos é muito mais antiga. O Concílio Vaticano II recorda que a Igreja peregrina «cultivou com muita piedade desde os primeiros tempos do Cristianismo a memória dos defuntos» (Lumen gentium, n. 50).

A indulgência de Finados

O Manual das Indulgências (Enchiridion Indulgentiarum, 4.ª ed., 1999, concessão 29, § 1) concede indulgência plenária, aplicável somente às almas do purgatório, ao fiel que, em cada dia de 1 a 8 de novembro, visitar devotamente um cemitério e rezar pelos defuntos, ainda que só mentalmente. Concede-a também a quem, no dia de Finados, visitar piedosamente uma igreja ou oratório e ali rezar o Pai-Nosso e o Credo. Com o consentimento do Ordinário, essa visita pode ser feita no domingo anterior ou posterior ou na solenidade de Todos os Santos. Nos outros dias do ano, a visita ao cemitério com oração pelos defuntos recebe indulgência parcial (concessão 29, § 2).

Valem as condições fixadas por São Paulo VI na constituição Indulgentiarum doctrina (1967, normas 6 a 8): confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Papa, com a rejeição de todo apego ao pecado, mesmo venial. A indulgência plenária só pode ser obtida uma vez por dia, e as três condições podem ser cumpridas em dias diferentes, antes ou depois da obra prescrita.

Em 2020 e 2021, por causa da pandemia, a Penitenciaria Apostólica estendeu essas indulgências a todo o mês de novembro. A norma geral continua a ser a de 1 a 8 de novembro, salvo nova disposição da Santa Sé. No decreto de 2020, a Penitenciaria também convidava os sacerdotes a celebrar três Missas no dia de Finados, segundo a constituição Incruentum altaris, de Bento XV (1915).

Estabelecendo conceitos.

Por céu entendemos o lugar onde Deus se senta no trono: «O Senhor está na sua santa morada, no céu está o trono de Deus. Seus olhos observam, suas pálpebras interrogam os seres humanos» (Sl 11,4 [Vulg. 10]). «Os céus são os céus do Senhor, mas a terra, ele a deu aos filhos de Adão» (Sl 115,16 [Vulg. 113B]). É deste mesmo lugar que Deus desce: «o Senhor desceu sobre o Sinai, sobre o cume do monte. O Senhor chamou Moisés ao cume do monte, e Moisés subiu» (Ex 19,18-20). Contudo, são as Escrituras que reconhecem que céus e terra não podem conter Deus: «Mas será possível que Deus habita na terra? Se os mais altos céus não O podem conter, muito menos esta casa que eu construí»! (1Rs 8,27). Neste paradoxo sobre a «habitação» de Deus acrescenta-se também que a esperança cristã prevê no fim dos tempos céus novos e terra nova: «O que esperamos, de acordo com a sua promessa, são novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça» (2Pe 3,13). De forma breve, podemos concluir que o céu é o estado onde os bem-aventurados habitarão para sempre com Deus mediante a humanidade glorificada de Cristo: «depois, nós, os vivos, que ainda estivermos em vida, seremos arrebatados, junto com eles, sobre as nuvens, ao encontro do Senhor, nos ares. E, assim, estaremos sempre com o Senhor» (1Ts 4,17). «E depois que eu tiver ido e preparado um lugar para vós, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais vós também» (Jo 14,3).

Maria, elevada ao céu em corpo e alma

Por inferno entendemos o estado onde os demônios e os pecadores que morreram sem arrependimento sofrem para sempre, variando segundo os pecados cometidos, pois estão excluídos da presença de Deus. Estas noções eclesiais baseiam-se em passagens do Novo Testamento, como em Mt 13,36-43 e 25,31-46, e insistem sobre a possibilidade de inferno para aqueles que com real maldade recusam amar a Deus e ao próximo. Contudo, um vínculo existe entre Deus e o homem, que é o amor salvífico: «mas quando tudo lhe estiver submetido, então o próprio Filho se submeterá Àquele que lhe submeteu todas as coisas, para que Deus seja tudo em todos» (1Cor 15,28). «isto é bom e agradável a Deus, nosso Salvador. Ele quer que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e a humanidade: o homem Cristo Jesus, que se entregou como resgate por todos. Este foi o seu testemunho dado no tempo devido» (1Tm 2,3-6).

