Die Räder Ezequias (Offenbarung): Was sind sie und was bedeuten sie?
## As Rodas de Ezequiel: Um Mistério Bíblico e sua Interpretação Teológica
As **rodas de Ezequiel**, designadas como *ofanins* (do hebraico *ofan*, “roda”), representam um dos elementos mais intrigantes da Bíblia. São descritas como rodas altas e imponentes, com aros repletos de olhos, que acompanham os quatro seres viventes na visão profética de Ezequiel na Babilônia (Ez 1). Longe de serem invenções modernas ou figuras esotéricas, elas estão presentes no texto sagrado, carregando um significado teológico profundo. Este artigo explora o simbolismo das rodas a partir da perspectiva hebraica.
### O Contexto do Texto de Ezequiel 1: As Rodas e os Seres Viventes
A visão profética ocorre durante o exílio babilônico, por volta de 593 a.C., quando Ezequiel descreve os quatro seres viventes com quatro rostos e quatro asas (Ez 1:5-14). O texto continua com uma descrição detalhada das rodas:
> “E olhei, e eis uma roda na terra junto aos seres viventes, para as suas quatro faces” (Ez 1:15, tradução literal do texto massorético).
> “A aparência das rodas e a sua feitura era como o brilho do crisólito (…) e a sua aparência e a sua feitura era como se estivesse uma roda no meio de outra roda” (Ez 1:16).
> “E os seus aros eram altos e temíveis, e os aros das quatro estavam cheios de olhos ao redor” (Ez 1:18).
O texto enfatiza que as rodas moviam-se com os seres viventes sem nunca se desviarem, pois o “espírito do vivente estava nas rodas” (Ez 1:19-21). Acima das rodas, uma plataforma cristalina e a imagem de um trono, onde reside “uma semelhança como a aparência de um homem” (Ez 1:26), simbolizando a glória móvel de Deus.
### Significado de *Ofan*: A Roda Divina
Na língua hebraica, *ofan* significa simplesmente “roda”. O plural *ofanim* adquire uma vida própria na literatura judaica posterior, passando a designar as rodas celestiais da visão de Ezequiel. A imagem evocada é a de um carro-trono, um veículo majestoso usado pelos reis antigos para se deslocarem em guerras e cerimônias. Israel, através desta metáfora, afirma que o seu Deus não está confinado a um templo, mas é livre como as rodas que percorrem o céu e a terra.
### As Rodas, os Querubins e a Mobilidade da Glória Divina
No capítulo 10, a visão retorna, agora no templo de Jerusalém. Ezequiel identifica os seres viventes como *querubins*, criaturas celestiais guardiãs da santidade divina. As rodas, movidas pelo “espírito do vivente” (Ez 10:17), são descritas como parte do trono transportado pelos querubins.
Esta visão revolucionária, destinada aos exilados, transmite a mensagem de que a glória de Deus é móvel e pode estar presente em qualquer lugar, mesmo no meio do povo exilado na Babilônia. Nenhum local está fora do alcance do trono divino.
### Interpretações ao Longo da História
A tradição judaica chamou à visão de Ezequiel a “visão da *merkabá*”, o carro-trono, dando origem a uma rica mitologia em torno das rodas celestiais. A Igreja Cristã, por sua vez, interpretaram as rodas de diversas maneiras, desde a representação dos tronos celestiais até uma prefiguração da presença de Cristo entre o seu povo.
### A Natureza Teológica dos *Ofanins*
A resposta católica à questão sobre se os *ofanins* representam um coro de anjos é matizada. Embora existam criaturas espirituais chamadas anjos (CIC 328), a Igreja nunca definiu uma classificação exata de espécies angélicas. Os *ofanins*, portanto, podem ser vistos como parte da linguagem visionária do profeta Ezequiel, simbolizando a soberania e onisciência de Deus.
Em resumo, as rodas de Ezequiel são um enigma bíblico que revela a mobilidade e a presença constante da glória divina, oferecendo uma lição espiritual profunda para os exilados e para todos os crentes ao longo dos séculos.
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