# A Constituição Dogmática *Lumen Gentium*## IntroduçãoA *Lumen Gentium*, promulgada pelo Concílio Ecuménico Vaticano II em 21 de novembro de 1964, é uma Constituição Dogmática que aborda a natureza e o papel da Igreja. O seu Capítulo VIII, intitulado “A Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, no mistério de Cristo e da Igreja”, é um texto fundamental na teologia mariana do século XX, estabelecendo princípios essenciais para a compreensão de Maria em relação a Cristo e à Igreja.## Contexto HistóricoA inclusão da seção sobre Maria dentro da Constituição sobre a Igreja foi uma decisão significativa do Vaticano II. Após uma votação, o Concílio decidiu integrar o esquema mariano como o Capítulo VIII da *Lumen Gentium*, em vez de um documento separado, como alguns padres conciliares propunham. Esta decisão teve um impacto ecuménico e teológico profundo, enfatizando que Maria não é considerada isoladamente, mas sempre em conexão com Cristo e a Igreja.## Capítulo VIII: A Bem-aventurada Virgem Maria no Mistério de Cristo e da Igreja### I. ProémioO Concílio deseja esclarecer o mistério da Igreja, onde a ordem sobrenatural se manifesta. Refere-se à doutrina sobre a Bem-aventurada Virgem Maria, incentivando os fiéis a venerar Maria e a unir-se ao Filho, mediador de todos.### II. O Papel da Bem-aventurada Virgem na Economia da Salvação (nn. 55-59)O capítulo descreve o papel de Maria na história da salvação, desde o Antigo Testamento até à morte de Cristo. Destaca a sua união com o Filho durante a encarnação, crucificação e ressurreição, demonstrando a sua participação ativa na obra redentora.### III. A Bem-aventurada Virgem e a Igreja (nn. 60-65)Aqui, a *Lumen Gentium* afirma que Maria, como Mãe de Deus, tem um lugar único na Igreja. Sua maternidade na ordem da graça é eterna, desde o seu consentimento na Anunciação até à sua intercessão contínua pelos fiéis. O capítulo enfatiza a sua relação com Cristo e a Igreja, rejeitando qualquer ideia que diminua a sua dignidade ou eficácia como mediadora.### IV. O Culto da Bem-aventurada Virgem na Igreja (nn. 66-67)Maria é aclamada como “membro preclaríssimo” e “tipo” da Igreja. Os fiéis são encorajados a orar e louvar Maria, reconhecendo-a como intercessora poderosa junto a Deus por meio de Jesus Cristo, Nosso Senhor.## Nota sobre o Título “*Mater Ecclesiae*”Embora o Capítulo VIII não use formalmente o título “*Mater Ecclesiae*”, Paulo VI, na conclusão do Concílio, proclamou Maria como “*Mãe da Igreja*”. Este título foi posteriormente incorporado às Litanias Lauretanas e celebrado com memória obrigatória na segunda-feira após Pentecostes.## Significado TeológicoO Capítulo VIII estabelece três princípios metodológicos fundamentais para a mariologia contemporânea:1. **Cristológico**: Maria deve ser compreendida sempre em relação a Cristo, reconhecendo a sua posição única no mistério da Encarnação e Redenção.
2. **Eclesiológico**: A compreensão de Maria deve estar sempre ligada à Igreja, destacando o seu papel na vida e missão da Igreja Católica.
3. **Autêntico**: A devoção mariana deve ser genuína, evitando tanto o excessivo quanto o insuficiente, e respeitando a integridade dos ensinamentos da Igreja.Este capítulo é a referência central para toda a teologia mariana pós-conciliar, tanto no âmbito académico como pastoral.
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