Novena pelas almas do Purgatório composta por Santo Afonso Maria de Ligório  - Sim, sou católico

Por purgatório entendemos a purificação (katharsis) que é o estado daqueles que morrem em comunhão com Deus, mas ainda têm necessidade de que os seus pecados pessoais sejam expiados (mediante os méritos de Cristo) e devem crescer espiritualmente antes de poderem usufruir da visão beatífica. Ainda que possamos citar numerosos versículos da Sagrada Escritura como 2Mc 12,38-46, Mt 5,25-26, 1Cor 3,11-15, estes não conseguem precisar uma identidade do purgatório (= purificação). Para entendermos o seu significado teremos de nos apoiar em elementos da Tradição cristã como a justiça divina, as orações cristãs pelos defuntos, desde o século II, e a celebração eucarística pelo dies natalis (dia do nascimento) dos que adormeceram na esperança. Padres da Igreja como Clemente de Alexandria (m. 215), Orígenes (m. 254), João Crisóstomo (m. 407), Tertuliano (séculos II e III), Cipriano (m. 258), Agostinho (m. 430) escreveram acerca dos vários modos de purificação depois da morte e sobre a nossa comunhão através da oração com os nossos caros defuntos. A oração pelos defuntos difundiu-se sobretudo em ambientes litúrgicos no Ocidente e no Oriente cristãos. No II Concílio de Lyon (1274) e posteriormente no de Florença (1438-1445) começou-se a afirmar a ideia de sofrimento purificador suportado depois da morte por parte daqueles que ainda não são dignos da visão beatífica e do valor das orações e das boas obras como sufrágio para aqueles que padecem de tamanho sofrimento. Devemos compreender que não se fala de fogo do purgatório nestes Concílios. Na Reforma Protestante, Martinho Lutero (1483-1546) rejeitará o valor das indulgências pelos defuntos e até mesmo a existência do Purgatório. A Contrarreforma do Concílio de Trento (1545-1563) reafirmará com vigor a doutrina do purgatório, ainda sem deixar claras a duração e a natureza do mesmo, o valor das orações e sobretudo da Eucaristia por todos aqueles que permanecem no Purgatório. Nos nossos dias encontramos o Concílio Vaticano II (1962-1965) a afirmar a comunhão da Igreja Peregrina para com todos aqueles que se purificam depois da morte, reafirmando as declarações conciliares de Trento e Florença, quando diz: «enquanto o Senhor não vier na Sua majestade e todos os Seus anjos com Ele (cfr. Mt 25,31) e, vencida a morte, tudo Lhe for submetido (cfr. 1Cor 15, 26-27), dos Seus discípulos uns peregrinam sobre a terra, outros, passada esta vida, são purificados, outros, finalmente, são glorificados e contemplam «claramente Deus trino e uno, como Ele é». Todos, porém, comungamos, embora em modo e grau diversos, no mesmo amor de Deus e do próximo, e todos entoamos ao nosso Deus o mesmo hino de louvor. Com efeito, todos os que são de Cristo e têm o Seu Espírito, estão unidos numa só Igreja e ligados uns aos outros n’Ele (cfr. Ef 4,16). E assim, de modo nenhum se interrompe a união dos que ainda caminham sobre a terra com os irmãos que adormeceram na paz de Cristo, mas antes, segundo a constante fé da Igreja, é reforçada pela comunicação dos bens espirituais. Porque os bem-aventurados, estando mais intimamente unidos com Cristo, consolidam mais firmemente a Igreja na santidade, enobrecem o culto que ela presta a Deus na terra, e contribuem de muitas maneiras para a sua mais ampla edificação em Cristo (cfr. 1Cor 12, 12-27). Recebidos na pátria celeste e vivendo junto do Senhor (cfr. 2Cor 5,8), não cessam de interceder, por Ele, com Ele e n’Ele, a nosso favor diante do Pai, apresentando os méritos que na terra alcançaram, graças ao mediador único entre Deus e os homens, Jesus Cristo (cfr. 1Tm 2,5), servindo ao Senhor em todas as coisas e completando o que falta aos sofrimentos de Cristo, em favor do Seu corpo que é a Igreja (cfr. Col 1,24). A nossa fraqueza é assim grandemente ajudada pela sua solicitude de irmãos». Na realidade, o Purgatório é hoje entendido como processo final de amadurecimento amoroso, ainda que doloroso, antes de ver a Deus face a face. Com o Juízo Universal o purgatório deixará de existir.

