Колеса Єзекії (офаніни): що це таке і що вони означають?
As Rodas de Ezequiel: Um Mistério Bíblico
As “rodas de Ezequiel”, designadas como *ofanins* (do hebraico *ofan*, “roda”), representam um dos elementos mais intrigantes da Bíblia. São rodas altas e imponentes, descritas como uma roda dentro da outra, com aros repletos de olhos, que acompanham os quatro seres viventes na visão profética de Ezequiel (Ez 1) e reaparecem junto aos querubins no capítulo 10. Longe de serem invenções modernas ou figuras esotéricas, elas estão presentes no texto sagrado, carregando um significado teológico profundo que este artigo explora com base no texto hebraico.
O Contexto do Texto de Ezequiel 1: As Rodas e os Seres Viventes
A visão profética acontece durante o exílio babilônico, às margens do rio Quebar, por volta de 593 a.C. Após descrever os quatro seres viventes com quatro rostos e quatro asas, o profeta Ezequiel relata:
> “E olhei, e eis uma roda na terra junto aos seres viventes, para as suas quatro faces” (Ez 1,15 – tradução literal do texto massorético).
O texto continua descrevendo a aparência das rodas como um brilho semelhante ao crisólito (*tarshish*), com cada roda tendo uma única semelhança para as quatro. Os olhos ao redor das rodas simbolizam vigilância e conhecimento total, indicando que nada escapa à presença divina.
Significado de *Ofan*: A Roda Móvel
Na língua hebraica, *ofan* significa “roda” de um carro. O plural *ofanim* ganhou vida própria na literatura judaica posterior, tornando-se o nome dessas rodas visionárias. A imagem subjacente é a de um carro-trono, um símbolo do poder e liberdade dos reis antigos. No contexto bíblico, a roda dentro da roda sugere movimento em todas as direções sem necessidade de manobra, refletindo a soberania e liberdade de Deus.
As Rodas e os Querubins: Mobilidade e Presença Divina
No capítulo 10, a visão retorna, agora no templo de Jerusalém. Ezequiel identifica os seres viventes como querubins, as criaturas celestiais que guardam a santidade de Deus e sustentam seu trono. As rodas, movidas pelo “espírito do vivente” (Ez 10,17), não são entidades autônomas, mas parte do trono que os querubins carregam.
A mensagem transmitida aos exilados é poderosa: a glória de Deus, simbolizada pelas rodas, pode se mover e acampar com seu povo, mesmo em terras distantes como a Babilônia. Nenhum exílio está fora do alcance da presença divina.
Interpretações ao Longo da História
A tradição judaica chamou a visão descrita em Ezequiel 1 de “visão da *merkabá*”, o carro-trono divino, e desenvolveu uma extensa mística em torno dela. No cristianismo, as interpretações variam desde uma leitura mais sóbria, enfatizando a mobilidade e soberania da glória divina, até abordagens que sugerem uma classificação específica das rodas como um coro angélico.
A Igreja Católica, por sua vez, distingue entre a existência de anjos como criaturas espirituais e pessoais (CIC 328) e a definição de suas espécies, deixando a interpretação da visão como um mistério teológico aberto à reflexão.
Lição Espiritual
A lição espiritual extraída das rodas de Ezequiel é clara: mesmo em situações de exílio e dificuldade, a glória de Deus está presente e móvel, sempre em caminho para onde seu povo estiver. Este símbolo antecipa a presença constante de Deus com sua comunidade, independentemente da localização geográfica ou das circunstâncias.
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