A oração pelos mortos na Bíblia e no Catecismo

O texto bíblico que o Concílio Vaticano II e o Catecismo citam sobre a oração pelos defuntos está no Segundo Livro dos Macabeus. Depois de uma batalha, os homens de Judas Macabeu encontram, sob as túnicas dos soldados mortos, objetos consagrados aos ídolos de Jâmnia (2Mc 12,40). Todos se voltam para a súplica, e Judas faz entre os seus homens uma coleta de duas mil dracmas de prata, que envia a Jerusalém para que se ofereça um sacrifício pelo pecado (2Mc 12,42-43). O autor explica o gesto pela fé na ressurreição: se Judas não esperasse que os caídos ressuscitassem, seria supérfluo rezar pelos mortos (2Mc 12,44). E conclui, no grego da Septuaginta:

«ὅθεν περὶ τῶν τεθνηκότων τὸν ἐξιλασμὸν ἐποιήσατο τῆς ἁμαρτίας ἀπολυθῆναι» (hóthen perì tôn tethnēkótōn tòn exilasmòn epoiḗsato tês hamartías apolythênai): por isso, a respeito dos que tinham morrido, fez a expiação, para serem libertados do pecado (2Mc 12,45 LXX, que corresponde a 2Mc 12,46 na Nova Vulgata e no Catecismo).

O mesmo versículo chama os mortos de «τοῖς μετ᾿ εὐσεβείας κοιμωμένοις» (toîs met’ eusebeías koimōménois): aos que adormecem com piedade (2Mc 12,45 LXX). São Paulo usa o mesmo verbo para os cristãos falecidos:

«Οὐ θέλομεν δὲ ὑμᾶς ἀγνοεῖν, ἀδελφοί, περὶ τῶν κοιμωμένων, ἵνα μὴ λυπῆσθε καθὼς καὶ οἱ λοιποὶ οἱ μὴ ἔχοντες ἐλπίδα» (ou thélomen dè hymâs agnoeîn, adelphoí, perì tôn koimōménōn, hína mḕ lypêsthe kathṑs kaì hoi loipoì hoi mḕ échontes elpída): não queremos que ignoreis, irmãos, a respeito dos que dormem, para que não vos entristeçais como também os outros, os que não têm esperança (1Ts 4,13).

A expressão «adormecer na esperança», que dá título a este artigo, ecoa essa linguagem: a morte do cristão é vista como sono à espera da ressurreição.

O Catecismo da Igreja Católica recolhe esta herança. Ensina que «os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu» (CIC 1030). A Igreja chama purgatório a essa purificação final dos eleitos, que o Catecismo declara absolutamente distinta do castigo dos condenados, e formulou essa doutrina sobretudo nos concílios de Florença e de Trento (CIC 1031). O Catecismo acrescenta que a doutrina se apoia também na prática da oração pelos defuntos, cita o mesmo texto dos Macabeus e lembra que a Igreja oferece sufrágios por eles, «particularmente o Sacrifício eucarístico», e recomenda ainda a esmola, as indulgências e as obras de penitência em seu favor (CIC 1032).

O laço não se rompe com a morte. «A nossa oração por eles pode não só ajudá-los, mas também tornar mais eficaz a sua intercessão em nosso favor» (CIC 958). Rezar em Finados é, por isso, um ato de caridade e de fé na comunhão dos santos.

A relação de Maria com a esperança escatológica é aprofundada na encíclica Redemptoris Mater de São João Paulo II, que apresenta Maria como ícone da esperança cristã na ressurreição.

Maria e os fiéis defuntos: a hora da nossa morte

Não é preciso recorrer a promessas devocionais para compreender o lugar de Maria no Dia de Finados. Basta o que a Igreja ensina e reza todos os dias.

O primeiro dado é bíblico. Quando o Filho morre, a Mãe está presente junto à cruz: «εἱστήκεισαν δὲ παρὰ τῷ σταυρῷ τοῦ Ἰησοῦ ἡ μήτηρ αὐτοῦ» (heistḗkeisan dè parà tôi staurôi toû Iēsoû hē mḗtēr autoû): estavam de pé junto à cruz de Jesus a mãe dele (Jo 19,25). Maria conhece a morte de perto, não como espectadora distante, mas como mãe que permanece.

O segundo dado é a oração mais simples da Igreja. Em cada Ave-Maria pedimos: «rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte». O Catecismo comenta esse pedido com uma frase que ilumina todo o sentido de Finados: «Que Ela esteja então presente como na morte do seu Filho na cruz e que, na hora do nosso passamento, Ela nos acolha como nossa Mãe, para nos levar ao seu Filho Jesus, no Paraíso» (CIC 2677). O próprio Catecismo, ao falar da preparação para a morte, une o pedido à Mãe de Deus para que rogue por nós «na hora da nossa morte» à confiança em São José, padroeiro da boa morte (CIC 1014).

O terceiro dado é a Assunção. O Catecismo ensina que «a Assunção da santíssima Virgem é uma singular participação na ressurreição do seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos» (CIC 966). Aquilo que pedimos para os nossos mortos, a plena comunhão com Deus e a ressurreição da carne, já se realizou nela. O Concílio Vaticano II afirma que a Mãe de Jesus, já glorificada em corpo e alma, «brilha como sinal de esperança segura e de consolação, para o Povo de Deus ainda peregrinante» (Lumen gentium, n. 68). Sobre esse fundamento, veja também Maria e a esperança da Ressurreição.

Há ainda um dado prático: o terço. O Manual das Indulgências concede indulgência plenária a quem reza piedosamente o Rosário numa igreja ou oratório, em família, numa comunidade religiosa ou numa associação de fiéis, bastando cinco dezenas rezadas sem interrupção (concessão 17, § 1). E toda indulgência, parcial ou plenária, pode ser aplicada aos defuntos por modo de sufrágio (Indulgentiarum doctrina, norma 3). Quando, em 2020, a Penitenciaria Apostólica indicou orações pelos defuntos a quem não podia sair de casa, propôs rezá-las diante de uma imagem de Jesus ou da Virgem Maria e citou expressamente o Rosário. Rezar o terço pelos mortos, em casa ou na igreja, é portanto um modo plenamente eclesial de viver Finados.

Visitar o cemitério com Maria é aprender com ela a esperar. Os que amamos adormeceram na esperança, e a Mãe que esteve junto à cruz é invocada, em cada Ave-Maria, para a hora da nossa própria passagem.

Perguntas frequentes

Qual é a origem do Dia de Finados?

A comemoração de todos os fiéis defuntos em 2 de novembro nasceu entre os monges de Cluny. Segundo artigo do L’Osservatore Romano (1.º de novembro de 2009), foi Santo Odilão, quinto abade de Cluny, quem a introduziu em 998 no calendário dos mosteiros cluniacenses, logo depois de Todos os Santos. A extensão a toda a Igreja parece documentar-se pela primeira vez num Ordo Romanus do século XIV. A oração pelos mortos, porém, existe desde os primeiros tempos do cristianismo.

Como obter a indulgência plenária de Finados?

Pelo Manual das Indulgências (concessão 29), ganha indulgência plenária, aplicável só às almas do purgatório, quem visita um cemitério e reza pelos defuntos, ainda que mentalmente, em cada dia de 1 a 8 de novembro, e quem, no dia 2, visita uma igreja ou oratório e reza o Pai-Nosso e o Credo. Requerem-se confissão sacramental, comunhão eucarística, oração nas intenções do Papa e rejeição de todo apego ao pecado.

A Bíblia fala em rezar pelos mortos?

Sim. Em 2Mc 12,43-46, Judas Macabeu manda oferecer em Jerusalém um sacrifício pelos soldados mortos, para que fossem libertados do pecado, e o texto liga esse gesto à fé na ressurreição. O Catecismo cita essa passagem ao tratar da oração pelos defuntos (CIC 958 e 1032). São Paulo, em 1Ts 4,13, chama os falecidos de «os que dormem» e pede que os cristãos não se entristeçam como os que não têm esperança.

O que é o purgatório segundo o Catecismo?

O Catecismo ensina que os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da salvação eterna, passam depois da morte por uma purificação para entrar na alegria do céu (CIC 1030). A Igreja chama purgatório a essa purificação final dos eleitos, absolutamente distinta do castigo dos condenados (CIC 1031), e ajuda esses irmãos com orações, a Eucaristia, esmolas, indulgências e obras de penitência (CIC 1032).

Qual é a relação de Maria com os fiéis defuntos?

Maria esteve junto à cruz quando seu Filho morreu (Jo 19,25), e a Igreja lhe pede em cada Ave-Maria que rogue por nós «agora e na hora da nossa morte». O Catecismo pede que ela nos acolha como Mãe nessa hora (CIC 2677) e ensina que a sua Assunção antecipa a ressurreição dos outros cristãos (CIC 966). Por isso rezar o terço pelos mortos é um modo mariano de viver Finados.

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